Como o Brasil

É possível falar em imperialismo russo?

Análises fantasiosas misturam conceitos e colocam a Rússia moderna no mesmo patamar da URSS e do império czarista
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O atual bloqueio do imperialismo contra a Rússia, que na realidade atinge todo o povo russo, pode transformar a atual situação industrial do país. O governo encabeçado pelo presidente Vladimir Putin, que demonstra ter como objetivo uma maior industrialização do país, pode se ver forçado a acelerar esse processo.

Ao contrário do que indica o senso comum, a economia russa é muito atrasada e aqueles que falam em imperialismo russo não entendem que o pouco que foi conquistado durante a existência da União Soviética foi, em grande parte, destruído pela política neoliberal colocada em prática após a dissolução do País.

A URSS não tinha uma indústria enorme, há um mito em relação a isso. Com exceção à indústria militar e aeroespacial, que serve à primeira, temos que levar em consideração que o parque industrial russo não era moderno para os padrões capitalistas, nunca foi. 

A produção de bens de consumo era orientada apenas ao atendimento de algumas necessidades básicas da população. A indústria têxtil e de eletrodomésticos, por exemplo, era estatal, mas a qualidade dos produtos nem sempre estava à altura daquilo que estava disponível em países capitalistas. Havia outros setores industriais no país, mas, assim como os citados acima, nunca chegaram a ser competitivos em termos capitalistas.

Um exemplo mais concreto é o da empresa de automóveis russa, a Lada. Seus carros chegaram a ser vendidos no Brasil e eram baratos, duráveis e razoavelmente bons, mas claramente inferiores diante dos produtos da indústria imperialista numa série de quesitos importantes para o consumidor. A indústria soviética não dominava toda tecnologia que a indústria capitalista dominava.

Com Mikhail Gorbachov, a burocracia soviética decidiu iniciar um processo de abertura de seu mercado que, até então, era praticamente fechado para o mundo capitalista. O volume de importações, especialmente de bens de consumo, era muito pequeno, até porque o país não tinha condições financeiras para importá-los a preços que a população pudesse pagar.

A abertura do mercado não foi a única responsável pela crise que se avizinhava. A crise econômica soviética já era aguda antes mesmo da queda da União Soviética e da chegada de Boris Yeltsin ao poder, responsável pela implantação efetiva da política neoliberal na Rússia. Perto das empresas capitalistas, as russas eram muito inferiores e a quantidade de fábricas que foi à falência durante esse período foi gigantesca. 

O mesmo aconteceu durante a unificação da Alemanha; quase toda a indústria da Alemanha Oriental fechou.

Por isso, quem faz uma análise da atual operação militar russa e fala da invasão da Tchecoslováquia – que também não existe mais – age de má fé ou é completamente ignorante em relação a atual situação da Rússia. 

A importância de Putin

É por partir de um pressuposto completamente equivocado – de que a Rússia atual seria uma continuidade da União Soviética – que não se compreende a importância de Putin. O imperialismo impulsiona a propaganda de que o presidente russo é autocrata psicótico, criminoso e outros adjetivos, mas foi sob o seu governo que a Rússia se reorganizou economicamente, depois de completamente arrasado pelo neoliberalismo. 

Isso foi feito sobre bases completamente diferentes do que era a União Soviética, que não existe mais. A economia russa se reorganizou em torno da exploração dos recursos naturais para exportação, algo completamente estranho à economia soviética do período anterior.

A Rússia atual é um país capitalista anômalo. Não há como estabelecer um país verdadeiramente capitalista após a expropriação total da burguesia. É um país capitalista, coisa que a URSS não era. É um país dependente do mercado mundial. A moeda russa é como a brasileira, uma moeda baseada no dólar. Na União Soviética era impensável lastrear o rublo ao dólar.

Apesar do mesmo povo ocupar o mesmo território, a sociedade russa mudou completamente desde a queda da União Soviética. A realidade é que o país vive da exploração de gás natural, petróleo e outras matérias-primas. 

Isso, por si só, já deveria ser considerado como prova de que a indústria russa desapareceu do mapa e o país entrou no sistema econômico mundial como um país atrasado. A economia russa é até hoje menos diversificada que a brasileira, mesmo após o esforço consciente da burguesia nacional para desindustrializar o País.

Mesmo do ponto de vista militar o legado soviético foi destruído. Putin também reorganizou esse setor que foi destruído com a chegada de Yeltsin ao poder e é justamente esse grupo dirigente, os militares, que o presidente russo representa. Ainda assim, atualmente o poder militar russo se apoia na venda de combustíveis, de onde Putin angariou recursos para reorganizar as forças armadas russas. 

Império? 

Historicamente, a Rússia sempre teve que se defender de seus vizinhos. Há o mito de que o império russo, poderoso e conquistador, invadiu e dominou vários países, mas, na realidade, montaram um império partindo de uma posição defensiva.

Esse desenvolvimento ocorreu de forma mais acelerada especialmente durante o governo do czar Pedro I, o grande, que organizou uma poderosa indústria naval e forças armadas modernas num país essencialmente agrário. Tudo, naturalmente, com muito sacrifício.

Os historiadores russos adeptos do materialismo – como o próprio revolucionário Leon Trótski – mostraram que a política do czar era forçada pela agressividade dos vizinhos. E foi o medo que levou a monarquia russa ao colapso.

Para manter esse investimento militar era necessário um poder centralizado e uma sociedade que sustentasse economicamente esse poder. A monarquia, então, transformou-se numa máquina de absorção de todos os recursos do país. Quanto mais os exércitos eram modernizados, mais o regime político entrava em crise porque era obrigado a cobrar impostos e tirar recursos do país para sustentar as forças armadas.

A monarquia não tinha escolha: ou mantinha o poderio militar ou entrava em colapso. E isso se manteve até um ponto de ruptura, quando houve a Revolução de 1917.

A força militar russa, portanto, é contraditória. Não está apoiada sobre a dominação econômica do mundo, como o poderio norte-americano. Está, atualmente, baseada no gás natural. 

O imperialismo é perfeitamente consciente disso e, por isso, boicotam o gás natural e outras matérias-primas exportadas pela Rússia. Querem enfraquecer o país militarmente. Sabem que o poder, a reestruturação, tudo o que o governo de Putin fez está baseado na exportação em larga escala de matérias-primas, um recurso muito limitado.

Não é à toa que tanto Putin como o ex-presidente russo, Dmitri Medvedev, declararam que gostariam que a Rússia fosse como o Brasil, com um parque industrial muito diversificado. A Rússia é, na realidade, um país menos industrializado que o Brasil. A comparação parece absurda, uma vez que a maior das ex-repúblicas soviéticas possui um arsenal de mísseis supersônicos e o Brasil mal consegue manter seus helicópteros da aeronáutica, mas é uma realidade. As análises que confundem a Rússia de hoje com a URSS e o império czarista são completamente fantasiosas.

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