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Os votos de ano novo de Israel: “mais tortura e sofrimento”

Na sequência de um trágico 2021 para palestinos, direita sionista aponta para novos massacres
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Enquanto o mundo celebrava a chegada de 2022, o exército israelense planejava seu primeiro bombardeio de Gaza do ano. No dia primeiro de janeiro, tanques israelenses lançaram foguetes contra a região norte do enclave. Além disso, a cidade de Khan Younis, localizada no sul de Gaza, foi alvo de um bombardeio aéreo por parte das forças de ocupação.

As Forças de Defesa de Israel (FDI) – um tanto quanto agressivas para o nome – relataram que seus ataques foram retaliatórios. Algumas horas antes da ofensiva, mísseis lançados a partir de Gaza atingiram a costa de Tel Aviv. Logo após o ocorrido, porém, autoridades palestinas e egípcias entraram em contato com Israel para avisar que o “ataque”, que não deixou vítimas ou causou danos, não havia sido intencional.

Um porta-voz da FDI relatou que os bombardeios israelenses atingiram centros de produção de mísseis e outras instalações do Hamas. Por outro lado, Hazem Qassem, porta-voz da organização palestina que comanda Gaza, acusou as forças sionistas de atacarem território agrícola.

Ocupação

O governo israelense sempre camufla suas ofensivas, sejam contra os palestinos ou outros povos locais, como ações defensivas. Enquanto os supostos ataques contra Israel, mesmo quando intencionais, deixam poucas ou nenhuma vítima, a retaliação é completamente desproporcional e destrutiva.

Esse vitimismo político oculta o papel opressor e expansivo que Israel cumpre na região. Algo que deve se aprofundar no governo do atual primeiro-ministro Naftali Bennett. No dia 26 de dezembro, o gabinete de governo de Bennett aprovou um plano para investir US$317 milhões em infraestrutura e construção de milhares de casas nas Colinas do Golã. O objetivo é duplicar a população na região, atualmente composta de cerca de 52 mil habitantes, até o final da década.

O Hamas imediatamente denunciou a medida. “Esses projetos de assentamento expõem mais uma vez o comportamento arrogante dos ocupadores e sua política expansionista, que desrespeita todas as leis e resoluções internacionais“, declarou Qassem em comunicado oficial. As Colinas do Golã não são habitadas majoritariamente por palestinos, mas são um território sírio anexado por Israel ilegalmente após a Guerra dos Seis Dias, em 1967.

O porta-voz do Hamas ainda convocou “as massas árabes e islâmicas” a se juntarem aos palestinos em resistência ao “projeto sionista”. Se o avanço sobre as Colinas do Golã acontece de forma mais aberta, os palestinos sofrem constantemente com o avanço igualmente ilegal, mas cauteloso e sorrateiro, sobre a Cisjordânia. De acordo com o portal Days of Palestine, apenas em 2021, mais de 12 mil unidades de assentamento israelenses foram construídas na região.

No último dia do ano passado, mais um palestino indignado com a situação foi assassinado pelo exército de ocupação na Cisjordânia. Os soldados acusaram a vítima de estar armada – com uma faca. A reação desproporcional remonta à “retaliação” contra Gaza.

Ano de tragédias

Em maio de 2021, Israel lançou sua quarta maior ofensiva contra um território palestino dos últimos 14 anos. Durante 11 dias, a faixa de Gaza foi bombardeada cruelmente. O ministério da Saúde local dá conta de 260 mortos, 67 dos quais eram crianças, e mais de 1.900 feridos. Os ataques também destruíram 1.800 moradias e ao menos 14.300 edifícios de outra natureza.

De acordo com reportagem do portal Al Jazeera, as reconstruções começaram no mês de dezembro. Gaza ainda sofre com o embargo econômico imposto tanto por Israel como pelo Egito desde 2007, o que dificulta a entrada de materiais de construções no país. 

Tudo isso aconteceu em meio à pandemia de covid-19, período durante o qual o bloqueio não foi suspenso nem para insumos médicos. Em toda a Palestina, apenas 28% estão vacinados, enquanto Israel já tornou obrigatória a quarta dose da vacina para parte de seus cidadãos.

Depois do que nós vimos este ano, eu não consigo esperar pelo melhor. Nossos dias são o mesmo. Eu acredito que o destino de Gaza é encarar mais tortura e sofrimento“, declarou ao Al Jazeera, Somayya, uma mãe de 35 anos cujo filho perdeu a visão nos bombardeios.

Os ataques de maio foram tão desumanos que provocaram um repúdio da imprensa internacional, que normalmente se mantém silenciosa diante dos crimes de Israel. A situação contribuiu para a campanha contra o ex-primeiro-ministro direitista, Benjamin Netanyahu, que não parecia mais apto para cumprir a política imperialista para Israel. Seu governo era tão instável que Netanyahu era alvo de protestos dos próprios israelenses.

O novo governo, formado por uma ampla aliança que objetivava tirar o “ditador” Netanyahu do poder, porém, não se mostrou menos desumano. Sob o comando “democrático” de Bennett, a direita liberal e partidos da esquerda moderada, o Meretz e o Partido Trabalhista, aplicam um verniz popular na política sionista do governo. Se para os israelenses há uma pequena diferença entre Netanyahu e Bennett, para os palestinos e outros povos árabes na região 2021 deixou claro que nada mudou.

Radicalização

Ainda que a dura e prolongada repressão deixe muitos palestinos desesperançosos, há um setor cada vez mais radicalizado. No último dia 29, Mahmoud Abbas, o presidente da Autoridade Palestina, que governa sobre todo o território palestino com exceção de Gaza, visitou o ministro da Defesa de Israel, Benny Gants. A visita foi duramente criticada pelos militantes palestinos mais aguerridos.

Incapaz de defender sua capitulação, em seu discurso realizado no 57º aniversário do Fatah, Abbas exaltou a necessidade de ampliar a “resistência popular” aos crimes de Israel. Em ocasião do aniversário, militantes do Fatah desafiaram ordens das autoridades israelenses e se manifestaram no centro da cidade de Ramallah, na Cisjordânia ocupada, empunhando bandeiras da Palestina e as bandeiras amarelas de seu partido.

O Fatah, reconhecido internacionalmente como representante do povo palestino, ficou muito desmoralizado por sua posição conciliadora em relação a Israel desde a virada do século. A desmoralização resultou na vitória eleitoral do Hamas em 2006, que é sancionado internacionalmente, taxado de organização terrorista.

Para sobreviver politicamente no cenário atual, o Fatah tende a se radicalizar. Militantes de base mostram disposição e cobram os dirigentes. 

Em 2021 houve, pela primeira vez em muito tempo, protestos palestinos nas ruas de Jerusalém. Além disso, a derrota dos norte-americanos no Afeganistão elevou a moral de todos os povos árabes esmagados pelo imperialismo no Oriente Médio. O líder do Hamas esteve entre os primeiros dirigentes políticos a saudar o Talibã pela vitória, classificando-a como “uma inspiração”.

Apesar de Israel ter aberto o ano com mais uma ofensiva criminosa, 2022 pode abrigar uma reviravolta política para as décadas de opressão do povo palestino. 2021 confirmou que não há mais nada a perder.

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