Luta de classes na prática

Para os banqueiros, 50 mil vezes mais que para os desabrigados

Governo promete destinar para o “socorro” às vítimas das enchentes cerca R$50 milhões, em ano que banqueiros abocanharam quase R$2,5 trilhões do orçamento federal
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Enquanto o ano se encerrava com mais de 30 mortes nas enchentes que atingiram a Bahia (veja matéria na pág. B2) e Minas Gerais, Bolsonaro anunciou seu “plano de socorro”. Com mais de 100 mil desabrigados apenas nestes dois Estados e a perspectiva de que situações semelhantes pudessem se reproduzir em outros estados como Rio de Janeiro e São Paulo, foram prometidos R$50 milhões como auxílio às vítimas.

Menos de R$500 por desabrigado

Na última semana de 2021, além das vítimas fatais somente no estado da Bahia, as estimativas eram de que pelo menos 629.400 pessoas foram atingidas pelas chuvas; 116 municípios teriam sido afetados no estado e o número de cidades que decretaram situação de emergência chegou a 100. Em Minas, 63 cidades decretaram situação de emergência devido às chuvas intensas.

Diante desse quadro tenebroso e com tendências a se agravar, o ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho (ex-PSB, ex-PSDB e hoje no PL), em entrevista ao programa governamental de rádio A Voz do Brasil declarou, com certo entusiasmo, que “cerca de R$ 15 milhões foram disponibilizados inicialmente para atender municípios da Bahia atingidos pelas fortes chuvas das últimas semanas” e, repetindo o presidente Bolsonaro, disse que quase R$ 50 milhões estão “em vias de serem liberados”. Em todo o País, a imprensa capitalista passou a divulgar o montante como se tratasse de uma verdadeira fortuna, quando o total a ser liberado equivale a menos de R$500 para cada desabrigado pelas chuvas, caso esses valores fossem repassados diretamente aos atingidos, o que não irá acontecer.

Cinicamente o ministro afirmou:

“Fizemos uma série de ações ligadas ao resgate de pessoas, transporte de alimentação para áreas que estavam sem capacidade de se ligar à sua condição logística comum, desobstrução de estradas, medicamentos. É o que nós chamamos de resposta: num primeiro momento, disponibilizamos recursos para que os municípios possam comprar alimentos, mantimentos”, explicou” (Agência Brasil, 29/12/21).

A desfaçatez foi tamanha que o conciliador governador da Bahia, Rui Costa (PT), useiro e vezeiro em capitular diante da direita golpista protestou timidamente dos parcos recursos, diante do que considerou “o maior desastre natural da história” da Bahia.

Mais demagogia

Dias antes, o próprio presidente Bolsonaro, diante da “pressão” de deputados baianos, se comprometeu a liberar R$200 milhões para municípios atingidos pelas chuvas na Bahia, mas afirmou que só deveria assinar uma Medida Provisória nesse sentido no início de 2022. “Prá que pressa”? A maioria dos atingidos é gente pobre, preta e não são eleitores do capitão fascista.

Sobrando dinheiro

A “pão-durice” com os recursos públicos quando se trata de atender à população pobre em desespero contrasta com a benevolência com a distribuição de recursos do orçamento federal para os banqueiros e outros tubarões capitalistas. Estimativas apontam que os banqueiros, devem fechar o ano com o faturamento de mais de R$2,5 trilhões recebidos do Tesouro, a título de pagamentos de juros e serviços da dívida pública fraudulenta, o que foi incrementado pela explosiva alta da taxa de juros ao longo do ano passado, sob o beneplácito do Banco Central “autônomo” – autônomo do controle popular e totalmente subserviente aos interesses dos banqueiros.

Mas mesmo com tamanha doação para o “Bolsa-banqueiro”, o governo federal, juntamente com com toda a direita, à frente da maioria dos estados e municípios, terminou o ano comemorando o “êxito financeiro”.

Segundo o secretário do Tesouro Nacional, Paulo Valle, na última semana do ano passado, “o setor público consolidado, que inclui o governo federal, estados, municípios e empresas públicas, pode fechar 2021 com superávit primário nas contas públicas, prevê o Tesouro Nacional. Este seria o primeiro resultado positivo desde 2013”.

O resultado primário é formado por receita menos despesas, sem considerar os gastos com juros. O que o governo e toda burguesia comemoram é que a economia de recursos com o povo, ou seja, menos gastos com Saúde, Educação, saneamento etc. garantiu mais recursos para distribuir para os bancos, grandes monopólios e suas máfias políticas.

O próprio secretário do Ministério da Economia explicou que isso deve ocorrer, com a colaboração dos governos de todo o País, pois “o déficit primário do Governo Central (Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central) será menor do que o previsto inicialmente, ficando abaixo do superávit primário das contas estaduais”

Ele estimou que deve haver, por exemplo, “cerca de R$ 70 bilhões [de déficit] do Governo Central e o dos estados for [superávit], por exemplo, de R$ 75 bilhões, a gente está falando de um superávit primário de uns R$ 5 bilhões” (IstoÉ Dinheiro, 29/12/21).

Não é obra do acaso 

O enorme sofrimento do povo no final de 2021, em todas as suas formas, não é obra do acaso.

As chuvas são comuns nesta época do ano e tendem a se agravar trazendo consequências cada vez mais drásticas diante da total falta de investimentos públicos em obras de prevenção. O que já era ruim, agravou-se, de forma brutal desde o golpe de Estado de 2016.

Cada vez mais, nos últimos anos, os recursos que faltam para socorrer os atingidos pelas chuvas e por tantas outras desgraças que atingem o povo brasileiro, sobram para fazer a farra dos abutres que parasitam os cofres públicos e fazem a festa com o dinheiro dos impostos e dos salários expropriados do povo trabalhador.

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