Simbólico

Identitárias e esquerda burguesa despolitizam o 8 de Março

A burguesia se esforça para que o 8 de Março não seja uma data de luta pelas reivindicações das mulheres trabalhadores, identitários fazem o mesmo
Share on facebook
Share on twitter
Share on whatsapp
Share on telegram
Share on email

Neste 8 de março ocorreram atos por todo o país em razão do Dia Internacional da Mulher Trabalhadora. E o que mais chamou a atenção nesses atos foi a sua completa despolitização: quase não se falava em Lula Presidente; em alguns lugares, os organizadores se esforçaram para tornar os atos verdadeiras atividades circenses; em outros, serviu quase como comício para candidatos da esquerda pequeno-burguesa.

Primeiramente, é preciso que se entenda a necessidade real do Dia da Mulher para os oprimidos. Para um marxista, este é um dia muito importante, pois cumpre a função de mobilizar o povo em torno de um programa, que trata da questão da mulher, mas de modo algum se limita a ela: o problema da opressão da mulher só pode ser resolvido em conjunto dos outros problemas da sociedade, através, em última instância, de uma revolução socialista. Ou seja, a questão da mulher só pode obter avanços na medida em que esteja conectada à luta da classe operária e ao programa da classe operária.

A principal reivindicação, no momento, para os operários é a derrota do golpe de Estado e a volta de Lula à Presidência. Neste sentido, um ato verdadeiramente combativo deveria dar um destaque especial à palavra de ordem Lula presidente, além de tratar das reivindicações reais que sejam capazes de promover avanços na questão da mulher – tais quais o direito ao aborto e a construção de creches.

No entanto, obviamente, a burguesia tenta, por todos os meios possíveis, impedir que os atos do Dia da Mulher tenham um caráter combativo. Na medida em que o problema da mulher só pode ser resolvido de maneira real pela mobilização e pela organização da classe operária, o que leva, imediatamente, à reivindicação pela solução do conjunto dos problemas do país – e, em especial, a luta pela eleição de Lula –, a burguesia necessita que se desmobilize os atos, que se retire seu caráter combativo. E o identitarismo cumpriu um importante papel nisso.

Com o objetivo de tentar frear a luta pela candidatura de Lula e manter a sujeição da mulher à opressão, a burguesia se utilizou do identitarismo para arrancar o caráter combativo dos atos. Por exemplo, no Rio de Janeiro, os identitários que organizaram o ato realizaram verdadeiras atividades circenses – tal hora, um grupo de mulheres, andando em cima de uma perna de pau, desfilaram sem roupa.

Em São Paulo, onde o ato foi consideravelmente maior, tentaram proibir o PCO de falar no carro de som. Mesmo o PCO tendo se inscrito para falar no carro de som no dia anterior. Enquanto isso, organizações pequeno-burguesas, como o PSOL e o PCdoB, tinham amplo espaço para falar, sendo disponibilizado tempo às diversas organizações satélites desses partidos.

E todas as falas em São Paulo seguiam o mesmo tom: os identitários faziam reivindicações de pouca ou nenhuma diferença para as mulheres e para o conjunto da sociedade, atacavam a Rússia – ou seja, colocavam-se ao lado da OTAN e da direita neonazista da Ucrânia –, pediam o “desarmamento mundial”, entre outros absurdos.

Apesar da tentativa de proibir o PCO de falar, a companheira Nina Tenório, coordenadora do Coletivo Rosa Luxemburgo, conseguiu fazer uso da palavra no carro de som, por pouco mais de um minuto. Ela destacou que, após o golpe de Estado, a situação das mulheres piorou muito, sendo as mais afetadas pelo alto índice de desemprego no País.

“Por isso estamos aqui todo domingo nos mutirões para chamar por Lula presidente que é a única candidatura da esquerda que pode vencer as eleições”, afirmou.

Também denunciou a agressão imperialista contra a Rússia e as mentiras da imprensa, se contrapondo às outras falas no ato que atacavam a Rússia e faziam frente com o imperialismo e a OTAN. “Eu gostaria aqui de expressar todo o meu apoio à operação russa na Ucrânia. Fora OTAN, fora imperialismo da Ucrânia e Lula presidente.”

