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Sinn Féin vence eleições e aprofunda crise na Irlanda e Reino Unido

Maioria nacionalista abre crise na Irlanda e no Reino Unido em meio a derrota dos Conservadores
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No último dia 5 de maio, o Sinn Féin conquistou maioria parlamentar na Irlanda do Norte e tornou-se o primeiro partido nacionalista irlandês a vencer as eleições desde o estabelecimento do país em 1921. O partido tem sua história intimamente ligada ao antigo Exército Republicano Irlandês – mais conhecido por seu acrônimo em inglês, IRA – e sua vitória é um passo importante em direção à reunificação da Irlanda num duro golpe contra o imperialismo britânico.

É um momento decisivo para nossa política e para nosso povo. Hoje inaugura-se uma nova era que, acredito, nos apresenta a todos a oportunidade de reimaginar as relações nesta sociedade com base na imparcialidade, com base na igualdade e com base na justiça social, independentemente de origens religiosas ou sociais“, declarou em discurso de vitória Michelle O’Neil, líder do Sinn Féin e recém-eleita primeira-ministra. “Vamos realizar um debate saudável sobre como o nosso futuro se parece“, completou O’Neil, implicando que colocará em discussão a reunificação de seu país.

Impasse

Apesar da vitória da oposição, o Partido Democrático Unionista (DUP), que comanda o Congresso norte-irlandês desde 2003, parece querer impedir o governo do Sinn Féin através de um impasse. Os Acordos de Belfast, que promoveram em 1999 um cessar-fogo no conflito armado na Irlanda do Norte, estabelecem que nacionalistas e unionistas devem dividir o Poder Executivo: o vencedor das eleições deve indicar o primeiro-ministro enquanto o derrotado fica com o vice. Caso um governo não seja formado em 24 semanas, novas eleições devem ser convocadas.

No último dia 9, Jeffrey Donaldson veio a público dizer que não nomearia ministros para o governo liderado pelo Sinn Féin se a administração britânica não cumprisse o que prometeu sobre as tarifas aduaneiras entre a Irlanda do Norte e a Grã-Bretanha. Elas foram impostas como uma medida para controlar o tráfego de mercadorias entre as duas ilhas dado que a Irlanda ainda faz parte da União Europeia. Após o Brexit, os ingleses procuraram evitar a reconstrução de uma fronteira física separando Sul e Norte da Irlanda, o que daria mais motivos para o crescente florescimento do separatismo irlandês.

Reino desunido?

O oportunismo do DUP pode até bloquear o início do governo do Sinn Féin, mas apenas adia a crise. Além disso, expõe uma contradição entre os Conservadores britânicos, que hoje comandam o Congresso do Reino Unido, e os próprios unionistas que se viram tendo que pagar impostos dentro do próprio país do qual desejam manter-se parte após o Brexit.

O Sinn Féin teve uma vitória contundente sobre o DUP por 29% a 21,3% dos votos totais. Se prolongar esse impasse por 6 meses, o DUP pode ser ultrapassado pelo terceiro partido mais votado nas eleições, a Aliança, que conquistou 13,5% dos votos.

Não há dúvidas de que há questões fundamentais sendo levantadas sobre o Reino Unido como entidade política no momento“, disse a primeira-ministra escocesa Nicola Sturgeon, que viu com bons olhos a vitória do nacionalismo na Irlanda do Norte. Seu partido teve um aumento no número de assentos nos conselhos escoceses apesar de estar há 15 anos no poder, em eleições locais britânicas que coincidiram com o pleito na Irlanda do Norte.

Crise política

Com um referendo separatista no horizonte na Irlanda e outro na Escócia, que só foi adiado devido à pandemia do coronavírus, o regime político britânico mostra graves rachaduras, apenas um pouco menores do que a do país vizinho, a França. 

No acumulado das eleições locais, que também ocorreram no último dia 5, a reprovação do governo Conservador liderado por Boris Johnson apareceu de forma cristalina. O principal partido da burguesia britânica conquistou apenas 30% dos votos, 4 pontos percentuais a menos que em 2018, quando esses assentos foram disputados pela última vez.

O Partido Trabalhista cresceu, mas não conseguiu um resultado melhor que o de quando estava sob a liderança de Jeremy Corbyn em 2018. Cooptado por sua ala blairista, liderada por Keir Starmer, os trabalhistas tornaram-se quase indiferenciáveis dos Liberais Democratas, tanto que o segundo foi o partido que mais cresceu nessas eleições.

Em meio a uma fragmentação do próprio Estado britânico, o domínio do tradicional bipartidarismo está ameaçado.

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