Mapa “decolonial”: é possível um “Brasil” antes do Brasil?

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Henrique Áreas

O que os identitários chamam de “decolonialismo” é uma ideologia que disfarça, detrás de uma suposta defesa dos índios, um ataque contra os países atrasados

A ex-candidata ao governo do Rio de Janeiro pelo PT, Márcia Tiburi, repostou um tuíte com um “Mapa do Brasil com Topônimos em Tupi Antigo”, originalmente publicado pelo professor e jornalista Pedro Aguiar. Tiburi comentou: “ver esse mapa me encheu daquela alegria mágica que só o conhecimento produz”.

Mas qual seria esse conhecimento que dá “alegria mágica” à ex-psolista? Há um mito do identitarismo de que o Brasil não existe, de que o nosso País seria uma terra dos índios. A ideia de uma nação brasileira, portanto, seria uma “construção colonial” que ignoraria a existência das várias etnias indígenas existentes aqui antes da chegada dos portugueses. Essas povoam, nas palavras de Aguiar, o mágico “mapa decolonial do Brasil”.

O mapa apresentado é bastante interessante porque revela bem a incoerência da ideologia identitária. Por “decolonial” querem dizer que, grosso modo, o mapa vai contra o que foi estabelecido a partir da chegada dos portugueses. A proposta, portanto, desaba no próprio ponto de partida.

A ilustração apresentada por Aguiar, baseada na obra América Invertida do artista uruguaio Joaquín Torres-García, apresenta o Brasil “decolonial” com sua dimensão territorial atual, ou seja, o Brasil construído após a chegada de Pedro Álvares Cabral, especialmente pela intervenção do bandeirantismo que fez com que as fronteiras do País se alargassem enormemente. Para nós, não há nenhum problema nisso, afinal, entendemos que a própria ideia de Brasil está fundada nesse território.

Por outro lado, do ponto de vista identitário, ou do “decolonialismo”, como querem os autores do mapa, a ideia é absolutamente contraditória. E mais, ela comprova a impossibilidade de constituir um “Brasil” que não seja o que foi conquistado a partir da chegada dos portugueses.

Se os “decolonialistas” fossem coerentes, teriam que pregar abertamente, por exemplo, a extinção do Brasil, não apenas enquanto território, mas também culturalmente e socialmente. A própria sociedade brasileira deveria ser extinta em favor das sociedades primitivas que ocupavam o nosso território anteriormente.

Colocar nomes em tupi antigo nas cidades atuais está muito longe de ser um rompimento do colonialismo. O colonialismo que eles querem combater não existe mais a não ser como resquício cultural e social que foi já há muito incorporado na sociedade brasileira. O Brasil de hoje é um produto disso, inclusive com a contribuição dos indígenas, negros e europeus. 

Para serem coerentes, os identitários teriam que propor a dissolução do Brasil como tal e daí vem o grande dilema. Nada poderia ser mais colonial do que a proposição da extinção de um país oprimido. Quem mais poderia se beneficiar com isso do que o colonialismo moderno?

O colonialismo moderno, ou seja, o imperialismo é quem mais gostaria de ver o fim de um País do tamanho do Brasil. Não por coincidência, a ideologia do “decolonialismo” vem importada justamente das universidades imperialistas.

Não que seja essa, necessariamente, a intenção de Marcia Tiburi ou de Pedro Aguiar. Certamente não era a de Torres García quando inverteu o mapa mundi numa crítica e brincadeira com o fato de que o Norte e Sul são meras convenções. De qualquer forma, devemos dizer claramente que a ideia de um Brasil que existia antes dos portugueses é falsa. Assim como é errada a ideia de que deveríamos negar o Brasil como conhecemos em nome deste ente abstrato que teria existido antes aqui.

Não há nenhum problema em homenagear a cultura e comunidades indígenas, tão importantes para a própria constituição da sociedade brasileira atual. Mas a ideia de que descolonizar o Brasil seria voltarmos ao tempo dos índios é absurda e destrutiva. Destrutiva pelos motivos que explicamos acima e absurda porque é simplesmente impraticável, impossível de acontecer.

A própria ideia de comunidades indígenas que viviam nesse território harmoniosamente e que foram dizimadas pelos portugueses como se estes fossem nazistas do século XVI é, se usarmos o termo dos identitários, uma visão colonizada e eurocêntrica dos índios.

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