Charlatanismo

PSTU e a esquerda em frente única com o imperialismo

O desconhecimento elementar do marxismo e mesmo da política transforma a esquerda pequeno-burguesa em uma dócil presa nas mãos dos EUA
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A decisão dos EUA de enviar US$33 bilhões em ajuda militar para a Ucrânia é uma demonstração de que não apenas o imperialismo apoia a Ucrânia, como deu um passo decisivo no sentido de se envolver diretamente no conflito. Trata-se de um acontecimento chave porque esclarece de vez a posição de boa parte da esquerda internacional e nacional diante do conflito em defesa de uma suposta posição contra a Rússia e contra o imperialismo.

No Brasil, boa parte da esquerda pudicamente não fala que está do outro lado, porque vai encontrar do outro lado o Joe Biden, o imperialismo norte americano. Agora não há como ocultar. É uma coisa curiosa, a política permite, de um ponto de vista inclusive formal, constatar a frente única entre parte da esquerda e o governo Biden na Ucrânia.

Segundo essa esquerda, a guerra que é levada adiante pelo governo Biden, teria objetivos “democráticos”, “libertadores”. É a frente única entre os  “libertadores” e organizações como o PSTU, mas vários grupos dentro do PSOL que têm a mesma posição.

Aqui temos que definir o seguinte: o imperialismo norte-americano depois de 100 anos de atrocidades, de dominação do mundo, esmagamento de todo tipo de liberdade, de toda revolução, se transformou num fator progressista na situação mundial ou os “revolucionários”  brasileiros estão totalmente iludidos e se transformam em apêndices dessa monstruosidade que é a ditadura mundial centenária do imperialismo. Não tem muito para onde correr.

Em debate realizado no sábado, dia 30, durante a realização do Conselho de Representantes da APEOESP (Sindicato dos Professores de SP), o representante da Corrente Resistência do PSOL e, não por coincidência ex-militante do PSTU, Mauro Puerro, explicou – com ares de  “lição política” – ao representante do PCO, que a posição do Partido sobre o conflito na Ucrânia está errada porque não se trata de uma luta contra o imperialismo, mas a luta pela autodeterminação dos povos. Lênin defendia isso e devemos buscar em seus escritos a fórmula, o padrão, o modelo para a aplicação política do marxismo.

Charlatanismo na política

Isso mostra que muita gente, é muito comum, vive de uma espécie de charlatanismo político. É aquele cidadão que diz que vai curar tudo (os males do mundo), mas não cura nada. Uma boa parte da esquerda é assim, porque na verdade não é que não tenha uma posição revolucionária, a pessoa não conhece nem o básico, o bê-a-bá da política em geral, não só revolucionária.

Se o cidadão quer ser médico deveria cursar a faculdade de medicina ou pelo menos fazer um longo estudo como autodidata. Agora querer ser médico sem saber onde fica o fígado e o rim é charlatanismo.

A questão da autodeterminação

Em um texto de 28 de fevereiro, chamado “Lênin contra Putin”, Valério Arcary, parceiro de Puerro na corrente Resistência, afirma que “A invasão da Ucrânia é uma injustificável aventura militar de Putin. Foi precedida por um discurso imperialista, em que denunciou Lênin pela defesa do direito da Ucrânia à autodeterminação como nação e, irresponsavelmente, negou a legitimidade de sua existência como Estado independente”. O que Putin teria ou não dito, e como Arcary interpretou suas palavras não muda o conteúdo do que seja a autodeterminação dos povos, até porque não há registros de que Putin queira dominar a Ucrânia ou como muito se apregoou, queira reconstruir o Estado soviético, salvo nas campanhas de propagandas da imprensa imperialista.

Reivindicar a autodeterminação é quando uma parcela da população de um país, que vive em uma determinada região chegou a conclusão por motivo A, B ou C, que deve ter o seu próprio Estado. É o caso da Catalunha, que quer se separar da Espanha.  É uma região com tradições culturais, até uma língua – embora não seja muito falada nos centros urbanos -, mas tem literatura muito diferente do restante da Espanha.

