Universidade Marxista

Portugal como motor do desenvolvimento capitalista

Damos sequência à série sobre história de Portugal até o descobrimento do Brasil, publicamos uma transcrição adaptada da aula 4 do curso “500 anos de História do Brasil, uma interpretação marxista”, ministrada pelo companheiro Rui Costa Pimenta
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A Revolução de Avis foi a revolução burguesa precoce em Portugal. Primeira coisa que é importante destacar são as características essenciais de Portugal. Devemos entender primeiro Portugal para podermos entender o Brasil. Portugal é um país precoce, muito antes que outros países se desenvolvessem   num determinado sentido,  Portugal já estava em meio a esse estágio de desenvolvimento.

Revolução burguesa

Portugal foi um dos primeiros estados centralizados da Europa, constituindo um verdadeiro estado nacional. Também em  Portugal acontece uma revolução burguesa em 1383 (Avis), é uma revolução precoce. Essa revolução burguesa pode ser interpretada como um desses fenômenos que precedem e participam da organização de eventos naturais ou sociais. Sempre que se tem um grande  acontecimento se percebe uma série de pequenas manifestações desses acontecimentos, como relâmpagos e trovões precedem uma tempestade. 

O desenvolvimento da Europa inclusive se deve principalmente à Portugal, pois esse país criou   as condições para que a Europa desenvolvesse o capitalismo. 

Num certo sentido, e de uma maneira um tanto quanto contraditória, pode ser visto  como um capitalismo antes do capitalismo constituído  completamente. Essa é uma característica que marca toda a história portuguesa e consequentemente irá marcar a história brasileira, também. Outro fator é o tamanho do país, logicamente. Os portugueses vão realizar uma das maiores façanhas que o mundo conheceu, que são os descobrimentos. 

O famoso economista britânico Adam Smith, uma pessoa bastante capacitada para falar sobre capitalismo, classificou as descobertas dos países ibéricos, mas mais precisamente dos portugueses, como o maior acontecimento da história humana depois de Jesus Cristo.

Um país de grandes homens 

É importante ressaltar que essa caracterização de Portugal vai além de condições políticas e econômicas  dadas. Uma revolução exige muito mais que condições objetivas. A Revolução Francesa e a Revolução Russa são exemplos de movimentos em que se tratou  muito mais das condições objetivas. É praticamente inimaginável a revolução russa sem a liderança do Partido Bolchevique nem o brilhantismo dos líderes desse partido, pessoas do calibre de Lenin. A primeira revolução da classe operária além das condições objetivas teve a participação determinante de figuras de grande estatura, com altíssima motivação, capacidade técnica e prática e, também, uma alta dose de idealismo. 

O que podemos atestar devido aos descobrimentos portugueses é que esse povo possuía excelentes qualidades humanas, profundamente motivadas, compenetradas de sua tarefa política e econômica e pessoas com espírito extremamente missionário e até mesmo cruzado. Devemos ter consciência de que se tratava do século XV, onde a humanidade desconhecia inúmeras leis naturais, ainda predominava  a teoria da terra plana e do terracentrismo. Já haviam mapas mas estes eram imprecisos, foram produzidos na época dos gregos, principalmente pelo famoso Ptolomeu. Comparando com os mapas atuais poderiam ser considerados não pertencentes ao planeta terra. O próprio oceano Atlântico era desconhecido dando lugar a especulações sobre a existência de um abismo depois da linha do horizonte e até mesmo a existência de monstros em suas águas. 

Então para empreender o caminho em direção às Índias, era necessário um motivo superior. Não se tratava de penetrar numa floresta, seria um terreno totalmente imprevisível. Portanto eram necessárias pessoas muito dispostas, de temperamento e personalidade extraordinários. Isso é interessante ressaltar já que é de costume não conferir essas virtudes a essas pessoas que fizeram parte da história do Brasil. Pelo contrário, o que se ouve normalmente são depreciações a respeito, como se tratassem de pessoas desprovidas de inteligência. Longe da verdade, tratavam-se de personalidades de grande envergadura. Para citar algumas delas: Pedro Álvares Cabral,   que não tem seu mérito reconhecido, passa despercebido pela história; Vasco da Gama, que embora não tenha vindo para o Brasil e sim para as Índias, também deve ser mencionado; Martin Afonso de Souza, primeiro enviado ao Brasil pela coroa portuguesa com a função de organizar a colônia, e que também esteve nas Índias. Podemos concluir que eram pessoas de uma geração especial, que foram forjadas pela Revolução de 1383 e pelo esforço contínuo do país para essas conquistas marítimas as quais eles se colocaram prontamente. Um relato interessante que podemos acrescentar aqui e que contraria o senso comum sobre a história do Brasil, pois essa história que é contada de maneira burocrática, diminui e desvaloriza fatos e personagens. É o caso da Cruz dos Templários, presente nas caravelas que chegaram ao Brasil. 

