O carnaval e a demagogia identitária

Valorização da cultura negra não basta, é preciso lutar por um programa de conquistas reais
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Após um interregno de dois anos, o Carnaval, a maior festa popular e negra do país, voltou a acontecer no Rio de Janeiro e em São Paulo, se não nas ruas, ao menos nos sambódromos. O carnaval 2022 ocorreu fora de sua época tradicional, os desfiles das escolas de samba do Grupo Especial do Rio de Janeiro e São Paulo aconteceram entre os dias 20,21,22,23 e 30 de abril. 

O carnaval brasileiro é uma festa popular umbilicalmente ligada à comunidade negra, sua música, dança e seu ethos, sobretudo em locais como Rio de Janeiro, São Paulo, Bahia. Também a festa popular sempre caracterizou-se como uma manifestação política, um protesto desta comunidade contra a opressão e o abandono a que estão submetidas pelas classes burguesas, representados seja nos desfiles das escolas de samba, seja no grito dos foliões nos blocos de rua. 

Em 1960, a Escola de Samba carioca Salgueiro levou pela primeira vez para as avenidas a história da luta dos escravos no Brasil colonial, contando a história de Zumbi dos Palmares. Mesmo nos períodos mais sombrios, como na ditadura militar, ainda o carnaval expressava o descontentamento do povo de maneira velada ou aberta. Em 1969, logo após a edição do famigerado AI-5, a Império Serrano saiu com o enredo icônico “Heróis da Liberdade”, abordando o tema da luta do negro pela libertação da escravatura, uma crítica velada à ditadura miliar daquela época, um regime de opressão insano e atroz contra o povo. A própria letra do samba foi censurada e a escola acompanhada pelo DOPS.

Em 2022, no entanto, o carnaval adquiriu um elemento distinto, já que como vimos, a crítica social é uma marca desta manifestação popular. O identitarismo, a ideologia imperialista que visa tornar a luta real dos oprimidos por direitos concretos, em luta por reconhecimento, por valorização cultural do oprimido, fez sua primeira aparição de destaque no carnaval. 

Toda a imprensa capitalista destaca o carnaval da valorização do negro, cujas temáticas levadas para os sambódromos foram em sua maioria ligadas à valorização cutural do negro. A esquerda pequeno-burguesa aplaude o “espetáculo”.

Na avenida vimos a derrubada de um obelisco escrito racismo, em reverência à revolta pequeno-burguesa contra estátuas; expressões como “vidas negras importam”, homenagem à filósofa e garota propaganda da Prada, Djamila Ribeiro, colocando-a ao lado de nomes como Lima Barreto, Cruz e Sousa, Milton Santos, Conceição Evaristo, Maria Carolina de Jesus, dentre outras temáticas de tipo identitário.

Aquilo que supostamente poderia parecer um avanço é, na realidade, um retrocesso. A valorização da cultura negra brasileira é uma parte já muito tradicional do carnaval, aliando-se isso à crítica social do tempo presente. 

O identitarismo introduz a ideia de que a valorização artificial da cultura negra, mesmo que da boca para fora, e a desvalorização daquele que não a valoriza (cancelamento) é o limite da luta dos negros, assim, ao gosto dos inimigos dos negros, é possivel enganá-los. Os capitalistas, que domimam o Estado, responsáveis pelo sistema de opressão contra o negro no país, apresentam-se agora, todos eles, como antiracistas, porque “valorizam” a cultura negra;a Rede Globo, inimiga do negro e do país, mostrou os desfiles com grande satisfação e em tom emocionado. 

A luta do negro não pode se resumir a simples valorização da cultura negra, embora seja isso um componete, ainda que secundario. É preciso lutar por direitos reais e concretos e nesse sentido, a crítica social e política, que o identitarismo elimina, é não só fundamental como determinante. 

O maravilhamento da esquerda-pequeno burguesa com a valorização da cultura negra mostrada pela imprensa capitalista fez com que essa sequer percebesse o que foi ocultado pelos abutres golpistas da comunicação, vale dizer, a voz vinda das arquibancadas onde se ouvia sonoramente as duas reivindicações reais do negro na atualidade: Fora Bolsonaro e Lula presidente.

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