“Até o último ucraniano”

Em desespero, imperialismo entra oficialmente na guerra

EUA enviam políticos de alto escalão a Kiev e prometem US$33 bilhões de auxílio contra a Rússia
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Em março de 1941, o então presidente norte-americano Franklin Delano Roosevelt assinou o “Ato para Promoção da Defesa dos Estados Unidos”, conhecido popularmente como Lend-Lease. A legislação permitia o envio de equipamento militar pesado aos Aliados de imediato, sem que essas nações pagassem pelo que recebiam até o momento de sua devolução ou destruição.

Em reedição distorcida da história, no último dia 28, o Congresso norte-americano aprovou legislação similar, intitulada “Ato Lend-Lease para a Defesa da Democracia Ucraniana de 2022”.

O presidente norte-americano, Joe Biden, deve em breve sancionar o projeto de lei para facilitar o envio dos US$ 33 bilhões em auxílio militar e, supostamente, humanitário do qual requisitou aprovação do Congresso. De acordo com o The New York Times, ao menos metade dessa cifra se destinará a mais armas pesadas como artilharia e mísseis antitanque.

Se em 1941 historiadores marcam a aprovação do Lend-Lease como o fim da neutralidade norte-americana – que acabaria de vez em 7 de dezembro do mesmo ano – a legislação atual marca a entrada oficial dos EUA no conflito entre Rússia e Ucrânia. Nesse caso não há como dizer que houve alguma neutralidade, mas o imperialismo norte-americano se mostra determinado a não deixar que a Ucrânia seja palco de mais uma derrota humilhante como a que sofreu no Afeganistão no ano passado.

Visitas “diplomáticas”

Pouco antes de requisitar mais auxílio militar, representantes do governo Biden foram enviados a Kiev para discutir os objetivos norte-americanos na região. No último dia 24, o secretário de Estado, Anthony Blinken, e o secretário de Defesa, Lloyd J. Austin III, encontraram-se com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky em seu “bunker secreto”.

A viagem dos representantes norte-americanos ao país em guerra foi “mantida em sigilo” até que os dois voltassem para a Polônia, onde realizaram uma coletiva de imprensa no dia seguinte à conversa com Zelensky. As aspas se fazem necessárias porque o encontro diplomático foi revelado sem grande alarde por Oleksiy Arestovich em entrevista transmitida pelo YouTube.

Eles [Lloyd e Blinken] estão agora em Kiev, falando com o presidente“, disse Arestovich. “Talvez algo seja decidido sobre como podem ajudar.

Na Polônia, o secretário de Defesa norte-americano revelou mais do que uma ajuda e expôs de forma clara a política norte-americana para a região. Os EUA querem “a Rússia enfraquecida ao ponto em que não possa fazer mais coisas como invadir a Ucrânia“, declarou. 

Além de reforçar a ditadura do imperialismo sobre os países oprimidos, Austin ainda atuou como representante da indústria armamentista. Entre 2016 e 2020, o secretário de Defesa fez parte do conselho da Raytheon Technologies, empresa da qual possui ações e que deve se valorizar significativamente com a produção de boa parte do arsenal “democrático” enviado à Ucrânia.

Para encerrar o ciclo de viagens diplomáticas, a presidente do Congresso, Nancy Pelosi, visitou Zelensky no dia primeiro de maio com uma delegação norte-americana. “Nós acreditamos que estamos visitando-o para agradecê-lo por sua luta pela liberdade. Que nós estamos na fronteira da liberdade e que a sua luta é uma luta por todos e, portanto, nosso comprometimento é estar com você até o final da luta“, disse a democrata, praticamente confirmando que o novo pacote bilionário de auxílio militar de Biden será aprovado no Congresso.

Metade do orçamento russo

A visita dos políticos norte-americanos a Zelensky é muito reveladora. Primeiramente, demonstra que não há uma guerra russa de dominação territorial completa da Ucrânia, senão Kiev estaria sitiada e não seria um local para o qual se dirigem figuras decadentes como Pelosi em busca de boa propaganda eleitoral.

Em segundo lugar, deixou claro que os EUA e, naturalmente, a OTAN seguem dispostos a “lutar até o último ucraniano”. Biden acionou um dispositivo legal utilizado pela última vez durante a Segunda Guerra Mundial para autorizar o envio de US$33 bilhões à Ucrânia, um mês após o envio de US$13,6 bilhões. O objetivo agora está claro: deixar a Rússia “tão enfraquecida” que não possa mais resistir à dominação imperialista.

A gravidade da situação fica mais clara se comparada ao lado adversário. Segundo o Instituto de Pesquisa pela Paz Internacional de Estocolmo (SIPRI, na sigla em inglês), o orçamento militar russo de 2021 foi de cerca de US$65,9 bilhões. O valor é apenas uma fração dos US$801 bilhões norte-americanos e é pouco menos do que o dobro daquilo que Biden quer enviar aos ucranianos para que façam os russos sangrar às custas de sua própria população.

É oficial: os EUA estão envolvidos num conflito contra a Rússia. Enfraquecido e decadente, o imperialismo mostra seu lado mais feroz.

Finalmente, a situação coloca um dilema para aqueles que se posicionam contra a Rússia: ou a máquina de opressão mundial se tornou defensora e promotora da democracia e da liberdade – o que, obviamente, não é o caso – ou setores da esquerda se transformaram em apêndices dessa máquina centenária de crimes contra a humanidade que é o imperialismo norte-americano.

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