Boulos e correntes do PSOL contra Lula

Conforme as eleições se aproximam, todos os grupos que mantinham uma posição ambígua em relação à candidatura Lula começam a deixar mais nítido aquilo que pretendem fazer: dividir. Nenhum partido ou grupo declarou apoio de fato ao ex-presidente, tirando o PCO, que reconhece nele o único capaz de vencer Bolsonaro, o que, consequentemente, é parte da luta contra o golpe de 2016.

No máximo, vemos políticos e partidos burgueses decadentes buscando se apoiar em Lula, para tirar proveito de seu imenso prestígio eleitoral e com isso, se recuperar diante da enorme rejeição popular que enfrentam e que ameaça sepultá-los politicamente.

Antipetismo e divisionismo

O ambiente contra o petista está se acirrando, como pode ser observado nas movimentações internas do PSOL, com setores importantes que praticamente racharam o partido. MES, MRT e Revolução Brasileira são exemplos de como esta animosidade está recrudescendo no interior da esquerda.

Por exemplo, algumas colocações de Nildo Ouriques, da Revolução Brasileira, feitas em debate ocorrido no ano passado com o presidente do PCO, Rui Costa Pimenta, mostram a real disposição desse setor para com o PT, o qual acusa de ser responsável pelo golpe que sofreu:

“A transformação capitalista que o capitalismo global queria ocorreu no Brasil sob o comando da esquerda liberal”, disse na ocasião o dirigente psolista, que continou:

“Os governos petistas foram funcionais à ordem burguesa global. Não importa a destituição da Dilma que só ocorreu porque a Dilma não queria a transformação radical e rápida, queria a transformação radical mas em termos negociados com a classe dominante.”

“O PT colheu, o PT está diante de seu rebento”.

“Lula não é de esquerda”.

“Caminhar com Lula e o petismo é caminhar com aquele adversário que nos come amanhã”.

O MRT, por seu turno, critica a direção do PSOL e defende o rompimento com o partido por este se unir em federação com a REDE e declarar apoio a Lula, que tem Alckmin como seu vice. Segundo o MRT, Lula teria sido “reabilitado” pelo STF e pelo Congresso, “para se candidatar e poder ser um estabilizador e administrador de toda essa obra econômica de ataques”.

“…nos dirigimos especialmente aos militantes do PSOL que assinam a carta ‘PSOL na encruzilhada’, com um claro chamado a que rompam com o PSOL e sejam parte da batalha por construir um polo de independência de classes nas eleições, que seja uma alternativa à diluição do PSOL no projeto Lula-Alckmin”.

Assim como o MRT, o deputado Glauber Braga(PSOL-SP) se utiliza da figura “inaceitável” de Geraldo Alckmin para pressionar o partido pequeno-burguês a lançar um candidato próprio à presidência: ele mesmo.

Neste clima, o PSOL está indo para sua conferência, marcada para o dia 30 de abril, totalmente dividido.

Boulos: “não haverá trégua”

Guilherme Boulos, que desistiu de concorrer ao governo de SP para disputar uma vaga de deputado federal, deu entrevista para o sítio Jornalistas Livres. Chama a atenção que Boulos apresente a si e seu partido como seres políticos que estão fazendo o favor de desistir da candidatura de maneira totalmente resignada, pois não queriam qualquer tipo de barganha com o PT.

O que Boulos esconde é o fato de que estava lá atrás nas pesquisas e não teria a menor chance de participar efetivamente da disputa, sem o apoio do PT e da burguesia (que o levou ao segundo turno das eleições na Capital para tirar o PT da disputa), o fiasco seria inevitável.

Durante a entrevista, Boulos bateu na tecla de que para definir o apoio, é preciso discutir um programa com o PT dos quais destacou três pontos: 1) a revogação das reformas ocorridas desde 2016 e fim do teto de gastos; 2) uma reforma tributária e 3) uma agenda ambiental, afinal, o planeta estaria “pedindo socorro”. Obviamente não podiam ficar de fora as “pautas identitárias”.

Tanto o identitarismo quanto as tais políticas ecologicamente corretas, são flancos abertos pelo imperialismo para desestabilizar os governos de países atrasados. A CIA financia ONGs e grupos “ambientalistas” para impedir que países atrasados, como o Brasil, ampliem sua matriz energética ou explorem suas imensas riquezas naturais.

Recentemente, Lula foi criticado em uma coluna de autoria de Thiago Amparo na Folha de S. Paulo por aparecer na “foto branca Lula-Alckmin”. O identitarismo vai pleitear vagas para mulheres, negros, minorias sexuais, o que abre caminho para candidaturas como Simone Tebet ou Eduardo Leite, que se declarou gay com intenções claramente eleitoreiras.

A entrevista é basicamente um amontado de críticas ao PT e a Lula, feitas com o intuito de impedir ou protelar o eventual apoio, torná-lo tão condicional que possa ser alterado diante de pressões da burguesia golpista, que crescerão ao longo da campanha. O PSOL sabe que não tem condições de impor nada, pois é um partido muito menor. Se estivesse realmente interessado em apoiar, Boulos e o PSOL deveriam centrar fogo nos golpistas, deveriam fomentar a criação de comitês de Luta, ir atrás de apoio; organizar manifestações de rua em vez de sabotá-las como vêm fazendo sistematicamente.

Boulos é um político fabricado, impulsionado pela imprensa burguesa e vendido como uma grande liderança. Sua base social é praticamente nula, por isso precisa buscar apoio, não no povo, mas em setores intelectuais ou pequeno-burgueses.

Esse tipo de candidato não tem compromisso com a classe trabalhadora, apenas com a própria carreira, por isso não se importa em fazer esse jogo que, no final das contas, tem o mesmo significado e efeito do que estão fazendo MRT, MES e Revolução Brasileira: procurar minar a principal candidatura de esquerda, colocando-se ao lado do imperialismo e da grande burguesia nacional.

A resposta da classe trabalhadora tem que se dar na luta, nas ruas, na unidade em torno da candidatura de Lula, contra todas as alas da direita e por um governo dos trabalhadores, sem patrões e sem golpistas.

Central de Vendas

Entre em contato pelo WhatsApp  11 99867-9315 ou pelo E-mail jcoadm29@gmail.com

Precisa de ajuda?

Em caso de dúvidas, ou se quiser recuperar seu “Usuário”, envie mensagem para 11 99867-9315 ou pelo E-mail jcoadm29@gmail.com

Faça já sua assinatura digital de Causa Operária:
  • Assinatura Mensal Digital Completa (por quatro semanas) por R$ 11,99 um único mês, você pode optar pela renovação automática, descontando R$ 11,99 todo mês da sua conta.
  • Assinatura Semestral Digital Completa (por vinte e quatro semanas) por R$ 64,99 pagamento único.
  • Assinatura Anual Digital Completa (por quarenta e oito semanas) por R$ 99,99 pagamento único.

Menu Principal

Ajuda, Dúvidas e Televendas