Flagelo

A inflação e a comunidade negra: um barril de pólvora prestes a explodir

A comunidade negra brasileira é a mais vulnerável, a que mais sente os efeitos catastróficos dessa política de favorecimento aberto e explícito ao grande capital
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O mês de março terminou com o maior índice inflacionário para o mês, desde 1994, registrando um aumento de 1,62%. O País atravessa neste momento uma onda inflacionária que vem escalando, sendo que o ano de 2021 terminou com uma inflação acumulada para os 12 meses de 10,7%, de acordo com a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), alcançando a 4ª maior inflação dentre os 44 países avaliados pelo organismo. Nos últimos 12 meses a inflação acumulou aumento de 11,30%. O contraponto desta medida, da parte do governo, é a elevação da taxa de juros (Selic) no País, que não para de subir; os juros estão em 11,75% ao ano, maior taxa em 5 anos e o Banco Central projeta ainda um aumento da taxa.

No mundo da economia real, os índices representam a deterioração das condições de vida da população trabalhadora, uma redução drástica do poder de compra das famílias em decorrência do aumento dos preços (carestia) dos itens básicos (alimentação, transporte, aluguel, etc). Puxados pelo aumento dos combustíveis e do gás de cozinha, esses itens consomem parte substancial dos salários. De outro, a escassez do crédito, que fica mais caro, aparece como um verdadeiro estelionato praticado pelo bancos, assim como mais inacessível à população pobre. 

Ante a redução forçada do consumo e da oferta de crédito para pequenos investidores e produtores, o desemprego assume aspecto fundamental na economia capitalista para impedir que o valor pago pela mão de obra (salário) também aumente na mesma proporção. O desemprego, que já atingiu índices superiores a 14% durante o período da pandemia, permanece ainda em patamar altíssimo, estando hoje em cerca de 11%, isso sem considerar os desalentados e os que estão em subempregos, isto é, pessoas que pararam de procurar emprego e os que estão em trabalhos precários, com jornada menor e recebendo menos de um salário mínimo.

Neste cenário trágico, a comunidade negra brasileira é a mais vulnerável e a que mais sente os efeitos catastróficos dessa política de favorecimento aberto e explícito ao grande capital, aos especuladores, contra a economia nacional e de enormes sacrifícios à maioria da nação. Uma pesquisa da consultoria do IDados, baseados nos dados do IBGE, mostrou, no final de 2021, que dos negros ocupados, 43,1% recebem até um sálario minimo. Isto desconsiderando a parte em idade de trabalho, mas que não ocupada, isto é, vivendo de “bicos” ou na informalidade. Os negros ainda figuravam entre a maioria entre dos desempregados e subempregados do país, no segundo trimestre de 2021. De acordo com a PNAD, a taxa de desemprego entre trabalhadores identificados como pretos e pardos era de 16,2%, enquanto a dos brancos estava em 11,7%.

Portanto, a política neoliberal, acompanhada de todos os seus nefastos resultados está vinculada diretamente ao aumento da opressão racial no País. Empurrando milhoes de trabalhadores negros e negras para o flagelo do desemprego, da miséria e da barbárie social, a burguesia pode manter o valor da força de trabalho em geral o mais desvalorizado possivel, mesmo em meio a uma crise inflaconária. Portanto, a luta contra o regime burguês de fome, miséria e opressão da burguesia se coloca como uma luta de primeiro plano, a mais importante e decisiva para todos os segmentos oprimidos do País, em primeiro lugar a luta da comunidade negra brasileira. 

A inflação coloca de maneira mais clara essa questão fundamental e que torna a classe operária aliada principal do movimento negro, seja por ser o negro a maioria, seja porque seus interesses estão intimamente vinculados. A inflação cria uma situação explosiva no cenário político, uma luta em defesa da sobrevivência física da classe operária e dos demais segmentos de trabalhadores, arrastando todos os setores que sofrem direta e/ou indiretamente os efeitos da enorme exploração que o capital impõe às massas populares, hoje vivenciando uma situação de pauperização social nunca antes vista em tempos recentes da história nacional.

A espiral inflacionária, todavia, já vem provocando seus primeiros efeitos no movimento, no estado de ânimo da luta operária. Não por acaso, um dos primeiros segmentos de trabalhadores, em paralelo com a mobilização dos servidores públicos a entrar em movimento foi uma categoria composta por trabalhadores de cor negra, os garis do Rio de Janeiro, que estavam reivindicando 25% de aumento salarial, dentre outros ítens de uma pauta que dizia respeito basicamente a questões econômicas, ou seja, de defesa da sobrevivência. No rastro da mobilização dos garis cariocas, eclodiu também uma gigantesca mobilização de operários da CSN, de Volta Redonda/RJ. Uma paralisação se seguiu à mobilização, com contornos de enorme radicalização envolvendo mais de 6 mil trabalhadores de uma das mais importantes bases operárias do País.

Aqui é o momento oportuno para juntar as forças da classe operaria e do movimento negro no sentido de colocar em marcha uma campanha fundamental contra os capitalistas exploradores e o Estado; a luta por um salárío mínimo vital; a defesa do poder de compra dos salários corroído pela inflação, com a exigência do gatilho salarial; a redução da jornada de trabalho sem redução salarial, oferecendo oportunidade para que todos trabalhem, com a exigência de mais contratações, com todas as garantias sociais e não ao trabalho precarizado. 

É hora de lançar uma luta pela libertação do negro oprimido, assim como em defesa das condições de vida dos trabahadores brasileiros.

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