A Ordem dos Templários

Os Templários foram uma ordem de cavalaria religiosa da época das Cruzadas. A Ordem surgiu para proteger os peregrinos e depois foi se transformando numa das organizações mais poderosas da Europa. Os integrantes dessa ordem eram religiosos militares, característica excepcional para o período, pois os religiosos consideravam incompatível a atividade religiosa e a guerra ou causar dano à vida. A Ordem  dos Templários de Salomão participou em vários acontecimentos das Cruzadas e da reconquista da Península Ibérica. Era uma ordem secreta e ainda hoje é cercada de teorias conspiratórias. Seus integrantes acumularam grande quantidade de conhecimento sobre o Oriente Médio, porque eles tinham estado vários anos nas cruzadas das quais participaram como os elementos mais ativos, além de terem acumulado muito dinheiro,  também. 

A cruz dos templários está presente nas embarcações que chegaram ao Brasil. Embora a cruz seja representada nas velas das caravelas nas ilustrações históricas, é possível que elas estivessem representadas em bandeiras presentes em todos os navios da frota de Cabral. O próprio Rei Manuel entrega a bandeira dos Templários à Cabral. Ao chegar ao Brasil a comitiva desembarca trazendo a bandeira dos templários consigo, e não a bandeira de Portugal. 

A Ordem dos Templários fortalece  sua relação com Portugal depois da dissolução da Ordem pelo Rei francês Felipe o Belo, um dos precursores do absolutismo francês. O monarca francês ao perceber que a Ordem dos Templários ameaçava seu poder, pois já havia se constituído  como um poderoso exército que competia com o poder real, planeja o seu fim por meio de um processo calunioso contra seus líderes. Os crimes inventados incluíam, entre outros, rituais secretos de práticas contra a cruz de Jesus Cristo e  homossexualismo. Esse último sendo penalizado com a própria vida. Tratavam-se de acusações falaciosas, mas que foram confessadas pelos líderes sob  sessões de tortura. O processo cria uma enorme crise política na França, mas a situação ainda iria escalar quando ao final do julgamento, dois desses líderes, desmentem as acusações, e tentam desmascarar o processo. Ambos receberam a pena de serem queimados na fogueira. O papado que era dominado pelo Rei da França, e se encontrava naquele momento na cidade francesa de Avion, dissolve a Ordem dos Templários e o rei francês se apropria de suas riquezas. 

Porém em Portugal, onde também havia a Ordem dos Templários, o Rei Dinis se recusa a persegui-los. Dom Diniz rejeita a possibilidade de cometimento dos crimes pelos quais os Templários estavam sendo acusados, e declara que a Ordem estaria sob proteção real. Dom Diniz possuía uma relação estreita com os templários, inclusive os franceses. Ambos possuíam um interesse em comum pela poesia, além de serem pessoas muito cultas de um modo geral. Dom Dinis foi o primeiro rei poeta. Escrevia poesia dos trovadores e foi o mais importante poeta trovador português. Já os Templários além de monges guerreiros também eram poetas o que endossava a lenda de se tratarem de seres enigmáticos. 

