“Ministério das Colônias”

Uma Cúpula das Américas de crise e contra a “América”

Evento expressou perda da autoridade do imperialismo, agravada com as derrotas contra o Afeganistão e Rússia
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Entre os dias 6 e 10 de junho, em Los Angeles, nos EUA, teve lugar a nona edição da Cúpula das Américas, evento que reúne os dirigentes de países do continente, a pretexto de  discutir políticas conjuntas para a região. Para participar, porém, não basta fazer parte da América; é necessária uma autorização da “América”, ou seja, do governo imperialista dos EUA.

Como anfitriões desta edição da cúpula, os EUA anunciaram que estaria vetada a presença de Cuba, Nicarágua e Venezuela. O posicionamento arrancou duras críticas inicialmente de Andrés Manuel López Obrador, o que estimulou o protesto de outros chefes de Estado como Xiomara Castro, presidenta de Honduras e Luis Arce, governante da Bolívia.

Finalmente, por sua própria opção, esses e outros líderes decidiram não comparecer a um evento regido por regras arbitrárias impostas pelo governo de Joe Biden.

Nessas condições, a cúpula foi marcada por críticas à política norte-americana para a América Latina e representantes do México e da Bolívia até mesmo lançaram a proposta da refundação da Organização dos Estados Americanos (OEA), apelidada ironicamente pelo revolucionário cubano Fidel Castro de “ministério das Colônias dos EUA”.

Denúncia da OEA

No terceiro dia da cúpula, Marcelo Ebrard, o secretário de Relações Exteriores do México, denunciou algumas das arbitrariedades cometidas recentemente pela OEA. Entre os pontos destacados estavam as sanções econômicas impostas a países latino-americanos, como Cuba e Venezuela, em plena pandemia da covid-19.

É evidente que a Organização dos Estados Americanos e sua forma de agir estão esgotadas tendo em vista essa realidade“, disse o diplomata. Além da pandemia, Ebrard chamou atenção à participação da OEA no golpe de Estado na Bolívia contra o então presidente eleito, Evo Morales. 

No marco dessas arbitrariedades, Ebrard chamou os países americanos a refundarem a OEA. O mexicano defendeu uma organização com base na soberania de cada país-membro em oposição à sua atual edição, que atende apenas aos interesses imperialistas na região.

O golpe boliviano também foi lembrado pelo ministro de Relações Exteriores da Bolívia, Rogelio Mayta, que apoiou a proposta de seu colega mexicano.

Em nossa dolorosa experiência, a OEA participou de eventos como o golpe ocorrido na Bolívia em novembro de 2019, que consolidou um governo de fato baseado na repressão violenta aos movimentos sociais“, declarou no último dia do encontro. 

O golpe boliviano também veio à tona em palestra com participação do presidente da OEA, o uruguaio Luis Almagro, onde um ativista norte-americano na audiência levantou-se de súbito e denunciou seus crimes:

“[…] a ditadura que você ajudou a instaurar massacrou 36 pessoas – 36 pessoas que estavam protestando pela restauração da democracia, a restauração da independência de seu país. Nas cidades de Sacava e Senkata, pessoas protestavam pacificamente, indígenas, trabalhadores, mulheres, estudantes“, declarou Walter Smolarek, militante do Partido pelo Socialismo e Libertação. “Você não tem vergonha. Você é um assassino, um fantoche dos EUA“, completou, dirigindo-se a Almagro enquanto era abordado por seguranças presentes no local.

Cúpula polarizada

O presidente argentino Alberto Fernández deu a entender que se uniria ao boicote da Cúpula das Américas com seus colegas latino-americanos, mas – como de costume – capitulou às vésperas do evento e viajou a Los Angeles. Em seu discurso, porém, lamentou que nem todos os países do continente foram convidados.

Fernández, que ocupa a presidência da Comunidade de Estados Latino Americanos e Caribenhos (CELAC), criticou o já sexagenário embargo a Cuba e ecoou o enviado mexicano na denúncia do aprofundamento de sanções econômicas contra Cuba e Venezuela em plena pandemia. A maioria dos chefes de Estado caribenhos também condenaram a política norte-americana de exclusão de seus países vizinhos da cúpula. 

