O fim da União Soviética em números

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As políticas de “abertura” (glasnost) e “reestruturação” (perestroika), colocadas em marcha na União Soviética sob o governo de Mikhail Gorbachev, foram consideradas insuficientes pelo imperialismo norte-americano, o principal responsável pelo assalto neoliberal à economia russa. Foi preciso colocar alguém mais decidido para abrir o caminho usado para, pouco tempo depois, conduzir para fora do país massivas quantidades de matérias primas e riquezas. Esse alguém foi Boris Yeltsin, então presidente da Rússia – principal integrante da URSS.

O processo foi descrito em detalhes pela pesquisadora canadense Naomi Klein, no 11º capítulo de seu livro “A doutrina do choque – ascensão do capitalismo de desastre”, de 2007. Em 1992, quando se operava a transição para o governo de terra arrasada de Yeltsin, 67% dos russos que responderam às pesquisas de opinião afirmavam que as cooperativas de trabalhadores é que deveriam receber o patrimônio do Estado operário, durante o processo de privatização colocado em marcha por Gorbachev. Noutro aspecto, 79% afirmaram que a manutenção do pleno emprego era uma função primordial do governo. Além disso, uma ampla maioria de 70% se opunha à supressão do controle de preços de mercadorias essenciais, como o pão.

“Se a equipe de Yeltsin tivesse submetido seus planos ao debate democrático, em vez de deslanchar um ataque-surpresa contra uma população já bastante desorientada, a revolução da Escola de Chicago não teria tido nenhuma chance”, escreveu Klein. 

“Milhões de russos de classe média haviam perdido suas poupanças com a desvalorização da moeda, e os cortes bruscos nos subsídios governamentais representaram a ausência de salários para milhões de trabalhadores, durante meses. O cidadão russo médio consumiu 40% menos em 1992 do que em 1991, e um terço da população caiu abaixo da linha de pobreza”, continua a pesquisadora. 

Em 1989, eram de 4 a 5 milhões de cidadãos soviéticos nesta situação (Soviet Openness Brings Poverty Out of the Shadows, The New York Times, 29/01/1989). Em 1994, eram 34% na Rússia, segundo reporta estudo da universidade russa Higher School of Economics. Em 2004, quando Vladimir Putin foi reeleito, ainda havia 30 milhões de russos nesta condição, 20% da população.

Em 1998, mais de 80% das fazendas russas estavam falidas e cerca de 70 mil fábricas estatais tinham fechado, criando uma epidemia de desemprego. Em 1989, antes da terapia de choque, dois milhões de pessoas na Federação Russa viviam na pobreza, com menos de US$ 4,00 por dia. Na época em que os terapeutas do choque prescreveram seu ‘remédio mais amargo’, em meados dos anos 1990, 74 milhões de russos estavam vivendo abaixo da linha de pobreza, de acordo com o Banco Mundial. […] Isso quer dizer que as ‘reformas econômicas’ da Rússia podem reivindicar o mérito pelo empobrecimento de 72 milhões de pessoas em apenas oito anos. Em 1996, 25% da população russa – quase 37 milhões de indivíduos – viviam num estado de pobreza descrito como ‘desesperador’”, relata Klein em seu livro que documenta os efeitos nefastos da destruição neoliberal.

Esses fatos desmontam completamente a tese do “imperialismo russo”. Putin, ainda que tenha as limitações de um político burguês, goza de amplo apoio popular porque reverteu parcialmente essa situação “desesperadora”. Em 2019, eram 17,3 milhões, em torno de 13% da população, que encontravam-se abaixo da linha da pobreza. A situação ainda não é boa e está longe de ser a de um país imperialista.

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