Europeus

Por que defendemos o fim da ocupação israelense?

Não deve haver dúvidas: o Estado de Israel é uma criação do imperialismo

O sionismo é um movimento político que tem origem na Europa, no século XIX. Um de seus expoentes é o judeu-austríaco Theodore Herzl, que concebeu a ideia da criação de um Estado judaico em seu panfleto “O Estado judeu”, publicado em 1896.

Esse movimento político poderia ter passado despercebido pela história como tantos outros movimentos voluntaristas. O sionismo, porém, acabou por se transformar num ponto de apoio importante da política internacional daquela que era a principal potência imperialista até meados do século XX: o Reino Unido.

Controle do Oriente Médio

Até a Primeira Guerra Mundial, os países colonialistas e as grandes potências imperialistas procuravam influir no Oriente Médio através da unidade política oferecida pelo Império Otomano. Seu território cobria a maior parte dos países árabes da região e tinha como centro a Turquia, que viria a existir como nação independente apenas com o fim da guerra, sob a liderança de Mustafa Kemal Atatürk.

A dissolução do Império Otomano, porém, era visível antes mesmo desses acontecimentos. Antecipando esse colapso, as principais potências econômicas da época elaboraram uma política para esse grande espaço geográfico que passaria por um processo de reorganização. 

Ingleses e franceses já haviam estimulado rebeliões árabes contra o Império Otomano, principalmente em razão da aliança do país com a Alemanha, seu principal inimigo na Primeira Guerra. Após o fim do conflito, porém, abandonaram todas as promessas para a região e procuraram reparti-la sob seu comando. A Palestina foi uma dessas partes que, sob controle dos ingleses, era reivindicada pelos países árabes vizinhos, como a Síria.

Os ingleses então passaram a colocar em prática o plano de colonização da Palestina se apoiando nos judeus europeus. No dia 2 de novembro de 1917, na famosa Declaração de Balfour, o então ministro de relações exteriores britânico, o lorde Arthur James Balfour, enviou uma carta ao lorde Walter Rothschild, proeminente liderança judaica no Reino Unido, para que fosse comunicada à Federação Sionista da Grã-Bretanha e da Irlanda.

“O Governo de Sua Majestade vê favoravelmente o estabelecimento na Palestina de um lar nacional para o povo judeu, e envidará seus melhores esforços para facilitar a realização deste objetivo, ficando claramente entendido que nada será feito que possa prejudicar os direitos civis e religiosos das comunidades não judias existentes na Palestina, ou os direitos e status político desfrutados pelos judeus em qualquer outro país”, prometeu o diplomata britânico. Apenas parte dessa promessa, porém, seria cumprida.

Ocupação europeia

Não deve haver dúvidas sobre o fato de que o estabelecimento de um Estado judeu na Palestina foi obra do imperialismo. Antes de apoiar o sionismo explicitamente, a população judia na região representava cerca de 10% das pessoas que lá habitavam. A proporção eleva-se para um terço na década de 1930.

A cúpula do movimento sionista era profundamente integrada ao imperialismo. No Oriente Médio, foram os judeus da Palestina que integraram as tropas britânicas na Segunda Guerra Mundial. O acordo é, sob certo ponto de vista, natural uma vez que o nazismo era uma ideologia antissemita, mas essa não era a base da relação.

Os ingleses treinaram tropas judias não apenas com vistas para a guerra, mas já antecipando o que aconteceria após ela. Os militares do que viria a ser o Estado de Israel foram treinados pelos melhores técnicos militares da época. Foi constituído até mesmo um destacamento de operações especiais, um grupo de elite do exército sionista, conhecido como Palmach, que será decisivo na conquista da Palestina, que se dá pela força.

A população árabe até esboça uma resistência à dominação na Grande Revolta Palestina, que ocorreu entre 1936 e 1939. Os ingleses, preocupados com a guerra na Europa, restringem um pouco a imigração judaica.

Em resumo, sob o pretexto de que a terra pertenceria aos judeus, que teriam vivido lá dois mil anos atrás, uma população europeia ocupou a terra de uma população árabe. Deixado de lado o misticismo religioso e a bagagem de sofrimento histórico do povo judeu – aprofundada pelo Holocausto – essa foi a realidade dos fatos. Com recursos, treinamento militar, armamento e apoio da ala do imperialismo que havia acabado de ganhar a Segunda Guerra Mundial, criou-se um Estado judeu religioso que foi imposto sobre a população árabe local.

Limpeza étnica

Hoje em dia é muito corrente a expressão limpeza étnica. Ela foi colocada em circulação para caracterizar os acontecimentos da Iugoslávia, onde os sérvios bósnios procuraram operar na Bósnia uma liquidação física ou a expulsão dos muçulmanos para controlar a região. Isso foi exatamente o que aconteceu na Palestina, apesar de poucos valerem-se desse termo para descrever a situação.

O terrorismo das organizações sionistas fez com que mais de 1 milhão de palestinos deixassem seu país. A primeira grande leva de refugiados tem origem na Guerra árabe-israelense de 1948, durante a qual as Forças Armadas de Israel cometeram o massacre de Deir Yassin. Estima-se que 107 árabes palestinos, incluindo mulheres e crianças, tenham sido assassinados a sangue frio em um vilarejo de 600 habitantes nos arredores de Jerusalém.

Além da liquidação física e do terrorismo, que provocou grandes êxodos árabes, a camada mais rica de judeus que se mudou para a Palestina comprou largas extensões de terra, o que facilitou a ocupação.

A caracterização de limpeza étnica é apresentada até mesmo por historiadores israelense rebelados contra os horrores do sionismo. Um deles é Ilan Pappé, autor do livro A limpeza étnica da Palestina.

“A definição geral de que a limpeza étnica se aplica literalmente verbatim ao caso da Palestina. Como tal, a história do que aconteceu em 1948 surge como pouco complicada, mas não como uma simplificação ou capítulo secundário da história do confisco dos palestinos”, coloca Pappé em seu texto. O historiador defende o estabelecimento de um Estado único, laico e plurinacional como solução para o conflito na região.

Pelo fim de Israel

O Partido da Causa Operária defende o fim do Estado de Israel, mas não porque defendemos o fim de estados teocráticos ditatoriais. Isso justificaria o que dizem nossos críticos ao exigir que peçamos o fim do estado iraniano ou, numa colocação mais absurda, o fim do Vaticano.

Do ponto de vista de princípios somos contra qualquer estado religioso. Não defendemos que o Vaticano exista como país. É aceitável que aquele terreno seja de propriedade da Igreja Católica, mas não que haja um Estado religioso independente do italiano que o governe. Não há, porém, motivos para levantar essa reivindicação no momento atual.

Na Palestina há um problema concreto: uma guerra civil permanente entre árabes e judeus mantida sob controle por um regime de apartheid. É sobre isso que se sustenta a nossa posição. Defendemos o fim do Estado de Israel e o estabelecimento de um Estado laico no qual a população árabe tenha seus direitos políticos completamente restituídos.

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