Análise Política

A crise da burguesia e o bolsonarismo

Está chegando o momento em que a burguesia de conjunto adere a Bolsonaro?
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A eleição é um jogo dominado pela burguesia, que é um ator fundamental na situação política e, neste momento, há uma série de indícios de que a situação se aproxima daquele momento que, à semelhança das eleições de 2018, todos os setores da burguesia reconheceram que o que seria naquela época a terceira via tinha sido abandonada pela maior parte dos setores burgueses. Se a situação já não está dada assim, caminha pelo menos nesse sentido.

O jornal O Estado de São Paulo publicou um editorial criticando “jovens empresários” que já se posicionaram a favor de Bolsonaro. Falam que ele não é um bom representante etc., mas isso é um despiste, deixaram escapar a realidade de que vários empresários já tomaram essa posição. Há uma tendência no interior da burguesia de carne e osso de bandear para o lado de Bolsonaro.

Essa expressão “burguesia de carne e osso”, em geral é usada no sentido de que há os políticos burgueses, que são burgueses por associação, alguns têm patrimônio, mas a maioria são advogados, profissionais liberais que entraram na política e servem à burguesia; e tem a burguesia industrial, os banqueiros etc. O que aconteceu em 2018 foi que os políticos burgueses procuraram até o último momento escapar da polarização entre Lula e Bolsonaro, mas chegou o momento em que a situação estava dada porque a “burguesia de carne e osso”, os empresários, capitalistas, já tinham se bandeado para o lado bolsonarista, fato que finalmente levou ao esvaziamento total das candidaturas da burguesia, levando até à adesão de setores da política burguesa, bem explicitamente, como é o caso de Doria, que passou a se apresentar como “BolsoDoria”. Essa era a política que a classe social a qual eles estão ligados estava levando adiante. Essa situação parece estar se reproduzindo novamente.

Os políticos burgueses e um setor da burguesia fazem o maior esforço para lançar a terceira via, mas não conseguem. A grande dificuldade não é a que falam por aí, que os candidatos não vão bem nas pesquisas; na verdade eles não conseguem convencer a sua própria classe social (a maioria dela), de que são a melhor alternativa. A maioria da classe olha as alternativas e considera que não vai dar em nada, que é arriscado, e preferem ficar com Bolsonaro. 

Bloco burguês 

Aqui é importante entender que dentro da burguesia, do bloco burguês que domina o País há muitos e muitos anos, existem dois setores. Fundamentalmente, o setor, o núcleo fundamental é a burguesia imperialista e setores da burguesia brasileira intimamente ligada a ela; e a burguesia que é o grande capital também associada ao primeiro setor, mas que tem muitas diferenças, principalmente os setores industriais, alguns setores da burguesia agrária, alguns pertencentes às oligarquias regionais.

O que acontece é que normalmente o setor do imperialismo é quem dá as cartas na política nacional. Os dois governos de Fernando Henrique Cardoso, o Plano Real, eram uma  política do imperialismo. Foi levada adiante porque conseguiram um consenso em todas as frações da burguesia para levar adiante esse plano, que se tornou um plano geral da burguesia. Só que a direção, a liderança, a posição mais importante ficou com o setor ligado ao capital internacional, os banqueiros.

Golpe de Estado

O que tem acontecido no Brasil desde o golpe de Estado é que tem se criado uma espécie de crise dentro desse bloco geral, porque o setor mais amplo, embora não seja o mais forte (o mais forte seria o que está apoiado sobre o imperialismo) apoia  o Bolsonaro e não quer saber da política dos outros. Faz acordo, mas quer Bolsonaro, como aconteceu em 2018.

Em 2018 um empresário relativamente grande do setor comercial falou que o mercado não quer um candidato de centro, quer um candidato de direita. Na verdade, o que ele quer dizer é de extrema-direita. E ele estava certo.

Essa divisão é importante porque na política do dia a dia quem tem os meios para levar adiante a política no Congresso, etc. é esse setor mais secundário da burguesia, são as oligarquias regionais, as burguesias regionais, um setor muito grande, que tem uma importância política muito grande; o outro setor atua fundamentalmente através de determinados partidos que são tidos como partidos éticos, como o PSDB, e através dos meios de comunicação.

É o que estamos vendo no Brasil. Os meios de comunicação estão fazendo uma campanha enorme em favor da terceira via e contra o Bolsonaro, mas não conseguem convencer o outro setor da burguesia. A expectativa era diminuir tanto a popularidade de Bolsonaro ao ponto de isso fazer com que o setor que está com ele apoiasse o candidato da terceira via. Então fizeram campanha, propaganda, todos os dias a Globo aparece com alguma notícia, mas não conseguiram convencer esse setor que continua querendo Bolsonaro.

O fim da terceira via?

Aparentemente estamos entrando na fase em que a situação está se definindo em favor de Bolsonaro. 

Há muitos sinais disso; um deles é o Doria. Tinham convencido ele a abdicar da candidatura para favorecer a terceira via, agora ele está colocando obstáculos, isso pode ser um sinal de que já todo um setor que era pela terceira via debandou para o lado de Bolsonaro (leia mais sobre a terceira via e a crise dos partidos tradicionais da burguesia nas pág. A3 e A5). 

É um dado importante. É preciso acompanhar os acontecimentos para ver se efetivamente estamos indo para uma eleição que seja Bolsonaro vs Lula. Tudo pode estar se definindo nesse sentido.

Os próximos momentos vão dizer se estamos diante de um movimento firme da burguesia em direção a Bolsonaro, o que torna a eleição mais clara e coloca em evidência também a falência dos partidos burgueses tradicionais que não conseguem atuar nessa polarização.

A mobilização popular 

Falaram o tempo todo contra a polarização, mas não conseguiram nada, o que evidencia o tamanho da crise e reforça a ideia de que se a burguesia apoia o Bolsonaro efetivamente, significa que é preciso um movimento muito forte de mobilização popular para enfrentar essa situação.

Muita gente vai dizer que se for Bolsonaro x Lula a eleição está ganha, mas não é assim tão simples. Alguns vão acreditar que todos os setores políticos, setores da burguesia que estavam com a terceira via, vão se deslocar para o Lula, o que não tem nada a ver com a realidade.

Só vão se declarar a favor de Lula pessoas que não tem voto, como Aloysio Nunes (PSDB), que é um cachorro morto e pode votar em quem quiser. Talvez outros setores do PSDB também declarem, mas não vão fazer nada. É uma declaração muito mais para se apropriar da figura de Lula, para se reciclar um pouco do que para efetivamente apoiar Lula; é um apoio que não tem valor nenhum. O apoio que realmente importa e é necessário é a mobilização para garantir a vitória nas eleições; é o apoio popular das amplas massas em todo o País.

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