Análise marxista do Brasil

As grandes navegações: Um acontecimento revolucionário da maior importância

Vanguardismo português foi decisivo para a criação do capitalismo e a superação da “Idade das Trevas”
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Na imaginação da maioria das pessoas, o papel de vanguarda dos portugueses, do ponto de vista do avanço da civilização, fica completamente apagado. Assim como caracterizou Marx, as “Grandes Navegações” foram um ponto de virada que, efetivamente, representaram o impulso que a sociedade do século XV necessitava para lançar-se à empreitada do capitalismo. Nesse sentido, representou o início do ocaso do feudalismo.

Foi esse o tema da última aula do mais novo curso da Universidade Marxista, intitulado “Brasil, 500 anos de história”. Ministradas pelo companheiro Rui Costa Pimenta, Presidente Nacional do Partido da Causa Operária, as aulas vão ao ar todos os dias, às 18h30, pela plataforma online da Universidade Marxista.

Os tambores da revolução

Em Portugal, agrupar-se-ão as melhores cabeças da arte da navegação que, à época, tratava-se de tecnologia de ponta. Algo semelhante à exploração espacial dos dias de hoje. A principal figura do início da era das descobertas foi o infante Dom Henrique, chefe da Ordem de Cristo.

Dom Henrique utiliza os conhecimentos, os recursos e o financiamento da Ordem de Cristo para organizar um projeto de exploração marítima nunca antes visto na história de toda a humanidade.

Aqui, é importante lembrarmos que, naquela época, não havia, por parte do ser humano, um conhecimento do que era o planeta terra, o que era a própria humanidade, em que lugares estariam os homens no planeta, onde levavam os mares. Como destacou o companheiro Rui, a “Idade das Trevas era, nesse sentido, uma completa ausência de consciência.”

Hoje em dia, falamos sobre a humanidade, sobre 7 bilhões de pessoas. Para o ser humano daquela época, isso simplesmente não existia. Os europeus conheciam a Europa, pouquíssimo do Norte da África, e um pouco do Oriente, um mundo maravilhoso e desconhecido.

“Quando Marco Polo faz sua viagem para a China e escreve seu livro, isso causa na Europa um deslumbramento extraordinário. É como se alguém tivesse escrito um livro sobre Marte”, destacou o companheiro Pimenta.

Naquele momento, o capitalismo começa a se expandir, e as descobertas dos portugueses vão significar uma revolução, em todos os sentidos, na vida dos europeus. Por extensão, uma revolução no motor de todo o desenvolvimento capitalista da humanidade e, portanto, do desenvolvimento econômico, social e intelectual da humanidade.

E mais. Quem está na dianteira desse processo, quem possui o melhor conhecimento de como seria o mundo, quem está na ponta dessa discussão são os portugueses, inegavelmente:“Os portugueses são, nesse sentido, o povo mais desenvolvido da Europa. Eles têm o conhecimento náutico, eles têm o conhecimento da construção náutica, além deles terem juntado todos os mapas conhecidos e terem transformado todos os instrumentos de medição conhecidos em instrumentos de navegação. Os portugueses vão dominar tudo isso”, explicou o companheiro Rui.

Os portugueses na vanguarda

Além de os portugueses serem pioneiros na arte da navegação, eles também são pioneiros na ampliação do comércio internacional e na colonização de territórios fora da Europa. Ou seja, a ideia de colonização começa por Portugal, que vai colonizar os Açores e a ilha da Madeira, como uma verdadeira experiência piloto do que foi feito nas Américas. Em outras palavras, os portugueses farão a primeira experiência de realocação das populações, o que conhecemos hoje como colonização.

Parte da campanha contra a cultura brasileira é brutalmente dirigida à história de Portugal. Criou-se a ideia de que os portugueses não teriam feito colonizações que visavam ocupar determinado território. Mas sim, colonização de exploração, de espoliação. Como colocou Pimenta, isso não é só uma grande bobagem, como o contrário da realidade. “Os Portugueses foram os primeiros a inventar a ideia de que você podia chegar em um lugar e povoar esse lugar”, disse Rui.

Isso sem contar o fato de que os portugueses foram os primeiros a chegarem em praticamente todos os lugares da África. Eles mapearam e mostraram ao mundo o que era a África.

O que há de errado em falar “índios”?

