Morar no Campo Limpo e ter um “celtinha” velho

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Ascânio Rubi

Morar no Campo Limpo, bairro da periferia de São Paulo, e mandar “fazer o motor do ‘celtinha’ velho” faz de Guilherme Boulos um representante da população pobre? Segundo ele mesmo contou, um entregador de pizza se espantou quando o viu abrir a porta para recebê-lo, pois nunca teria imaginado que ele morasse ali. Embora tenha narrado esse episódio com certo orgulho em uma das lives a que frequentemente é convidado, ele deveria pensar que o estranhamento do rapaz é bem mais sincero que a sua opção por um CEP na periferia.

Na última eleição, quando foi para o segundo turno com Bruno Covas, teve entre seus vizinhos apenas 1% mais de votos que o tucano, que morava na região de Perdizes, onde, aliás, Boulos diz trabalhar. Para chegar à PUC, onde diz dar aulas na pós-graduação em psicologia clínica, ou ao escritório de Walfrido Warde, nos Jardins, faz longos percursos, mas certamente está muito longe de enfrentar as dificuldades de transporte dos seus vizinhos, cuja vida é, no geral, bem diferente.

Boulos explicou que, mesmo sendo filho de médicos (família de “classe média”), fez essa “opção” em nome da solidariedade aos mais pobres. É bem provável que esse gesto conquiste mais votos na Vila Madalena do que no Campo Limpo. Se ele fosse um verdadeiro morador do bairro, ou seja, alguém que vive na região não por “opção”, mas por não ter condições de morar melhor, talvez o entregador de pizza não estranhasse encontrá-lo por ali.

O fato é que Boulos estudou filosofia na USP, onde diz ter conhecido o endinheirado Walfrido Warde (IREE), que se tornaria seu “grande amigo”, e depois conquistou uma vaga no mestrado na Faculdade de Medicina da USP, da qual seu pai, Marcos Boulos, já foi diretor. Na vida concreta, faz muita diferença ter as relações que Guilherme Boulos tem com os ricos e com as esferas de poder, as quais não teria se fosse pobre. Ele pode até se dar ao luxo de morar na periferia por esporte, mas isso não faz dele um pobre, pois seus amigos ricos e influentes lhe abrem as portas que para os pobres sempre estão fechadas.

Além de fazer demagogia, ostentando um suposto desprendimento das coisas materiais, nosso amigo Boulos passa a mensagem de que ser pobre é uma “opção”, não uma imposição de um sistema baseado na exclusão. Um verdadeiro morador do Campo Limpo certamente gostaria de optar por morar em Perdizes. Quem é que quer ser pobre, acordar de madrugada e tomar três conduções por dia para chegar ao trabalho depois de uma longa viagem?

A nova moda entre os empresários e ONGs é valorizar a “criatividade” da periferia, discurso, aliás, reproduzido por Boulos (basta ver seus artigos no jornal Folha de São Paulo), pelo Banco Itaú e pela Rede Globo. Todos se irmanam na crença de que o empreendedorismo vai resolver os problemas da periferia. Diga-se ainda que esse empreendedorismo criativo da periferia deve estar voltado para a própria periferia. Em outras palavras: vocês, que moram na periferia, fiquem aí onde estão e se virem. Na prática, tirando o pompom e o vocabulário politicamente correto, essa esquerda pequeno-burguesa não tem muito mais a oferecer do que a direita.

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