Em Brasília, a situação nos carros de som era ainda pior. De maneira descarada, usaram-no como forma de fazer campanha para candidatos ao governo ou a deputados, ao passo que evitavam ao máximo fazer qualquer menção à candidatura de Lula – única capaz de derrubar o regime político do golpe.

E assim foram os atos em todas as outras cidades que os tiveram. Palavras de ordem vazias de conteúdo político, com as organizações da esquerda pequeno-burguesa se recusando a apoiar Lula, ficou claro que a política da burguesia para a situação é a política de desmobilizar a luta das mulheres.

A campanha que a burguesia faz para tornar o dia 8 de março um dia festivo e não um dia de luta ganha cada vez mais espaço nas direções da esquerda. Isso, no entanto, não atende a nenhum interesse real dos oprimidos, mas, ao contrário, ataca a única forma que a classe trabalhadora tem de se defender, que é através da sua própria organização e da sua própria luta.

As direções da esquerda pequeno-burguesa sequer convocaram de maneira decente o ato. Tratou-se, novamente, de um esforço para que a maior parte dos manifestantes fosse composta apenas por identitários e pessoas ligadas a essas burocracias, afastando a participação dos trabalhadores. Ao não convocar para o ato do Dia da Mulher, ao afastar os trabalhadores e ao tentar torná-los meras atrações circenses, os identitários apenas comprovaram que querem destruir a luta independente da mulher e subordiná-la à Rede Globo.

Para os identitários que sabotaram os atos do Dia da Mulher, a luta pela libertação da mulher se limitaria a coisas como o aumento de penas a quem cometesse um crime contra a mulher, a distribuição de absorventes e a proibição do uso de tais ou quais termos que pudessem ser considerados ofensivos. Agora, no que se refere à luta por Lula presidente, pelo direito ao aborto, pela construção de creches, à luta contra o imperialismo e pela mobilização do conjunto da classe operária em atos combativos e não festivos, eles não deixam uma palavra sequer. Isto é, para os identitários, os atos do Dia da Mulher deveriam se limitar a uma demagogia barata.

Ao tentar afastar os trabalhadores do ato, ao tentar ignorar que o Dia da Mulher surgiu da luta revolucionária da mulher trabalhadora e segue irresistivelmente ligado a ela, a esquerda pequeno-burguesa revela o seu caráter. Ela deixa claro para todos que funciona como um apêndice da burguesia e do imperialismo dentro do movimento de massas.

A luta pela libertação das mulheres está indissoluvelmente ligada à luta da classe operária de conjunto. É preciso, portanto, entender que os atos devem ser verdadeiramente combativos, com a participação das amplas massas de trabalhadores: só assim se poderá avançar na questão da mulher e na luta por fora Bolsonaro e por Lula presidente. A tentativa de despolitizar os atos, ou seja, a tentativa de tornar os atos algo fora da realidade objetiva e, portanto, da luta da classe trabalhadora, apenas tem a função de desmobilizá-los e de torná-los inofensivos à burguesia e ao imperialismo. Não é à toa que a Rede Globo, o imperialismo e a direita nacional promovam tanto o identitarismo: ele é um movimento inimigo dos trabalhadores de conjunto, pois é um movimento que serve para substituir a luta política real e concreta por uma “luta” subjetiva, que consiste em símbolos, em aparência e em mudar tais ou quais termos ou palavras.

Central de Vendas

Entre em contato pelo WhatsApp  11 99867-9315 ou pelo E-mail jcoadm29@gmail.com

Precisa de ajuda?

Em caso de dúvidas, ou se quiser recuperar seu “Usuário”, envie mensagem para 11 99867-9315 ou pelo E-mail jcoadm29@gmail.com

Faça já sua assinatura digital de Causa Operária:
  • Assinatura Mensal Digital Completa (por quatro semanas) por R$ 11,99 um único mês, você pode optar pela renovação automática, descontando R$ 11,99 todo mês da sua conta.
  • Assinatura Semestral Digital Completa (por vinte e quatro semanas) por R$ 64,99 pagamento único.
  • Assinatura Anual Digital Completa (por quarenta e oito semanas) por R$ 99,99 pagamento único.

Menu Principal

Ajuda, Dúvidas e Televendas