Isso é autodeterminação. Onde entra a questão com a Ucrânia,  exatamente? Quem quer se separar de quem? A Ucrânia? Mas a Ucrânia já é separada. A Rússia quer acabar com a Ucrânia e incorporar ao estado russo? Ninguém declarou isso como objetivo. De onde saiu essa conclusão de luta contra a autodeterminação da Ucrânia?

A autodeterminação, em geral, é uma reivindicação que os marxistas apoiam como um problema democrático, mas não necessariamente, a utilização desse direito é uma coisa positiva. Quer dizer que você defende esse direito. A pessoa tem o direito de se jogar da ponte. Não quer dizer que você  vai estimular a pessoa a se jogar da ponte. É um direito que tem de ser visto de uma maneira muito especial, muito concreta.

No início do século XX existiu um debate entre Lênin e Rosa Luxemburgo sobre o tema. Rosa defendeu que a autodeterminação havia caducado com o advento do imperialismo. Era um erro dela, um erro de avaliação, um erro teórico. Defendia que o que importava era a luta de classes, que era uma perda de tempo defender a independência de uma determinada região, inclusive da Polônia, o seu País de origem, frente à Rússia.

Quer dizer, não é uma reivindicação que a qualquer momento é de vida ou morte. É  uma reivindicação importante na medida em que haja causa importante para essa reivindicação e só nessa medida,  logicamente. Se a população curda, que está dividida entre 4 e 5 diferentes países no Oriente Médio, quer ter o seu próprio país – a maior parte está na Turquia e foi diversas vezes vítima de agressão -, não é que necessariamente eles tenham que se separar.

Falar em Lênin para mentes esquemáticas pode parecer estranho, os marxistas defendem mas não necessariamente concordam com a separação. Temos que defender o direito, mas não necessariamente ser a favor da separação. Por exemplo, vamos supor que uma parte da população de um país seja a favor da separação e realize todos os trâmites necessários, um plebiscito, por exemplo. Os marxistas defendem o direito democrático desse setor da população em se emancipar, mas não significa que se posicionem a favor caso considerem que essa separação tem um conteúdo negativo.

No presente caso, a Ucrânia não está em questão. Curiosamente, na Ucrânia existe um problema de separação que é o das repúblicas separatistas do Donbass, onde a população é de etnia russa, fala russo, e foi terrivelmente agredida pelo regime ucraniano saído do golpe de 2014. Se é para defender autodeterminação é essa que tem de ser defendida. Aliás, esse é um dos motivos pelos quais o PCO defende a Rússia. Essa é a única questão de autodeterminação que está em jogo.

A Rússia não é imperialista

A luta na Ucrânia é entre o imperialismo e a Rússia, um país atrasado, sendo que a Ucrânia não passa de um cenário onde se desenrolam os acontecimentos.

No mesmo artigo citado acima, que é de fevereiro, o dirigente do PSOL/Resistência ainda se refere à Rússia como um País imperialista, portanto a guerra seria interimperialista.

“Mas a Rússia de Putin não é somente um país em que o capitalismo foi restaurado com aberrações selvagens e monstruosas e um regime bonapartista ultra-autoritário. Muito pior e mais importante, é uma potência imperialista, ainda que em lugar subalterno”.

De lá para cá a esquerda dita revolucionária recuou da sua posição de defesa da “Rússia imperialista”. Foi uma vitória teórica do PCO, que fez uma crítica muito sólida a essa posição que ficou ridícula depois que o PCO mostrou que a economia russa, um País que é exportador de gás, não pode ser imperialista. Fosse assim, a Bolívia seria um pequeno país imperialista. A diferença essencial é o tamanho da Rússia, não é a natureza da operação. É  uma diferença de grau e não de conteúdo.

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