Rejeição a Macron marca eleições parlamentares francesas

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No último dia 12, os eleitores franceses foram às urnas eleger seus representantes para o Parlamento. Tradicionalmente, o voto parlamentar acompanha a escolha presidencial, mas este ano ficou claro que Emmanuel Macron elegeu-se apenas graças à política do mal menor, isto é, pelo simples fato de não ser Marine Le Pen, a candidata da extrema direita.

O primeiro destaque do resultado é a abstenção, grande no pleito presidencial e ainda maior no parlamentar. Cerca de 52,5% dos eleitores decidiram se ausentar das urnas no que foi um novo recorde para a Quinta República francesa, superando a marca de 2017 por mais de um ponto percentual.

Além disso, o Ensemble, coalizão de Macron que facilmente conquistou a maioria parlamentar em 2017, se viu claramente ameaçada pelo NUPES, coalizão de esquerda liderada por Jean-Luc Mélenchon, do partido França Insubmissa. O agrupamento governista teve apoio de 25,75% dos eleitores, enquanto a esquerda teve 25,66%. Ficaram separados apenas por 21 mil votos.

O regime político francês se apoia no voto distrital e deixa claro a razão pela qual o método é considerado antidemocrático. Por mais que em número de votos os dois grupos estejam próximos, o Ensemble deve conquistar entre 260 e 300 deputados, enquanto o NUPES deve ficar com algo entre 170 e 220 de acordo com pesquisa realizada pelo instituto francês Elabe. Para uma maioria, Macron precisa de ao menos 289 parlamentares.

A terceira força política no parlamento deve ser o Reagrupamento Nacional, que recebeu 18,68% dos votos em escala nacional e deve conquistar entre 20 e 45 assentos no Parlamento. Atualmente, o partido de Le Pen tem apenas 8 deputados e com esse resultado deve conquistar o número mínimo de 15, necessário para formar um grupo parlamentar – pré-requisito para ter algum peso político real na Assembleia Nacional.

Finalmente, os Republicanos (LR) conquistaram 10,42% dos votos e devem perder metade de seus deputados. Em aliança com partidos menores de direita, estima-se que terão algo entre 50 e 80 deputados.

As eleições parlamentares deixaram claro o naufrágio do regime político francês que já era anunciado por Causa Operária desde a improvisação da candidatura de Macron em 2017, fruto do derretimento dos principais partidos franceses: o Partido Socialista (PS) e o LR. O PS agora integra a NUPES de Mélenchon, enquanto o LR aos poucos se dilui entre Macron e agrupamentos de extrema direita. 

O Ensemble, bote salva-vidas da burguesia, recebeu pouco mais de um quarto dos votos válidos, o que representa o apoio de apenas 12,23% dos cidadãos franceses.

A alta abstenção mostrou que nenhuma força política conseguiu dar vazão à revolta popular, que transbordou logo nos primeiros dias do novo governo de Macron, reeleito apenas dois meses atrás. Entre os que foram às urnas, a disposição em apoiar a esquerda é visivelmente grande – e crescente, em relação à 2017. Mélenchon foi contra as políticas repressivas de Macron durante a pandemia e procura se opor a suas medidas neoliberais e belicistas, no caso do conflito ucraniano. A França Insubmissa defende a saída do país da OTAN.

Ainda assim, o líder do NUPES lançou sua campanha parlamentar logo após a derrota no primeiro turno das eleições presidenciais com o mote “elejam-me primeiro-ministro”. O cargo de chefe do gabinete presidencial é apontado exclusivamente pelo presidente e é dado, tradicionalmente, ao grupo majoritário no Parlamento – quase sempre o governista. 

O NUPES pode, com sua campanha para o segundo turno, mobilizar parte da maioria dos eleitores que se abstiveram no primeiro turno e pode até mesmo roubar a maioria de Ensemble e, ainda assim, Macron poderia, por exemplo, formar um governo com os republicanos.

O segundo turno acontecerá após fecharmos essa edição, no dia 19, mas o balanço político já está dado. A população francesa rejeitou não apenas Macron, como o regime político como um todo.

Sobre as aspirações de Mélenchon, o que a esquerda teria a oferecer para Macron para receber o cargo de primeiro-ministro? Mais do que isso, o que Macron teria a oferecer para a esquerda? O regime político francês está em franco desmoronamento e quem nele se apoiar corre o sério risco de acompanhá-lo na queda. Um primeiro-ministro do NUPES colocaria em risco o próprio sucesso alcançado por sua campanha nessas eleições parlamentares.

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