Efervescência dissipada

O 13 de maio e a sabotagem da luta do povo negro

O fim da escravidão no Brasil foi o resultado de uma verdadeira revolução, que por pouco não colocou o regime imperial abaixo
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No dia 13 de maio de 1888, foi enfim decretada a Lei Áurea no Brasil, extinguindo, formalmente, a escravidão legal. Desde então, a data tem sido lembrada como um dos dias de celebração da luta do povo negro. Afinal, o fim da escravidão no Brasil foi o resultado de uma verdadeira revolução, que por pouco não colocou o regime imperial abaixo.

No entanto, mais ridículo que possa parecer, nos últimos anos, o movimento negro tem sido obrigado a defender essa data da sanha de setores que se dizem “de esquerda”, os mesmos que sustentam o ponto de vista estapárfudio dizendo que a abolição da escravidão no País não passou de uma “farsa”. Trata-se de uma escatalogia que serve apenas para tentar apagar da história a participação ativa dos negros no proceso revolucionário que levou à abolição e para que o dia 13 de maio não se apresente como representaivo da luta do povo negro contra a escravidão do século XXI.

Como se isso não bastasse, a Coalizão Negra por Direitos, um ajuntamento de elementos pequeno-burgueses que se arroga “donos” do movimento negro nacional, decidiu, no ano de 2021, elevar a sabotagem ao 13 de maio a um novo patamar. Além de defender, por meio de seus representantes, as teses identitárias absurdas que caracterizam a abolição como uma “farsa”, a Coalizão sequestrou as manifestações do ano passado, sufocando uma revolta latente contra o regime político atual.

Naquele momento, a Coalizão Negra por Direitos e toda a esquerda nacional, com exceção tão somente do PCO, defendiam a política do “fique em casa”; isto é, defendiam que, mesmo com a pandemia vitimando centenas de milhares de pessoas, os trabalhadores deveriam ficar em casa. No entanto, havia uma insatisfação social e um clima de revolta tão latente que as massas estavam prestes a derrubar por completo o dique de contenção imposto pelas direções da esquerda nacional.

Era um período em que começavam a acontecer várias manifestações de insatisfação localizadas, impulsionadas pelo estrangulamento econômico de vários setores. Essa tendência à mobilização fez com que, no dia 31 de março, houvesse atos de protesto contra a celebração, por parte da direita, da ditadura militar em vários pontos do País. No dia 1º de maio o PCO, que sempre defendeu a mobilização dos trabalhadores durante a pandemia, organizou um ato com duas mil pessoas em São Paulo.

Fósforo em um barril de pólvora

No dia 6 de maio, aconteceu a maior chacina da história do Rio de Janeiro. Em uma operação da Polícia Civil no Jacarezinho, nada menos do que 27 moradores foram assassinados brutalmente, sob a alegação (falsa) da polícia de que se tratava de “bandidos”. Diante desse episódio bárbaro, os moradores organizaram vários protestos nos dias seguintes, mostrando que o movimento negro estava pronto para uma verdadeira rebelião contra seus opressores.

Eis que chega o dia 13 de maio – uma semana depois – e assim uma oportunidade para transformar aquele massacre em um levante do povo pobre oprimido, uma mobilização nacional de luta do povo negro. Era o momento de arrebentar de vez o dique do “fique em casa” e colocar nas ruas um movimento que emparedasse os inimigos do povo negro. Foi aí, contudo, que surgiu a sabotagem da Coalizão Negra por Direitos.

A tal Coalizão nunca liderou qualquer mobilização importante, não tem uma imprensa própria, nem é conhecida pela maioria do povo negro. Nem mesmo seu contingente é numeroso: sua única figura conhecida é Douglas Belchior, que também só é conhecido por dizer-se representante da Coalizão. Trata-se, portanto, de uma organização absolutamente artificial, que nada tem a ver com organizações como a CUT e o MST, que foram construídas em meio à luta dos trabalhadores da cidade e do campo e que são amplamente reconhecidas e apoiadas por eles.

Mas o que a Coalizão Negra por Direitos não tem de apoio nas massas, ela tem de dinheiro. Tanto ela quanto seu cacique, Douglas Belchior, são remunerados por ONG’s e organizações diretamente ligadas ao imperialismo, como o Banco Itaú! Não bastasse isso, são paparicados e recebem todo o espaço do mundo na imprensa burguesa. Recentemente, a Folha de S.Paulo elegeu a Coalizão Negra por Direitoscomo uma das principais forças atuantes nas manifestações contra o governo Bolsonaro”. Mesmo sendo incapaz de mobilizar uma centena de pessoas…

Foi com esse apoio — não das massas, mas da burguesia — que a Coalizão Negra conseguiu se impor nas manifestações daquele ano e tomar a sua direção. Ao cooptar lideranças e fazer uso de seu espaço na imprensa, saiu como o “organizador” dos atos. Para que? Para impedir que as massas revoltadas ecoassem as palavras de ordem que queriam gritar: o Fora Bolsonaro; Lula Presidente e o Fim da Polícia Militar.

A revolta de um povo esmagado, que acabou de ver seus vizinhos, primos, irmãos, pais e filhos serem massacrados pela polícia se transformou, nas mãos da Coalizão, em uma manifestação sem rumo, sem perspectiva. As manifestações tiveram, como principais palavras de ordem, coisas como “nem bala, nem fome, nem covid, o povo negro quer viver”; “quem tem fome quer comida, não a morte”, entre outras expressões que não dizem nada e não representam nada. 

As manifestações foram grandes e ocorreram em mais de 40 cidades. Mas isso não se deu por causa do “chamado” da Coalizão Negra por Direitos, e sim pela efervescência da situação política. No entanto, a mobilização parou ali mesmo. Na medida em que a Coalizão não ofereceu nenhuma perspectiva aos manifestantes — do que adianta “protestar” contra uma chacina sem propor algo que evite a próxima chacina, como o fim da polícia —, aquilo que seria uma rebelião em potencial se dissolveu, morreu em um único ato. 

E não foi por acaso. Conforme seria visto mais à frente, na participação da Coalizão Negra por Direitos nos atos Fora Bolsonaro, o interesse de suas direções era completamente oposto ao do povo negro que saiu às ruas contra a polícia. Seu interesse era o de submeter todo o povo a uma frente ampla com Ciro Gomes, o PSDB e toda a direita golpista que é diretamente responsável pelos corpos do Jacarezinho. Uma política de verdadeira traição aos interesses históricos e imediatos da população negra, oprimida, massacrada e explorada do País.

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