Traição

A ala do PT que quer virar a página do golpe

Direita petista prefere golpear mobilizações por acordo a lutar contra direita
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Para o ano que se inicia, está dado como certo na situação política do País um período de intensa luta e não apenas contra Bolsonaro. O presidente golpista não é uma anomalia, mas resultado da política dos últimos 10 anos, em particular do golpe de Estado e da luta intensa entre a classe trabalhadora e setores da classe média democrática, contra a submissão do Brasil ao imperialismo e sua política de liquidação da economia nacional, destruição dos direitos conquistados pelos trabalhadores no último século, uma etapa histórica em que a situação geral do desenvolvimento nacional brasileiro está em questão. Chegamos, em certo sentido, num beco sem saída dessa política, sob um quadro internacional histórico.

Nas últimas semanas, Washington Quaquá (PT/RJ) abriu uma discussão que ganhou destaque pela crítica à ex-presidenta Dilma Rousseff, onde prevaleceu a acusação fácil de misoginia e desrespeito. Contudo, o mais importante foi a colocação política de Quaquá, os fatos concretos e não a etiqueta. E isso ficou obscurecido.

Dirigente do PT/RJ, Quaquá fez uma colocação política dizendo que é uma minoria no PT os que não conseguem virar a página do golpe. É como se alguém na ditadura defendesse esquecer o golpe militar de 1964. A questão é saber se o golpe, parte de uma realidade concreta, vai desaparecer junto de seus efeitos se a “página” for virada? Basta esquecer para deixar de existir?

A explicação da direita do PT para o debate com a esquerda, também nesse caso, é menosprezar a opinião para não entrar no debate. Dizem que os ativistas da luta contra os golpistas e o golpe, estão presos ao passado. Dizem isso sem explicar porque esquecer? Os golpistas foram derrotados? Ou deveríamos acreditar nos rituais de pessoas desonestas que fizeram uma campanha feroz, fascista, que foram contra a esquerda violentamente e quando a coisa desandou fez uma “autocrítica”? Por isso o golpe acabou? Não. O governo está controlado pelos militares e o País segue à bancarrota.

A única coisa que talvez contrarie a manutenção do golpe, são as pesquisas eleitorais que dão Lula como vitorioso nas eleições, em alguns casos até no primeiro turno. Contudo, pesquisa eleitoral não é realidade e até para discutir que o golpe acabou, Lula teria que ganhar a eleição. Sem isso, a discussão torna-se ociosa.

Sempre quiseram acordo

O que explica a posição do dirigente do PT/RJ é que ele – e outros no partido – nunca quiseram tratar do problema, do golpe de Estado, nunca quis deixar em evidência o golpe. Quaquá é da ala extrema-direita do PT e tem ligações estreitas com o governo fluminense. Um dos integrantes do PT no estado, André Ceciliano, é o presidente da ALERJ.

Para chegar a presidente da ALERJ, Ceciliano teve de ser apoiado pela direita e precisou de um bom relacionamento inclusive com o bolsonarismo. Ele propôs que o PT apoiasse o candidato do atual governador nas eleições. Esse é o perfil de várias coisas que acontecem na situação política, e na luta interna no PT. 

Quaquá e outros nunca se preocuparam com o golpe. Nunca defenderam a presidenta Dilma Rousseff. Para esse setor, Dilma caiu por falta de habilidade. Nunca lutaram contra o golpe e por isso, querem agora “virar a página do golpe”. Disse que Dilma não  quis fazer acordo com a direita para evitar o golpe, o que nem era possível de ser feito. Tampouco é verdade.

Difundiram a ideia de que a atitude de Dilma com as pessoas era burocrática, arrogante, mas quando Dilma começou ser assediada pelos golpistas, a própria direção do PT – inclusive Lula – buscou um acordo. Colocaram um homem de confiança dos banqueiros, Joaquim Levy, no Ministério da Fazenda (atual Ministério da Economia) do governo eleito em 2014, tentaram recolocar no governo do PT o banqueiro de estimação, Henrique Meireles, que nesse momento está no governo Doria em SP. Atribuir o golpe à falta de habilidade de Dilma é inventar uma farsa.

Dirigentes do PT procuraram todo mundo, alimentaram a ilusão de que chegariam a um acordo com parlamentares e isso não aconteceu. Não aconteceu porque não se tratava de acordo, habilidade. Era um golpe de Estado e uma mobilização interna da burguesia muito grande desenvolveu-se para efetivar esse golpe.

Inimigos do povo

Quaquá defende um entendimento com os golpistas. Então, não se trata de ofender Dilma, mas a defesa de uma política, de que o sucesso estaria em abraçar-se com os inimigos do povo, que deram o golpe de Estado. É uma receita simples porque você deixa de ter inimigos, faz acordos e pronto. A pergunta é: com isso o País vai mudar? A devastação econômica que tem sido operada no Brasil, o ataque às mais elementares liberdades democráticas não são um problema superável através de um acordo com a direita. Se for colocar no terreno concreto, como o aumento dos salários dos trabalhadores, a estatização e fim das privatizações, direitos trabalhistas dá para ver que que a tese é falsa. 

Um golpe contra o movimento de luta

Essa é a ideia que está por trás da aliança com Alckmin como vice do Lula. Passa longe da política da direita do PT contar com o apoio popular. Não enxergam que só contando com a popularidade de Lula nas ruas, na mobilização popular, será possível derrotar o golpe. Finalmente, querem virar a página do golpe. É uma infantilidade política da direita do PT.

Acreditam que com uma política maleável, flexível, participando de jantares como aconteceu recentemente, abraçando um e outro, referindo-se a um facínora como FHC em termos elogiosos, dizer que ele não foi tão ruim assim… Em grande medida, Bolsonaro é mais inofensivo que muitos desses que estão sendo chamados para tais alianças.

Tudo isso uma farsa, uma impostura total e uma verdadeira rasteira contra o povo que se levantou contra o golpe de Estado, freou esse golpe numa determinada medida, que se levantou contra Temer ao ponto do governo golpista fracassar, e também contra Bolsonaro, que também fracassa, uma vez que os planos para aplicação da política de privatização eram ainda mais devastadores, por exemplo.

Essa política de aceitação, de aliança com os golpistas é um golpe contra todo o movimento. O recado de que não adianta fazer nada, que não precisa mobilizar contra o golpe (bastava um acordo), que não dá resultados colocar o povo na rua e o melhor mesmo é fazer acordos, pode resultar em uma grande desmobilização, em mandar o povo de volta para casa. Finalmente, isto pode comprometer a campanha, a eleição de Lula e principalmente, caso seja eleito, um governo a serviço dos interesses do povo e dos trabalhadores.

Não será através de acordos com a direita e com imperialismo, que a esquerda irá reverter os efeitos do golpe de Estado e, menos ainda, eleger Lula presidente por um governo dos trabalhadores.

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