Formação do Brasil

Vanguarda portuguesa na fase heroica da burguesia

Sair da Europa era quase uma viagem espacial no final da Idade Média e Portugal teria um papel fundamental para superar esse atraso

Analisando as conquistas das explorações marítimas, destaca-se o fato de que no imaginário popular geral, o papel vanguardista desempenhado pelos portugueses para a expansão da civilização europeia encontra-se completamente apagado. O Infante Dom Henrique, chefe da Ordem de Cristo, utiliza os recursos e o dinheiro da Ordem para organizar um projeto de exploração marítima. Sob a coroa portuguesa, se agruparam as melhores cabeças na arte de navegação, a tecnologia de ponta da época, que transportada aos tempos atuais, equivaleria à exploração espacial.

Mal comparando, porque temos ainda que entender a conjuntura histórica: a Europa está saindo da Idade Média, período em que uma característica importante era a incompreensão do ser humano sobre o planeta. Em todo o mundo, ninguém sabia exatamente o que seria a “humanidade”.

Onde é que estão os homens no planeta, em quais lugares? Os mares que as pessoas viam, levam a quais outros lugares? Quando se fala em “Idade das Trevas”, estamos nos referindo a uma completa ausência de consciência. 

Para o ser humano da época, o espaço geográfico que conhecemos hoje simplesmente não existia, ninguém sabia de nada. Os europeus conheciam a Europa, alguma coisa muito pouca do norte da África e menos ainda do Oriente, um mundo tido como exótico, maravilhoso e desconhecido.

Ida à Marte

Quando Marco Polo foi à China e escreveu sua obra “As viagens de Marco Polo”, contando as peripécias da jornada, isso causou na Europa um deslumbramento extraordinário. Todo um outro mundo, uma outra civilização, com outras pessoas e reinos… Logicamente a imaginação amplificou essa realidade, mas vejam, é como se alguém tivesse escrito um livro sobre Marte.

Muito do assombro se deve ao fato de o livro narra um lugar sobre o qual ninguém sabe nada, ninguém nunca esteve e tampouco sabe como chegar. Há da parte dos europeus, principalmente depois das Cruzadas, um interesse pela riqueza do Oriente Médio, as coisas que ali são produzidas isso começa a penetrar na Europa devagarinho algumas coisas suscita aí uma curiosidade e um desejo de aumentar as condições de vida com esses recursos principalmente das classes dominantes. 

Nesse mesmo momento, o capitalismo começa a se expandir. A descoberta desses novos lugares vai significar uma revolução em todos os sentidos na vida dos europeus em primeiro lugar.

Como expliquei na semana passada constituiu centro, o motor, o movimento de todo o desenvolvimento capitalista portanto do desenvolvimento econômico social e intelectual da humanidade que vai se afirmar no século seguinte então tudo isso nós estamos aí à beira  de uma grande revolução e essa revolução Depende fundamentalmente de que os europeus por que só eles tem condição de fazer isso também … voltando sempre a luzinha amarela do eurocentrismo …… É mas os europeus que só os europeus tinham condição de chegar na Índia da Índia na Europa ninguém nem pensava nem imaginava que fosse possível nem sei se o pessoal tinha ideia que existia essa Europa … ? o problema … da descoberta do mundo que se coloca para os europeus especificamente é um problema chave do desenvolvimento da humanidade em todos os sentidos a beira de uma grande revolução na civilização mundial e quem está na dianteira desse processo quem possui o conhecimento o melhor conhecimento não o conhecimento total logicamente e como seria o mundo… quem tá na ponta dessa discussão são os portugueses.

A escola de Sagres

Inegavelmente os portugueses são nesse sentido o povo mais desenvolvido da Europa. Eles têm o conhecimento náutico, da construção, de todos os mapas conhecidos, além de instrumentos de navegação como a bússola, uma novidade naquela época que não foi inventada na Europa mas foram eles que transformaram isso num instrumento fundamental das navegações… o sextante  que serve para medir de uma maneira mais abstrata determinadas distâncias, tudo isso daí os portugueses vão dominar. 

Existe uma discussão na história de Portugal que é sobre a famosa escola de Sagres. O Infante Dom Henrique tinha uma vila no extremo sul de Portugal, próxima ao promontório de Sagres. Diz a lenda (jamais comprovada por ninguém) que haveria uma escola secreta de navegação, da qual o Infante seria o principal organizador.

Algumas pessoas consideram a Escola de Sagres (como ficou conhecida) um mito. Outras acreditam que há um fundo de verdade para a suposta existência da escola, mas o fato é que ninguém sabe nada de nada.

Vamos observar durante toda a história de Portugal nesse período, a habilidade dos portugueses em lidar com segredos, diversos eventos sob os quais ninguém sabe nada, não há documentos, muitas coisas as pessoas ouviram falar apenas. Até a descoberta do Brasil é um fato envolto por mistérios.

Seja como for, se a escola de Sagres existiu ou não, indubitavelmente o Infante Dom Henrique organizou um complexo e muito avançado programa de navegação, que em algum momento transformou-se no projeto em alcançar as Índias pelo mar. No primeiro momento essas navegações elas vão ser dirigidas à costa Africana.

Colonização sem povoamento?