Reafirmando sua política de capacho do imperialismo, mas com uma aparência de esquerda, Gabriel Boric, o presidente chileno, posicionou-se no meio do caminho entre o bloco contrário à exclusão e o responsável por ela. Prefilou ao lado de figuras de direita como Jair Bolsonaro e Iván Duque, da Colômbia, com um verdadeiro ataque aos regimes atacados pelos EUA: “ao isolar países com tendências autoritárias, tudo o que estamos fazendo é reafirmar suas posições“, disse Boric, atacando as “tendências autoritárias” dos regimes que se aopõem ao “democrático” regime genocida dos monopólios dos EUA.

Não satisfeito com a “crítica”, o chileno atacou diretamente o governo de Cuba afirmando que o mesmo “prende pessoas por pensarem diferente“, sob aplausos do imperialismo que há mais de seis décadas leva adiante uma guerra contra a revolução cubana. Ironicamente, em seu país, a população Mapuche vive sob estado de sítio e os presos políticos das mobilizações de 2019 seguem encarcerados com seu aval.

O serviçal Boric ainda estendeu seus ataques ao governo chavista da Venezuela e defendeu uma política contra a imigração venezuelana para o Chile. “Eu acredito que nenhum país tem a capacidade de absorver sozinho um fluxo migratório tão grande quanto o que vem da Venezuela nos anos recentes“, disse o presidente. Isso é claro, sem dizer nenhuma palavra sobre a criminosa operação golpista e de roubo dos EUA – e de todo o imperialismo – contra o povo venezuelano.

Biden e Bolsonaro

Nem mesmo o presidente brasileiro, capacho do imperialismo norte-americano, compareceu ao evento em Los Angeles com sua habitual postura subserviente. Em seu primeiro encontro em pessoa com Biden, o presidente brasileiro foi, aparentemente, pedir ajuda em um objetivo comum que mantém com o imperialismo. 

Segundo reporta o portal Bloomberg, Bolsonaro pediu ao presidente norte-americano que o ajudasse a derrotar Lula nas eleições deste ano. A fonte anônima consultada pela reportagem relata que o pedido aconteceu durante uma reunião privada entre os dois políticos, requisitada pelo próprio Bolsonaro. O presidente golpista teria dito que Lula é “uma ameaça aos interesses dos EUA“. 

Ainda que nada tenha sido confirmado, a conversa é plausível dado que ambas as partes batem continência para a bandeira dos EUA. Ao final de sua viagem, Bolsonaro ainda teve tempo para realizar uma “motociata” em Orlando, na Flórida, em razão da inauguração de um novo consulado na cidade. O imperialismo certamente tem um plano para as eleições brasileiras e Bolsonaro, em plena campanha eleitoral, faz de tudo para ser seu protagonista.

Hipocrisia e decadência

Ao mesmo tempo em que os EUA anunciavam seus planos para a América Latina na Cúpula das Américas, ativistas de esquerda organizaram um contra-evento simultâneo em Los Angeles, denominado de Cúpula dos Povos. O evento teve com discursos realizados por teleconferência de Nicolás Maduro, presidente da Venezuela; Miguel Díaz-Canel, presidente de Cuba; e Evo Morales, ex-presidente boliviano. 

Esteve presente na Cúpula dos Povos o pai de Julian Assange, John Shipton, que denunciou a perseguição sofrida por seu filho, fundador do Wikileaks, por denunciar os crimes cometidos pelo imperialismo ao redor do mundo. Shipton agradeceu a solidariedade dos chefes de Estado latino-americanos que lhe haviam oferecido asilo político.

O caso de Assange escancara a hipocrisia dos EUA que falam em “ditaduras” na América Latina e organizam uma conspiração internacional para capturar um dos principais jornalistas da história recente que, se extraditado da Inglaterra, pode passar o resto da vida numa prisão norte-americana. 

Uma das principais propostas feitas na cúpula por Anthony Blinken, secretário de Estado de Biden, foi a Brigada de Saúde das Américas, que seria composta por meio milhão de profissionais de saúde treinados para atender a região no caso de uma próxima pandemia. Puro cinismo. Apesar de serem países pobres e submetidos a um covarde cerco internacional, Cuba, Venezuela e Nicarágua, de fora do evento, estão entre os países com maior êxito no combate à covid-19 enquanto os EUA foram o país mais impactado pela pandemia, com mais de um milhão de mortos de acordo com os números oficiais.

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