Em meio a essa campanha identitária, surgiu a tese de que chamar índios de índios seria algo preconceituoso. Uma das explicações se dá, justamente, por meio da distorção da história das “Grandes Navegações” portuguesas.

Diz-se que o nome “índios” vem do seguinte acontecimento: os portugueses, ao descobrirem a América, se enganaram e pensaram ter chegado às Índias, chamando, então, os habitantes aqui encontrados, de índios. Isso, todavia, não passa de uma grande falsificação histórica.

É claro que os portugueses não se enganaram. Afinal, eles já haviam chegado às Índias antes! Como eles iriam se confundir com um local já descoberto? A frota de Cabral, dois anos depois que Vasco da Gama viajou às Índias, foi enviada para consolidar o trabalho deste último. Ou seja, Cabral conhecia bem as Índias.

Por outro lado, foi Colombo quem chegou às Antilhas e, ingenuamente, imaginava que havia chegado às Índias. Exatamente porque ele sua frota nunca havia ido lá. Por isso, ele chamou os habitantes de índios. Depois disso, os EUA também utilizaram muito essa nomenclatura e, então, tornou-se o nome dos povos indígenas.

O papel que cumpriu a monarquia portuguesa

Já vimos que, de forma geral, os reis portugueses tiveram atividades extremamente construtivas. Temos uma sequência de monarcas portugueses que cumpriram papéis de extrema importância para a história. Tivemos Dom João I, que o filho, Dom Henrique, organizou as navegações. Depois, Dom Duarte, irmão de Henrique, assumiu o trono. Conhecido como “Rei Filósofo”, Duarte deu continuidade às navegações.

Entretanto, durante o reinado do Rei Dom Afonso IV, as navegações deixaram de ser o foco principal da Coroa. Conhecido como “O Africano”, Afonso se dedicou mais à conquista da África do que propriamente às navegações.

Já Dom João II, herdeiro do trono seguinte, vai retomar a atividade das descobertas e dar um impulso decisivo nas navegações, colocando a nobreza portuguesa completamente de joelhos. Foi conhecido como “O Príncipe Perfeito”.

As descobertas de Vasco da Gama

Vasco da Gama entrou para a história como uma das figuras mais importantes de toda a humanidade. Ou, pelo menos, deveria ser.

Ele descobriu o caminho marítimo às Índias, um avanço descomunal naquele período. Afinal, a Europa estava em pleno desenvolvimento, com um comércio que está se expandindo; é o capitalismo efetivamente nascendo. Para isso, era preciso alimentar o comércio da região com determinado tipo de mercadoria. Essas mercadorias vinham do Oriente que, até então, só era acessível por meio de rotas terrestres.

Se hoje já é um longo caminho, na época era um abismo. Afinal, não existiam estradas, o caminho era extremamente incerto. E nem falar dos meios de transporte terrestres da época.

Nesse sentido, as descobertas de Vasco deram ao comércio, à navegação e à indústria um impulso nunca antes visto. Portanto, foram um elemento revolucionário no desenvolvimento do capitalismo que, inclusive, foi decisivo na própria liquidação da ordem feudal, rumo ao capitalismo, como descreveu Marx no Manifesto do Partido Comunista.

Frente a isso, procurando, mais uma vez, sabotar a história do desenvolvimento da humanidade, o identitarismo caracteriza essas descobertas de horrores, de demonstrações de ódio dos brancos contra os negros. Efetivamente, isso não passa de uma artimanha lógica, isso não é a história. Inclusive, é a mesma coisa que o identitarismo tenta fazer com a questão dos Bandeirantes no Brasil.

Finalmente, a história da humanidade não é somente sobre o sofrimento dos humanos, mas sim sobre tudo que conduziu ao desenvolvimento do mundo. É impossível negar que o mundo moderno é resultado dessa epopéia das navegações.

“O que foi mais decisivo? A escravidão ou a evolução da sociedade em torno de sua libertação? O segundo, obviamente. Até porque a escravidão está em toda a história das sociedades. Até hoje existe, o trabalho assalariado é uma escravidão, não é uma libertação […] Ou seja, as pessoas que querem colocar a escravidão antiga como um grande mal querem encobrir a escravidão de hoje, querem esconder o fato de que a humanidade sempre foi construída sobre escravos […] Colocar a escravidão contra o desenvolvimento da humanidade é uma fábula que disfarça a exploração do capitalismo de hoje”, explicou o companheiro Rui Pimenta.

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