Escolha de Simone Tebet traz mais crise e divisão entre os golpistas

Com a burguesia dividida,  o que vem por aí?
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Novos acontecimentos recentes estão marcando a luta da burguesia em torno da terceira via para as eleições presidenciais deste ano. Os principais partidos de direita MDB, PSDB e Cidadania, que trabalham para lançar uma candidatura única para o pleito de outubro, se reuniram e decidiram por um nome para a disputa.

O União Brasil, resultado da fusão do Democratas (DEM) com o Partido Social Liberal (PSL) – partido pelo qual Bolsonaro se elegeu – anunciou que sairá do bloco e lançará o deputado federal e presidente da sigla Luciano Bivar. A nova legenda passou a deter a maior bancada do Congresso Nacional e consequentemente a maior verba eleitoral.

Seria precipitado afirmar que estes partidos, tradicionais representantes da burguesia, estão fora do jogo; no entanto, é perceptível que com base nas últimas pesquisas e na própria conjuntura política polarizada há uma tendência destas forças em se deslocar para o apoio a Bolsonaro. As dificuldades de emplacar a terceira via reforçam essa tese. 

A escolha de Tebet

No dia 18 de maio, os presidentes do MDB (Baleia Rossi), Cidadania (Roberto Freire) e PSDB (Bruno Araújo), tentando sair do impasse, decidiram por candidatura única para a presidência da República, indicando o nome da senadora do MDB pelo Mato Grosso do Sul, Simone Tebet. A indicação precisa ser aprovada pelas executivas dos partidos que se reunirão no dia 24 de maio.

João Doria, que foi escolhido nas prévias do seu partido como o candidato tucano nas eleições presidenciais, já ameaçou entrar com processo para garantir a vaga na disputa. O resultado em pesquisas eleitorais é apresentando como motivação para a escolha, mas a motivação é muito mais política.

Além da tentativa de escapar da crise, há uma busca pelo voto feminino, na medida em que é entre as mulheres o maior índice de rejeição a Bolsonaro. Outro fator, nesse sentido, é que Tebet não disputaria diretamente com o presidente direitista, mas buscaria tirar votos de Lula. Ou seja, não está em contradição com a possível escolha e adesão do conjunto da burguesia a Bolsonaro.

O fato é que a burguesia não vê saída para sua crise e de seus partidos tradicionais.

A crise no PSDB

O tucano João Doria exige ser o indicado de seu partido após vencer o ex-governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, nas prévias do PSDB em novembro. No entanto, nem mesmo a vitória interna de Doria foi capaz de pacificar o partido, pelo contrário, abriu-se uma crise ainda maior.

Recentemente, Aécio Neves e Fernando Henrique Cardoso se posicionaram publicamente numa tentativa desesperada de unificar o partido, pois o racha interno poderia levar o PSDB, que foi engolido pelo bolsonarismo, a se espatifar de vez.

O presidente do PSDB, Bruno Araújo, pretende ouvir novamente a direção executiva do partido sobre o acordo com o MDB e espera receber o aval para manter o nome de Tebet. Entre julho e agosto ocorrerão as convenções partidárias e Doria já ameaçou judicializar a questão caso seu nome não seja mantido como candidato ao Planalto.

Já pensando além de 2022 e prevendo a continuidade da polarização atual entre Lula e Bolsonaro, outros elementos também se movimentam no tabuleiro da política nacional.

É o caso do senador Jorge Kajuru (Podemos), que ressuscitou uma PEC de 2019 para acabar com a reeleição para cargos executivos (prefeitos, governadores e presidência). A iniciativa, que tem apoio do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD), interessa diretamente aos partidos tradicionais da burguesia, os mesmos que colapsaram após o golpe de 2016.

Burguesia dividida

De todo modo, a crise aberta nos partidos tradicionais da burguesia força estas legendas a entrarem num novo “grande acordo nacional”. Acordo este que será provavelmente o de apoiar outra vez Jair Bolsonaro.

A burguesia está dividida. Bolsonaro já detém parte do apoio que vai além do bolsonarismo, o apoio daquele setor que não vê perspectiva na terceira via e não enxerga outra saída diante da polarização que não conseguiram desfazer, apesar de todo trabalho dedicado a isso nos últimos anos. E na eleição o que é necessário é algo que a direita tradicional imperialista perdeu em suas investidas golpistas: o voto.

Os EUA

Nesse ínterim uma declaração chama atenção. A indicada por Joe Biden a embaixadora dos EUA no Brasil, Elizabeth Bagley, disse que o País “têm todas as instituições democráticas que precisam para promover eleições livres e justas”.  A burguesia manobra e segue a disputa entre os partidos tradicionais da burguesia e o bolsonarismo. Está dividida, mas os diferentes setores estão se posicionando. Sem a possibilidade de apoiar Lula, estão investindo diretamente nas instituições, na justiça, no desenrolar favorável das eleições.

Sem a terceira via, o setor mais forte do imperialismo ou adere ao bolsonarismo ou estaremos diante da possibilidade de um novo golpe, ou de um golpe vindo dos militares? Neste momento há muitas possibilidades, mas uma coisa é certa, pois se o imperialismo norte-americano deu seu aval às eleições brasileiras, desconfie.

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