Investigação farsa

Imperialismo lança sua nova campanha contra Trump

Miram não apenas no ex-presidente, mas também na polarização que transformou-o num fenômeno político
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No último dia 9 tiveram início as audiências a respeito da mobilização trumpista ocorrida no dia 6 de janeiro de 2021, que terminou por invadir o Congresso norte-americano. Os manifestantes contestavam a vitória eleitoral de Joe Biden que consideravam, assim como o ex-presidente Donald Trump, ser o resultado de uma fraude.

Apesar de iniciarem os inquéritos somente este mês, a comissão parlamentar que coordena as investigações foi estabelecida em junho do ano passado pela maioria democrata no Congresso. Apenas dois republicanos, Liz Cheney e Adam Kinzinger, votaram a favor do processo e integram a comissão de nove deputados com mais sete democratas. 

A composição da comissão revela em parte seus objetivos políticos. Cheney, uma dos dois representantes republicanos, é esposa do antigo vice-presidente Dick Cheney, que com George Bush avançou sobre o Oriente Médio com as guerras do Iraque e do Afeganistão.

Objetivos

Para o setor mais poderoso da burguesia imperialista – democrata ou republicana – Trump é um elemento externo e indesejado pelo regime político principalmente porque sua atividade aprofunda a polarização da sociedade norte-americana, o que desfavorece a dominação burguesa.

Como órgão do Congresso, a comissão pode intimar pessoas a depor, mas não pode prosseguir com ações judiciais contra ninguém, tarefa relegada ao Departamento de Justiça que conduz sua própria investigação sobre o 6 de janeiro – que já acusou mais de 860 pessoas e condenou 306).

As audiências televisionadas servirão para, no curto prazo, reverter a situação eleitoral dos democratas e republicanos que não apoiam Trump. Com alta inflação e a eventual derrota da OTAN na guerra contra a Rússia – que se soma à derrota no Afeganistão – a popularidade dos políticos tradicionais do regime estão em queda e esse cenário precisa ser alterado até o final deste ano para as eleições parlamentares.

Espetáculo televisionado

O caráter propagandístico da comissão parlamentar é tão evidente que contrataram James Goldston, antigo presidente da rede de televisão ABC News, para “produzir as audiências como se fossem um documentário dramatizado ou uma mini-série dramatizada”, segundo o The New York Times.

Cada “episódio” é transmitido no horário nobre da televisão norte-americana (em quase todas as emissoras com a exceção da Fox News que, naturalmente, favoreceu sua própria programação) e dura entre 90 e 150 minutos. Cada parte do “seriado” será focada em um aspecto diferente do evento para manter os telespectadores engajados:

Cada episódio terá um foco: a alegação mentirosa do ex-presidente Donald Trump sobre eleições roubadas; suas tentativas de abusar do Departamento de Justiça para se manter no poder; a campanha de pressão contra o vice-presidente Mike Pence para persuadi-lo a descartar os votos em Joseph Biden Jr.; como uma multidão se reuniu e veio à Washington no dia 6 de janeiro; e como Trump não fez nada para parar a violência pelas mais de três horas de duração da invasão.” (“The committee hired a TV executive to produce the hearings for maximum impact”, The New York Times, 09/06/2022).

Investigação farsesca

Por mais que tentem retratar a ação da multidão de apoiadores trumpistas como “uma tentativa de golpe de Estado” ou “terrorismo doméstico”, o fato é que a invasão do Congresso não passou de uma mobilização relativamente expontânea organizada pela extrema direita. Ela ainda agregou muitas pessoas que simplesmente repudiam a política desses setores que agora buscam crucificar Trump.

O único crime que talvez possa ser atribuído a um indivíduo durante o dia 6 foi o assassinato de Ashli Babbitt, que foi vítima de um tiro disparado por um dos membros da polícia do Capitólio. Houve outras quatro vítimas que faleceram por complicações de saúde, talvez oriundas de sua participação na confusão.

O fato mais suspeito, levantado tanto pela direita como pela esquerda norte-americana – jornalistas como Glenn Greenwald e Max Blumenthal escreveram sobre o tema -, é a falta de preparo do aparato repressivo norte-americano diante de uma mobilização que já era antecipada. 

Se comparada com a proteção típica empregada em manifestações de esquerda nos EUA, como as que repudiaram o assassinato de George Floyd em 2020, fica evidente que há algo estranho nos acontecimentos de 6 de janeiro. Levanta-se inclusive a possibilidade de que informantes do próprio FBI, infiltrados em organizações de extrema direita, tenham impulsionado as mobilizações.

A campanha dará certo?

A primeira sessão da comissão foi acompanhada por mais de 20 milhões de norte-americanos, somando-se as doze emissoras em que foi transmitida. A segunda, realizada no último dia 13, não alcançou nem metade disso, ficando atrás de seriados policiais populares nos EUA.

Até o fechamento desta edição de Causa Operária não sabemos se a tendência de desinteresse dessa “superprodução” continuou. Ainda há sessões marcadas para os dias 15, 16, 21 e 23 deste mês. A queda na audiência, porém, é provável porque não atende nem trumpistas, nem aqueles que querem vê-lo preso por seu suposto golpe. 

Em meio a uma inflação de quase dois dígitos e ao recém-anunciado aumento de 0,75% na taxa básica de juros pelo Sistema de Reserva Federal dos EUA, a população norte-americana tem coisas mais urgentes com as quais se preocupar. A popularidade do governo Biden, no agregado de pesquisas de opinião realizado pelo sítio Fivethirtyeight, está pela primeira vez abaixo de 40%.

Com a piora significativa nas condições de vida, a polarização só deve aumentar e isso é um alerta para setores da esquerda norte-americana que apoiam a campanha imperialista contra Trump. Se agora eles rejeitam o ex-presidente, não pensarão duas vezes em colocá-lo no poder se essa for sua única saída, o que implicará uma grande derrota para o movimento operário. 

A polarização não irá a lugar algum e a esquerda deve organizar-se como o verdadeiro pólo oposto a Trump no combate ao atual regime político.

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