Esquerda adaptada

Federação partidária, um golpe contra o PT

Medida antidemocrática pode aprisionar e até eliminar a esquerda do processo eleitoral
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No dia 24 de dezembro o deputado federal Paulo Pimenta (PT/RS), deu uma entrevista à TV 247 explicando de maneira sistemática e concreta a política que o PT está levando adiante. Um tema destacado e que demanda uma melhor compreensão é o da federação partidária, aprovada pelo Congresso Nacional. 

Uma federação pode se constituir entre dois ou mais partidos, dotada de um programa e um estatuto próprio, só podendo ser dissolvida após quatro anos. Virtualmente, é uma fusão entre partidos. O pretexto é fornecer a partidos menores a possibilidade de eleger sem coligações. 

É uma reforma das que ocorrem em toda eleição, uma manipulação despudorada do já antidemocrático sistema eleitoral brasileiro.

Esquerda adaptada 

A esquerda não questionou essa manipulação, adotando uma adaptação passiva à maneira como funciona o regime e suas arbitrariedades. Isso ficou claro na entrevista do deputado petista. Ninguém considera uma manipulação, nem um problema. A federação seria uma boa proposta. 

Não há um posicionamento diante do funcionamento do sistema eleitoral, principalmente porque a esquerda não tem noção do quão antidemocrático é mudar as regras a cada novo ciclo eleitoral, nem como a federação complementa medidas anteriores – igualmente antidemocráticas – como a cláusula de barreira e a criação de normas draconianas para criação de novos partidos. Gigantescas mudanças impostas ao sistema eleitoral.

Mais partidos ou federações?

A multiplicidade de partidos torna o controle do regime uma operação difícil. No Congresso, a diversidade causa debate e pressão parlamentar extra. Finalmente, é mais fácil controlar poucos partidos ou federações.

Nos EUA existem muitos partidos, mas só concorrem ao poder político o Democrático e o Republicano, ambos controlados pelos bilionários. O regime, portanto, não é democrático mas plutocrático, dos ricos, sendo a antítese da democracia.

No Brasil com as três medidas combinadas, estima-se manter cinco partidos e fazer com que os que não tem votos apareçam como mais votados, tirando o poder de decisão do povo.

Quem deve definir o número de partidos não são os bilionários ou a burocracia judicial, é a opinião popular, que não se define a partir de leis.

Democrático é quem tiver uma certa opinião que considere não atendida por outros partidos reúna determinado número de cidadãos e monte seu partido. PCdoB, PSOL, REDE e PV estão  discutindo uma federação que vai consolidar os elementos direitistas. O PT discute fazer isso com o PSB, partido confuso, mas de direita e golpista.

O resultado é suprimir o eleitor. Não vai haver uma alternativa revolucionária, apeans federações e de direita, o que eliminará uma parcela enorme da opinião popular das eleições suprimindo os partidos de esquerda.

Fonte de corrupção

É verdade que hoje os partidos políticos são um negócio e a restrição da criação de partidos favorece isso. É um mecanismo que corrompe o regime eleitoral corrupto desde o Império, sendo controlado por figuras que se apoderam de partidos e da eleição em todo País. 

Não é o problema de uma pessoa, mas o regime em si, montado para ser corrupto. Isso só vai mudar alterando-se o regime, a começar com a liberdade de associação para organização e criação de partidos.

Federação de esquerda?

Paulo Pimenta explicou a federação com o PSB pela necessidade de constituir uma base para um futuro governo do PT. Como se com a federação, o PSB fosse transformado em uma base cativa para a política do PT, o que obviamente não vai acontecer. A esquerda até agora não disse que vai apoiar Lula, o que deveria despertar muita desconfiança de que há uma jogada escusa por trás disso.

Quando participou de um debate com presidentes de partidos de esquerda em 2020 (PT, PCdoB e PSOL), o presidente do PCO, Rui Costa Pimenta, convidou os dirigentes dos demais partidos a apoiarem a candidatura Lula, como medida para reverter o golpe no País. Apenas a presidenta do PT, Gleisi Hoffmann, foi favorável. O que estão esperando?

A eleição oferece poucas possibilidades: Bolsonaro, a terceira via e Lula. Todos falam que o mais importante é derrotar a quadrilha do golpe, mas não apoiam Lula. Só há uma conclusão lógica diante dessa política: não querem derrotar o golpe.

Federação com o PSB é de direita

O PSB impôs uma espécie de comércio de malucos. Por Alckmin para vice de Lula, quer o governo do RS (onde apoia Eduardo Leite, do PSDB), SP (onde o PT tem Haddad), RJ, PE (onde o PSB fez campanha bolsonarista contra o PT nas eleições de 2020) e MA. Mesmo que Alckmin não fosse da escória política, porque pagar tão caro por esse vice? Alckmin não vale cinco governadores.

Essa proposta é uma provocação, para romper as negociações. É a proposta do setor do PSB que não quer o acordo com o PT. Neste momento, tudo indica que a burguesia não quer acordo mas isolar o PT.

Outra consideração sobre o PSB é que é um partido de direita e golpista. Se um acordo eleitoral normal já seria ruim, uma fusão por quatro anos é muito grave. O acordo entre um partido de esquerda e a burguesia, em geral, é uma armadilha.

Na federação, o PT tem mais deputados, mas a burguesia pode fazer o PSB ganhar parlamentares suficientes para controlar a federação e o PT terminar anulado por longos quatro anos no País inteiro, particularmente se aceitar as condições por Alckmin como vice.

Tudo é luta de classes

A esquerda em geral não pensa do ponto de vista da luta de classes, mas tudo é a luta entre as classes sociais e a burguesia é muito poderosa, controla o Estado, as instituições, tudo isso ficou muito claro com o golpe de Estado de 2016 “com Supremo com tudo”, como disse Romero Jucá. Sendo que no caso do Brasil a luta é contra algo ainda mais poderoso, o imperialismo e de candidatos financiados, criados em laboratório, como a deputada Tabata do Amaral, hoje filiada ao PSB. O imperialismo pode reproduzir esse fenômeno em escala industrial se forem dadas as condições.

O PT fala em realismo mas está desconsiderando os golpes na América Latina, o conflito EUA-Rússia-China e se concentrando no funcionamento das máquinas eleitorais, o que é o oposto de ser realista. O resultado pode levar o PT a ser capturado por um partido que votou no golpe (como toda a base do governo Dilma) e não será fiel à federação. Em caso de disputa sai, fica com a direita, compra legenda de outro partido etc…

Para encerrar, o deputado Paulo Pimenta, falou que o número chave na Câmara dos Deputados é 171 de deputados. O impeachment mostrou que os deputados estão na mão da burguesia que chantageia, compra, controla. Teve um deputado que foi pego em casa para votar contra o PT. Não há garantias no marco da política burguesa. A única garantia são pessoas que têm compromisso com a causa popular (o que nada tem a ver com o PSB, Alckmin…) e mesmo assim uma parte dessas pessoas é corruptível.

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