Política do PCB

“Lula não é de esquerda”?

Posição do youtuber Jones Manoel sobre a candidatura Lula é a prova da profunda desorientação da esquerda pequeno burguesa
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Em sabatina ocorrida no dia 9 de junho por jornalistas do portal UOL e do jornal Folha S. Paulo, o pré-candidato do Partido Comunista Brasileiro (PCB) ao governo de Pernambuco, Jones Manoel, historiador e youtuber, foi porta-voz do que defende boa parte da esquerda pequeno-burguesa no Brasil.

No fundamental, Manoel, entre outras respostas que não caberiam no repertório de um militante de esquerda que se reivindica “revolucionário marxista”, afirmou: “o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não é de esquerda, mas o centro democrático do País”.

Esquerda e direita 

De um ponto de vista do método marxista, Jones Manoel não passa de um antimarxista, em uma rasa tentativa de atacar Lula. Inicialmente, faz-se necessário esclarecer que o “centro”, do ponto de vista marxista,  não existe. O que se pode ter é um governo de esquerda ou de direita, que cumpra mais ou menos abertamente o papel de defender os interesses da classe social que controla o Estado, a burguesia. Por exemplo, o “esquerdista” presidente chileno Gabriel Boric, apoiado entusiasticamente pelo PCB, está se mostrando o que há de melhor em política pró-imperialista; já o “direitista” russo Vladimir Putin, abominado pelo mesmo PCB, o maior, entre os antiimperialistas.   

Então, o que deveria ser sublinhado – para um verdadeiro marxista, é claro – é se a candidatura Lula cumpre ou não o papel de defesa dos interesses do imperialismo, que é a força econômico-militar que se impõe e controla as relações internacionais. 

Para isso é preciso entrar no mérito do que foi, por exemplo, o processo do “Mensalão” e, principalmente, a Lava-Jato, do testa-de-ferro Sérgio Moro e, obviamente, seus desdobramentos, do ponto de vista dos interesses das amplas massas populares e isso, em última instância, para os marxistas, é o que importa.  Lula representa a continuidade dessa política ou o seu oposto? Uma candidatura de esquerda – portanto progressista (revolucionária) – nunca pode ser definida pela sua expressão superficial, por exemplo, um “aliado” como Alckmin, mas pelo papel que ela cumpre diante da luta de classes, em particular diante do maior inimigo da classe operária em todo o mundo, que é o imperialismo, ou seja, a expressão maior de como a luta de classes se expressa nos dias de hoje.

Essa discussão sequer faz parte do vocabulário do youtuber. Para ele é “preto no branco” e essa constatação seria sustentada pela política de Lula e do PT, em outras palavras, no seu arco de alianças. 

O PCB, assim como o seu “garoto propaganda”, não compreendem  nada de nada. Nacionalismo, burguesia nacional, o significado de Lula e o PT diante da ofensiva imperialista, nada disso importa.

Independentemente dos equívocos, erros e dos compromissos que Lula e o PT procuram estabelecer com aqueles que foram os seus algozes, o ex-presidente continua rejeitado pelo grande capital, não por conta de um problema ideológico, mas porque vai de encontro aos interesses centrais do grande capital, como foi o caso do problema essencial do golpe, o controle do petróleo brasileiro e a total destruição do pouco que existia do estado de bem estar social, como a aposentadoria, direitos trabalhistas, PEC do teto de gastos e por aí vai.

Lula é de esquerda

Para o PCO, muito diferente do que supõe Jones Manoel, Lula é, sim, o único candidato representante da esquerda nas eleições (não por um problema ideológico), mas por ser o único capaz de colocar em xeque o golpe de 2016. Lula é uma história pelo seu passado, mas é, acima de tudo, a expressão concreta da luta dos explorados brasileiros contra a política de destruição e fome do golpe de Estado. 

Jones Manoel procura apresentar a candidatura da professora  Sofia Manzano, do PCB, como  esquerdista, portanto progressista, em oposição à Lula. Nada mais falso. Por mais que seja um direito legítimo do seu partido lançar uma candidatura, isso não significa que seja um movimento à esquerda. Não é um problema ideológico, mas porque não é  expressão da luta de classes, não é uma evolução de um ponto de vista de uma luta contra o golpe de Estado no País, e isso nesse momento se coloca como  fundamental. 

Luta de classes e polarização

Finalmente, e o propósito dessa crítica é considerar o aspecto  central da sabatina, que no  entender do PCO não seria  outra, senão a candidatura de Lula, Jones Manoel afirma que não há polarização política no País, sublinhando, no entanto, que “Lula não é fascista”. Primeiro, trata-se de uma falsificação do que aconteceu no Brasil a partir do momento em que o golpe de 2016 colocou em movimento as suas engrenagens. Segundo, é uma questão elementar. Se não existe polarização – Lula (à esquerda) e Bolsonaro (o resultado do golpe, à direita) – tem muita gente “boa” no mesmo campo, enfim no centro, que fatalmente é onde o PCB quer chegar em um “possível” segundo turno. Nesse momento, tudo vale, desde que seja o movimento dos  “antibolsonaristas”. Rumo ao centro, do PT ao PSDB, passando por muita gente no MDB e do União Brasil, e por aí vai. Esta é a política do PCB.

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