O “exemplo poderoso” do Chile

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O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, conversou com o presidente eleito do Chile, Gabriel Boric, no último dia 30, parabenizando a vitória do chileno e destacando que as “eleições livres e justas” são um “exemplo poderoso para a região e o mundo”. Embora muito besteirol demagógico seja dito nesse tipo de diálogo, há razões para crer que Biden está indicando uma política com suas felicitações ao “ultraesquerdista” chileno.

Isso porque o “exemplo poderoso” foi resultado de uma série de golpes, que destacadamente envolvem a derrota do Partido Comunista Chileno nas primárias da federação de esquerda “Apruebo Dignidad” e de seu candidato ao pleito de 2021, Daniel Jadue. Prefeito na região metropolitana da capital chilena, Santiago, Jadue era a figura mais popular, sendo também o mais cotado para vencer as eleições chilenas até perder a indicação do “Apruebo Dignidad” para disputar a eleição presidencial, sendo derrotado por Boric.

Por meio de doses cavalares de demagogia identitária – usadas como cobertura para políticas abertamente reacionárias -, o imperialismo praticamente transformou Boric em um candidato e mais ainda, em um esquerdista. Com a profunda debilidade do regime chileno, mais um mandato de direita poderia dar um rumo imprevisível à explosão social que o país andino vive desde 2019, tornando necessário um esquerdista de confiança para impedir a escalada da crise no país.

Sob uma intensa campanha publicitária, o ex-líder estudantil fora transformado em um representante da extrema esquerda. A operação realizou-se mesmo com Boric atacando aberta e gratuitamente os regimes de esquerda da América Latina, trazendo pinochetistas para sua equipe econômica, caso Roberto Zahler, ex-presidente do Banco Central de Pinochet, além de manter em sua assessoria econômica Andrea Repetto, diretora da ONG “Espacio Público”, que despudoradamente, exibe o apoio financeiro do NED, da Fundação Ford e outros instrumentos golpistas do imperialismo.

Mesmo sob o calor das revoltas populares de profunda radicalidade iniciadas em 2019, Gabriel Boric revelou-se politicamente alheio às manifestações ao defender que os presos políticos de Piñera permaneçam presos. Um ótimo negócio para o imperialismo, além de uma experiência que pode facilmente ser transplantada, como pediu Biden, “para a região e o mundo”.

No Brasil, pululam candidatos a Boric, entre os quais Guilherme Boulos aparece como o mais desenvolvido, mas está longe de ser o único. Seu partido, o PSOL, já foi apoiado à luz do dia por banqueiros como Armínio Fraga e até mesmo pela Rede Globo, um dos principais órgãos de propaganda do imperialismo no País.

Em toda a América Latina, figuras como o equatoriano Yaku Pérez brotam das sementes plantadas pelo identitarismo, abrindo uma nova possibilidade de intervenção imperialista sob um disfarce esquerdista. O mais bem acabado sucesso de tais manobras, observado na eleição chilena, certamente é algo a ser comemorado pelo imperialismo e observado atentamente pelos setores verdadeiramente combativos da esquerda.

Finalmente, o “poderoso exemplo” dos Andes revela a importância dos setores mais conscientes da esquerda, no Brasil e na América Latina, a apoiarem as expressões do repúdio popular ao imperialismo, mesmo que confusas. No Brasil, isso se traduz de maneira prática na luta por Lula presidente, uma condição fundamental para que as lutas populares desenvolvam-se de maneira mais propícia aos trabalhadores e às amplas massas.

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