Na crise, lucros se apoiam no assalto aos trabalhadores

Salários achatados e expropriação direta do Tesouro Nacional garantem sobrevida à burguesia
Share on facebook
Share on twitter
Share on whatsapp
Share on telegram
Share on email

Segundo o “Salariômetro” da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), o reajuste médio obtido pelos trabalhadores por meio de negociações coletivas entre janeiro e novembro foi de 6,5%. No mesmo período, contudo, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) atingiu 8,4%. O indicador, elaborado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mede a inflação nos bens mais consumidos pelas famílias com ganhos de até cinco salários mínimos mensais, indicando finalmente que o achatamento dos salários foi a norma em 2021.

Até novembro de 2021, segundo a Fipe, 51% das negociações salariais fechadas ficaram aquém da inflação, enquanto 30% apenas empataram. Somente 19% conseguiram superar a carestia.

Segundo o relatório Focus, elaborado pelo Banco Central (BC) e divulgado no último dia 3, a estimativa dos setores mais poderosos da burguesia, os banqueiros, é de que o PIB brasileiro cresça apenas 0,4% em 2022. Caso a estimativa se confirme, o desemprego oficial (e questionável) de 12,1% tende a permanecer inalterado, na mais otimista das hipóteses, levando a uma forte pressão contra a classe trabalhadora.

“Foi um ano muito ruim”, afirmou Hélio Zylberstajn, professor da FEA/USP e coordenador do “Salariômetro”, ao Correio Braziliense (“Reajuste médio no salário de funcionários do setor privado fica em 6,5%”, 6/1/2022). Ao jornal da capital federal, Zylberstajn destaca que o resultado se deve a uma combinação de inflação alta com recessão: “Quando existe uma desocupação muito grande, os sindicatos não têm poder de barganha nas negociações, é o pior cenário para os trabalhadores.”

Cofres públicos

Com a inflação em alta, o Comitê de Política Econômica (Copom), anuncia que a taxa básica de juros, a Selic, continuará subindo e deverá chegar ao final de 2022 em 11,5%. Ela fechou o ano de 2021 em 9,25%.

As elevações da Selic pretendem encarecer o crédito e reduzir o consumo das famílias. Justamente quando a economia precisa ser aquecida, a política da burguesia age em sentido contrário, piorando ainda mais a situação da economia de conjunto, mas de maneira mais dramática a das famílias. 

Com a evolução da crise, a política de juros serve também para aumentar a transferência de dinheiro dos trabalhadores para os capitalistas. Aprovado no último 21 de dezembro, o Projeto de Lei Orçamentária (PLOA) de 2022 prevê gastos superiores a R$2,4 trilhões com a dívida pública, mecanismo criminoso de transferência de renda que tira metade dos R$4,8 trilhões a serem gastos pelo governo federal com todas as necessidades do País e entrega aos banqueiros, principais beneficiários deste verdadeiro assalto legalizado.

A título de comparação, o mesmo orçamento disponibiliza R$89 bilhões ao programa Auxílio Brasil, destinado a atenuar os efeitos da crise capitalista sobre as famílias miseráveis do País. O que tampouco consegue, dado os baixos valores recebidos pelos milhões de brasileiros.

Pela via da inflação, do rebaixamento dos salários – acentuado pelo desemprego elevado – e da expropriação direta do Tesouro Nacional, a burguesia busca uma solução para sua crise de características terminais. Ocorre que ao fazê-lo, arrasa a economia nacional, produzindo na outra ponta uma quantidade crescente de miséria.

Daqui pra pior

Com o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechando o ano de 2021 em 10,02%, a previsão dos banqueiros para 2022 é de 5,03%, indicando que a corrosão dos salários verificada no ano passado continuará neste.

Um dos vilões da inflação em 2021, a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) indica que o reajuste médio nas contas de luz em 2022 deverá ser de 21,04%.

Com a pior crise hídrica em 91 anos, o governo acionou as usinas termelétricas para garantir o fornecimento de energia. Essas usinas funcionam com combustível derivado do petróleo, o que torna a produção ainda mais cara.

Outro destacado puxador da alta dos preços, a gasolina em 2021 acumulou aumentos de 73,4%, o diesel acumulou aumento de 65,3%. Como o governo indexou o preço dos combustíveis ao mercado internacional e também ao valor do dólar, estes tornaram-se duas variáveis que afetam o preço dos combustíveis e na situação atual, estão em alta as duas variáveis. Finalmente o dólar, que fechou 2021 em R$5,58, deve terminar 2022 em R$5,55, muito próximo ao valor atual, uma péssima notícia para uma economia cada vez mais dolarizada e dependente das importações.

Com essa política de aumento dos combustíveis, os estados e municípios devem aumentar o preço das tarifas de transportes. O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), já anunciou que só não aumentará as tarifas de transportes se os preços do diesel recuarem a valores anteriores à pandemia, em 2020, que era em torno de R$4,00 e hoje está em torno de R$5,61.

Contra a autofagia, luta!

Como as coisas pioram constantemente para os trabalhadores, quem ganha são os empresários, capitalistas e imperialistas. Isso reforça o diagnóstico clássico do capitalismo como um sistema de produção que acumula uma quantidade enorme de riquezas de um lado e do outro uma quantidade igualmente enorme de miséria e fome.

Desde o golpe de Estado em 2016, os trabalhadores sofrem com redução de salários, desemprego crônico na casa dos dois dígitos, perda de direitos trabalhistas e previdenciários e das condições de vida com a pandemia. Para o ano que se inicia, nenhuma perspectiva de melhora é apresentada pela evolução da crise capitalista.

É uma situação que vai levar inevitavelmente os trabalhadores a uma situação de barbárie inédita. A exclusão em massa dos trabalhadores do processo produtivo traz, em si, o aumento da fome e miséria, já em níveis bastante elevados.

Contra a opressão imposta pelo Estado, com auxílio do seu braço armado, as polícias e forças armadas, é preciso que as organizações de luta dos trabalhadores mobilizem a classe, levando-os a ocuparem as ruas e os postos de trabalho até que seus interesses se sobreponham aos de seus inimigos mortais: a burguesia. A recusa em colocar abaixo esse regime de escravidão, de fome e miséria nada fará além de atualizar o drama vivido por dezenas de milhões de brasileiros pobres e explorados.

Central de Vendas

Entre em contato pelo WhatsApp  11 99867-9315 ou pelo E-mail jcoadm29@gmail.com

Precisa de ajuda?

Em caso de dúvidas, ou se quiser recuperar seu “Usuário”, envie mensagem para 11 99867-9315 ou pelo E-mail jcoadm29@gmail.com

Faça já sua assinatura digital de Causa Operária:
  • Assinatura Mensal Digital Completa (por quatro semanas) por R$ 11,99 um único mês, você pode optar pela renovação automática, descontando R$ 11,99 todo mês da sua conta.
  • Assinatura Semestral Digital Completa (por vinte e quatro semanas) por R$ 64,99 pagamento único.
  • Assinatura Anual Digital Completa (por quarenta e oito semanas) por R$ 99,99 pagamento único.

Menu Principal

Ajuda, Dúvidas e Televendas