Arrocho

Nem mesmo um mísero salário mínimo

Graças ao golpe de 16, mais de 33 milhões de trabalhadores ganham hoje menos R$1.212 por mês
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Segundo pesquisa divulgada pela empresa LCA Consultores, 33,8 milhões de trabalhadores brasileiros com algum tipo de trabalho ganham entre nada a um salário mínimo por mês. Isso indica que para 36% da força de trabalho ocupada no País, mesmo o salário de R$1.212 é objeto de sonho.

O estudo foi realizado com base nos indicadores da última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Segundo a LCA, o percentual de trabalhadores com vencimentos de até um salário mínimo é o maior desde o início da pesquisa, em 2012. Refletindo os dados do IBGE do último trimestre de 2021, o estudo aponta que entre este período e o último trimestre de 2020, o crescimento de trabalhadores ganhando menos de um salário mínimo foi 12,2%. Com isso, esse segmento mais empobrecido destaca-se como o majoritário entre o proletariado brasileiro.

A pesquisa revela ainda que desses 33,8 milhões de trabalhadores com até 1 salário mínimo mensal, 9,6 milhões (28%) ganham até metade de um salário e dentre estes, 2,2 milhões nada ganhavam. Outro grupo também pobre porém em situação “menos pior”, o segmento que ganha entre 1 a no máximo 2 salários mínimos, compreende 31,69 milhões de trabalhadores. Entre os 95,7 milhões que compõem a força de trabalho brasileira (Pnad), pouco mais de 26,5(27,69%) milhões ganhavam acima de 2 salários mínimos no último trimestre de 2021.

Arrocho

Mesmo para o último grupo, o arrocho salarial continua sendo um fator de pressão severo. Segundo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), para cobrir as necessidades alimentares de uma família operária regular, com dois adultos e duas crianças, seria necessário que o salário mínimo tivesse o valor de R$2.283, mais de 88% acima do salário mínimo nacional.

Tomando como base o preço da cesta básica mais cara do País (R$761,19 em São Paulo), o Dieese estabeleceu no mês de março que o salário mínimo deveria ser de R$6.394,76, o que equivale a 5,28 vezes o valor do “piso nacional”. Para chegar a esse valor, o Dieese calcula, a partir de percentuais da cesta básica, o necessário para suprir as despesas de uma família trabalhadora média com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência, conforme o artigo 7º, inciso IV da Constituição Federal.

Estudos da Corrente Sindical Nacional Causa Operária, apontam que o mínimo vital, o valor necessário ao salário mínimo para cobrir as despesas das famílias operárias, conforme a previsão constitucional, deveria ser de – pelo menos – R$7mil.

Mão visível

Um gráfico, elaborado pelo portal burguês G1(do Grupo Globo), mostra a evolução dos padrões salariais nos três grupos principais analisados pelos consultores da LCA, a faixa que ganha até 1 salário mínimo, entre 1 e 2 salários mínimos e acima de 2 (“Renda em queda e vida no aperto: os ‘corres’ dos brasileiros que não ganham nem 1 salário mínimo”, Darlan Alvarenga, Fábio Tito e Thaís Matos, G1, 19/4/2022).

Em 10 anos, o segmento que ganha acima de 2 salários mínimos deixou de agrupar mais de 26,8 milhões de trabalhadores para reunir 26,5 milhões. O segmento que ganha entre 1 a 2 salários mínimos teve um ligeiro crescimento de 30,5 milhões para 31,69 milhões enquanto o setor mais pobre, que ganha menos de um salário mínimo, saiu de 28,34 milhões para os atuais 33,8 milhões de pessoas.

Deve-se destacar que no mesmo período, a população brasileira saiu de 199,3 milhões para uma expectativa de 214 milhões em 2022. Em outras palavras, enquanto o segmento mais pobre da classe trabalhadora brasileira cresceu 19,26%, a população geral aumentou 7,37%. Sem nenhuma coincidência, a situação de penúria reflete o endurecimento da política neoliberal no País, cuja premissa principal é o aperto da classe trabalhadora.

Economia operária

A miséria do proletariado brasileiro obedece a um plano político, que busca preservar a burguesia da crise do capitalismo, transferindo às massas trabalhadoras o ônus da crise histórica do capitalismo. Incapazes de manter taxas de lucro elevadas e fazer a economia crescer, a destruição de empresas e empregos têm sido a única saída encontrada pela burguesia para manter o controle dos mercados, e com isso a lucratividade geral de um reduzido grupo de grandes capitalistas. Na atual etapa, isto passa também pela expropriação direta dos recursos públicos.

Tal situação é insustentável para o conjunto da economia, que só poderá desenvolver-se plenamente orientada pelos interesses da classe trabalhadora, na retomada da industrialização do País, na elevação dos salários e no barateamento dos produtos pela expansão da produção em massa. Somente uma política econômica orientada pelos interesses dos operários terá força também para usar os recursos públicos, hoje drenados em sua maioria para o parasitismo financeiro, para impulsionar o desenvolvimento industrial do Brasil, condição indispensável para a superação da miséria dos trabalhadores.

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