Precisamos fazer uma consideração nessa história que é muito importante: além de serem a vanguarda na arte de navegação, os portugueses também serão pioneiros no comércio, graças ao sucesso das navegações e a consequente ampliação do comércio internacional, e também eles serão pioneiros na colonização de territórios fora da Europa. Em termos modernos, a ideia de colonização começa com Portugal. 

Os portugueses vão colonizar os Açores e a Ilha da Madeira, que são descobertos no Oceano Atlântico na época do Infante Dom Henrique. Um fato que ninguém menciona, mas a experiência-piloto do que veremos na América e o deslocamento da população europeia.

Já nesta ocasião, os portugueses começarão a levar escravos africanos também para esses lugares, mas vão levar também para Europa, fazendo a primeira experiência de realocamento de populações, como parte do que a gente chamaria de colonização. Muitos devem ter ouvido na escola a ideia de que os portugueses não tinham um verdadeiro projeto de colonização, no sentido de povoar os territórios e o Brasil seria um exemplo disso. Este é um dos piores tipos de bobagem que alguém poderia falar, usado comumente para simplesmente denegrir o Brasil e os portugueses.

Os portugueses foram os verdadeiros criadores das colônias de povoamento. Eles deslocaram não só a população de Portugal, mas de outros lugares para essas ilhas e lá estabeleceram a colonização deles.

Expansão capitalista

Terras até então desertas, essas ilhas deram lugar a empreendimentos de natureza agrária, logicamente que já nesse momento (final do século 14 e começo do século 15), os portugueses organizaram essa exploração já orientados pelo capitalismo. Este é um ponto muito importante, porque mesmo o empreendimento agrícola já tinha características capitalistas.

Por exemplo, na Ilha da Madeira e nos Açores, eles implantaram a indústria do vinho. Ainda hoje, é muito famoso o vinho da Madeira, responsável pelo prato conhecido internacionalmente que é o filé ao molho madeira, feito com vinho da Ilha da Madeira. Nas ilhas, os portugueses implantaram também um empreendimento capitalista extremamente avançado à época: a indústria do açúcar.

Não foi outro motivo, mas o próprio desenvolvimento do comércio português que impulsionou tais avanços. As redes comerciais portuguesas, neste primeiro momento, desenvolveram-se pelo Atlântico Norte e no mar do Norte em uma certa medida.

É constante a preocupação agrária dos portugueses com artigos de exportação. Destaca-se que esta já não é propriamente uma atividade agrícola comum aos padrões feudais, dedicada à subsistência, mas uma atividade industrial.

Pioneirismo

Pioneiros no desenvolvimento de colônias de povoamento em terras distantes, fora da Europa, é muito comum nos deparamos hoje com a tese de que os portugueses não vieram povoar o país, mas saquear a colônia na América. Enquanto os ingleses, povo superior aos portugueses e aos brasileiros, cristãos como disse o nosso glorioso ex-procurador Deltan Dallagnol (PODE), gente honesta incorruptível. Esses, dirigiram-se à América do Norte para povoá-la, conforme argumento proferido por Dallagnol e defendido por muitos setores da intelectualidade nacional, tese que pode ser jogada na lata de lixo por se tratar de uma mentira grotesca. 

Muito antes dos ingleses arrancarem as pessoas das prisões de Londres e atirá-las no que hoje são os Estados Unidos, os portugueses tinham povoado todas essas ilhas. Os britânicos só farão no século 17, os portugueses começaram a fazer no século 15, 200 anos antes, apenas para dar uma ilustração do quão avançada era a sociedade portuguesa.

Outros avanços desmascaram tais teorias sem pé nem cabeça e mostram a realidade do pioneirismo dos portugueses, os povos mais evoluídos da época. As navegações, logicamente evoluirão de uma maneira lenta, algo natural dado as características da época.

No primeiro momento, a preocupação dos portugueses é com a costa africana. As navegações concentraram-se principalmente no mar Mediterrâneo, um mar pequeno em comparação com os oceanos que a gente conhece tanto que os navegadores da época eles faziam distinção entre a navegação em mar aberto (em vastas extensões marítimas) e a navegação em mar fechado (próximo da costa).

Uma das primeiras conquistas dos portugueses serão as Ilhas Canárias, que ficam entre a Europa e o norte da África. Embora hoje pertençam à Espanha, os portugueses foram os primeiros a explorar essas ilhas, dando sequência à exploração do norte da África.

O rei Dom João I organizará uma expedição militar para a tomada de Ceuta, terras da moderna Marrocos. Não sabemos se a tomada de Ceuta levou a um projeto geral de exploração da África ou se foi o projeto de exploração da África que levou a tomada de Ceuta, mas de qualquer maneira, a tomada de Ceuta, uma região importante do do norte africano, levará os portugueses à conquista de toda costa marroquina. Isto dará início à primeira grande exploração dos portugueses, após uma luta feroz com os árabes, que por sua vez, haviam ocupado o norte da África muito tempo atrás.

Também a ocupação da cidade de Ceuta é uma operação militar de vasta escala, os portugueses acabam derrotando os árabes e ocupam a cidade, tornando-a base para outras ocupações que logo permitirão a tomada do norte da África. No box, uma cronologia dos feitos portugueses, desde o começo das grandes navegações, no começo do século 14, até a travessia do cabo da Boa Esperança, nos anos finais do século 15.

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