Esquerda colombiana da euforia ao medo

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Até o fechamento desta edição de Causa Operária, o povo colombiano ainda preparava-se para ir às urnas no dia 19, quando se dá o segundo turno das eleições que decidirão o próximo mandatário do país. Disputando o cargo mais importante da nação estão o candidato da federação partidária esquerdista Pacto Histórico, Gustavo Petro, e o candidato da extrema-direita pela aliança LIGA, Rodolfo Hernández Suárez.

Tido como azarão, o candidato da LIGA experimentou um rápido crescimento nas pesquisas de intenção de voto, saindo da terceira para a segunda posição no último dia 29. Historicamente situado entre 10% a 14%, Hernández Suárez parecia destinado a terminar em terceiro lugar na disputa até a saída do também direitista Luis Pérez Gutiérrez, que anunciou a retirada de sua candidatura em 11 de maio, a 18 dias do primeiro turno.

Dois dias depois, Hernández já aparecia com 20,9% das intenções. Finalmente, o candidato apresentado como “anti-sistema” e “populista de direita” (eufemismos tradicionais para a extrema-direita) obteve os 28,17% dos votos com os quais consagrou-se para disputar o segundo turno.

Sua ascensão meteórica levou à derrota de Federico Gutiérrez, candidato pela coalizão Equipo por Colombia, do ex-presidente Álvaro Uribe e do atual chefe de Estado colombiano, Iván Duque. Embora à frente nas pesquisas até o dia 17 do mês passado, Gutiérrez amargou a extrema impopularidade de seus apoiadores, sintoma da crise de um regime em franca decomposição. O próprio candidato procurou livrar-se da pecha de governista através de declarações como “não vou ficar pensando com retrovisor”(“Quero ‘Estado forte’ contra ‘criminosos’, diz candidato à presidência da Colômbia”, Estado de Minas, 18/5/2022).

Após firmar-se como o candidato da direita, Hernández Suárez manteve seu impressionante crescimento, a ponto de superar o candidato da esquerda em termos numéricos, mantendo contudo um empate técnico. Os 12,17 pontos percentuais que separavam o direitista de Gustavo Petro no primeiro turno deram lugar a uma diferença de 1,7, conforme pesquisa realizada pela empresa Guarumo, que apontou Hernández com 48,2% dos votos e Petro com 46,5%. A pesquisa ocorreu entre os dias 6 e 9 de junho, tendo sido divulgada no último dia 10, data limite para publicações do gênero.

O resultado demonstra o quão enganada estava a esquerda colombiana, que há um dia da votação de maio, acreditava numa vitória tranquila. “Nossa aposta é vencer no primeiro turno e estamos convencidos de que isso é possível”, disse María José Pizarro, senadora pelo Pacto Histórico, em entrevista à Carta Capital (“Segurança física de Petro está em risco, afirma senadora colombiana”, Maurício Thuswohl, 28/5/2022).

À mesma entrevista, Pizarro declarou ainda que riscos “à segurança física e pessoal, consequência das ameaças de atentado, obrigaram a suspensão das visitas de Petro”, o que levou a campanha de ruas a uma efetiva paralisia. Sem surpresa, o período coincide com o crescimento ainda mais expressivo de Suárez, que aproveitou para também ausentar-se e fugir dos debates, sob protestos inócuos de Petro.

Às vésperas do segundo turno das eleições, a Colômbia vê-se diante da perspectiva de um deslocamento à direita capaz de capturar a insatisfação com a ditadura no país, contestada por grandes mobilizações desde 2018 e repetidas todos os anos desde então. O imperialismo demonstra também uma grande capacidade para criar candidatos surpresa e rapidamente, transformar o que parecia uma vitória certa em derrota. 

A experiência colombiana, ainda que tenha suas particularidades, serve de lição para a esquerda brasileira, principalmente para aqueles que acreditam numa vitória fácil de Lula no primeiro turno. Nem Bolsonaro, nem a terceira via podem ser completamente descartados.

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