O Rei de Portugal por possuir uma posição muito favorável junto ao Papa, propõe a este que todos os templários de Portugal se agrupassem numa nova ordem de cavalaria, a Ordem de Cristo, e com isso o Rei de Portugal toma conta dos templários e os põem sobre proteção Real. O Rei inclusive doa um castelo para que a nova ordem se organize e possa realizar seus negócios e administrar suas riquezas. A Ordem de Cristo ficou associada à Coroa Portuguesa. O Infante Dom Henrique assumiu a presidência da Ordem de Cristo e a maioria dos Reis antes dele foram membros dessa Ordem. Essa é a razão pela qual a Cruz dos Templários está presente em todos os momentos nas navegações Portuguesas e na história do Brasil. A bandeira sob a qual os portugueses vieram para o Brasil não foi a bandeira de Portugal e sim a bandeira da Ordem de Cristo. 

Sendo uma ordem de cavalaria, ou seja, militar, além de religiosa, é passível de reconhecimento que os membros dessa organização possuíam uma ideologia bastante fundamentada.

As motivações ideológicas dos templários eram bem definidas e consistentes. Tratava-se da expansão do cristianismo contra os Mouros, afinal eles eram cruzados. Os templários surgiram da luta contra os Árabes. Possuíam alto grau de conhecimento técnico e recursos financeiros e devido a isso se tornaram a base efetiva das navegações portuguesas.

Uma “missão

A organização irá encarar as navegações como uma cruzada do cristianismo contra os mouros,  porque eles eram efetivamente cavaleiros templários. Entre eles estavam não só o Infante Henrique, como o próprio Pedro Álvares Cabral, Martim Afonso de Souza e Vasco da Gama, embora esse último não tenha sua participação como membro da Ordem completamente elucidada. 

A história ensinada formalmente sobre o Brasil tende a uma interpretação desfavorável dos portugueses e de suas aspirações devido a esse caráter secreto da organização templária.

Atualmente é de conhecimento geral a carta escrita por Pero Vaz de Caminha ao Rei de Portugal, quando os navegadores desembarcaram no Brasil. Nos atendo um pouco à carta em si, existem fatos impressionantes  que devemos relatar. A Carta é considerada a certidão de nascimento do Brasil, é uma verdadeira obra prima, mostra também o desenvolvimento da literatura portuguesa em direção à literatura moderna , pois se trata de uma narrativa  descritiva, da observação dos fatos. Não se trata de uma carta formal embora seja endereçada ao Rei. Pero Vaz de Caminha escreve sua impressão, sua perspectiva sobre a paisagem, os índios e tudo  a sua vista, de forma detalhada, totalmente contrária a uma carta de um burocrata. 

É importante ressaltar que não era incumbência de Pero Vaz de Caminha escrever uma carta, de certo modo, com tão pessoal perspectiva. Como escrivão oficial da frota, cujo destino era realmente as Índias, sua obrigação era manter um relatório de mercadorias, um inventário. Porém também devemos destacar uma peculiaridade da personalidade desse extraordinário personagem que relacionamos diretamente com os brasileiros contemporâneos. Em  meio aos seus relatos idílicos sobre a paisagem do Brasil, insere um pedido pessoal, um pedido em favor de um parente seu que está degradado na África. Enfim, Pero Vaz de Caminha toma uma oportunidade para convencer o Rei a lhe  prestar um favor a partir do seu esmero na escrita da sua carta sobre o Brasil. A carta reflete o espírito brasileiro, o senso de oportunidade, a habilidade da manipulação, a sagácia de equilibrar artifícios para conseguir um resultado particular. Por conter essas características podemos afirmar que a carta  se trata efetivamente da certidão de nascimento do Brasil. 

A carta de Pero Vaz porém não chega às mãos do Rei de Portugal. Ela só é descoberta no século XVIII, entre os arquivos de um personagem desconhecido da história, inclusive fora de Portugal. Quando a carta é publicada é motivo de admiração geral, a sua crônica dos acontecimentos é considerada fascinante. Outra parte da história que gera especulação é de como se dá a comunicação de Cabral e o Rei de Portugal sobre o descobrimento de novas terras. Pois certamente se tratou de um comunicado oficial, porém como se tratava de uma organização secreta esse comunicado não se tornou público, gerando especulações sobre a competência dos portugueses em relação a suas expedições. 

Caso essa comunicação tivesse sido divulgada, o que se veria seriam confirmações sobre o avançado conhecimento técnico,  o empreendedorismo e a natureza desbravadora dos membros dos Templários, pois muito provavelmente, já vislumbravam essas terras.

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