O EAD, a pandemia e a destruição da educação pública

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O Ensino a Distância (EAD), implantado nas escolas para substituir as aulas presenciais durante o período da pandemia do coronavírus, revelou que o processo foi implantado sem planejamento, sem investimento adequado, sendo que as consequências aparecem agora com o retorno às aulas presenciais.

O período da pandemia, com aulas à distância e ausência de contato, com excesso de telas, deixaram as crianças menos dispostas, mais dispersas, com dificuldades para interagir com outras crianças, dificuldade para amarrar o tênis e escrever, atividades que fazem parte dos primeiros anos básicos para o aprendizado nas escolas.

Também foi percebido pelos professores atraso na fala, acentuando o número de crianças com dificuldade para fazer o movimento de pinça para segurar o lápis. A posição que adotam quando sentados remete à situação de utilização do celular e são constantes os pedidos para utilizar o aparelho para joguinhos e vídeos.

Depois das aulas à distância, as crianças retornaram à escola sem saber ler e escrever.  Isso revela o abandono do poder público, em especial o federal para a área de educação, deixando para a iniciativa de voluntários o atendimento de cerca de 220 mil pessoas no quesito de desenvolvimento da leitura.

A implantação de aulas à distância foi adotada como critério de redução dos custos de manutenção com os prédios, com os salários de professores e alunos tendo como pretexto a chegada da pandemia. Lembremos que a intenção de utilizar esse recurso é anterior à pandemia, inclusive já existiam alguns cursos funcionando neste formato

Nota-se, assim, que a pandemia veio a calhar com a intenção do estado burguês de liquidar completamente o ensino público, como reza a cartilha do neoliberalismo. Esse é um modelo de educação onde os alunos não aprendem nada e o coronavírus cai como uma luva, uma desculpa perfeita para reduzir os investimentos na educação.

Se antes da pandemia as escolas já não ofereciam a menor condição para o aprendizado, com redução do quadro de professores e funcionários, congelamento dos salários dos servidores por vários anos, falta inclusive de papel higiênico nos banheiros, tudo piorou ainda mais, com as escolas completamente sucateadas. Durante a pandemia não houve cuidados mínimos para garantir alguma condição para o aprendizado. O EAD também se mostrou um processo altamente ineficaz e sem condição de minimamente ensinar o que as aulas presenciais fazem.

Quando as crianças não desenvolvem a habilidade de se conectar com outra pessoa, isso irá refletir na fase adulta, permanecendo a dificuldade. Todo esse prejuízo imposto às  escolas e à educação de uma forma geral faz parte de uma política deliberada dos governos burgueses para transferir ainda mais  recursos públicos aos bancos, via pagamento dos juros extorsivos da dívida pública que a cada dia estrangula ainda mais a capacidade de investimento do Estado, impossibilitando-o da oferta e serviços essenciais à população, especialmente a mais carente, como saúde, educação, transporte, habitação, etc.

Tudo isso é consequência da política adotada pelo estado burguês-neoliberal, que tem como objetivo central a destruição da educação e demais serviços públicos, privatizando tudo para assim garantir lucros cada vez maiores às empresas e aos bancos. 

E por outro lado, os trabalhadores é quem pagam a conta das crises endêmicas do sistema e o parasitismo das empresas que só através do estado conseguem seus lucros. Pura incapacidade de continuar a existir por recursos próprios.

Portanto, nem a crise econômica iniciada em 2008 ou a da pandemia parecem ter algum sinal de chegar ao fim, o que nos coloca na situação de que o mais provável é que tudo isso vai se aprofundar rumo ao caos generalizado.

E para evitar o pior para as empresas e os  bancos, decidiram por fazer os alunos voltarem às aulas presenciais, em meio a uma nova cepa de vírus, ainda mais contagiosa, sem preparação e adequação dos espaços para garantir o distanciamento adequado e outras medidas preventivas. 

Jogam professores, alunos e funcionários a morrerem pelo vírus e ainda conviver com o pânico de poder se contaminar e vir a sofrer as consequências por contrair a doença. Tudo isso para que a economia, as empresas possam sobreviver, às custas da saúde e da vida da população.  O importante para o Estado e o grande capital é salvar a economia, não exatamente a economia popular, mas aquela que garante os astronômicos lucros capitalistas.

Tudo isso prova que o sistema capitalista está mesmo prestes a receber o atestado de óbito, abrindo a janela de oportunidades com um governo popular onde os trabalhadores controlem as empresas, o Estado e a produção, reorganizando a sociedade sob bases socialistas. 

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