PSDB chileno

Eleições chilenas: o mal exemplo

A covardia política da esquerda serviu para bloquear a mobilização, que não evoluiu de forma a ser impulsionada de maneira independente da burguesia golpista
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O historiador e professor chileno Gabriel Salazar disse em entrevista à Rádio Universidad de Chile que os políticos do país não se deram conta do período histórico em que vivem.

Segundo Salazar, tanto a direita quanto a esquerda nas eleições são parte do que é chamado no Chile de “classe política”, ou seja, todos os grupos políticos que compartilharam o poder no país desde o fim a ditadura pinochetista, mas que deram continuidade à constituição e à política do governo de Pinochet, apenas com uma aparência mais democrática.

Essa observação não está longe da realidade e, apesar deste jornal não concordar com a nomenclatura utilizada, concorda com o fundo do que é dito pelo historiador chileno.

O Chile iniciou em 2019 uma ampla mobilização popular, que ganhou ares de insurreição: prédios foram queimados, multidões ocuparam as ruas e o governo de Sebastián Piñera chegou à beira de ser derrubado nas ruas.

No entanto, a covardia política da esquerda burguesa e pequeno burguesa serviu para bloquear a mobilização e faltou uma orientação e uma organização política que se ligasse de fato à mobilização e a impulsionasse, de forma independente da burguesia golpista. Não houve um partido operário, revolucionário ou até mesmo nacionalista no país que desse conta de organizar a luta dos trabalhadores a ponto de fazer uma modificação real no sistema chileno.

Isso fez com que a direita do país tivesse tempo para manobrar, permitindo a aprovação de uma Assembleia Constituinte muito controlada pela própria direita e por setores ligados ao imperialismo, como parte de um acordo com a esquerda parlamentar.

Ainda assim, a população chilena conseguiu eleger uma assembleia majoritariamente de esquerda.

No entanto, novamente a falta de organização política e a aposta capituladora de toda a esquerda em somente apostar no jogo institucional diminuiu as mobilizações no país e permitiu uma nova manobra direitista.

É neste marco que ocorrem as eleições presidenciais chilenas, em um momento de baixa nas mobilizações no país e com uma manobra da direita de conjunto que permitiu que se levasse para o segundo turno um candidato da direita do regime político e um candidato da esquerda do regime político. Regime este que jamais rompeu com a constituição de Pinochet e que promete, mesmo que a “esquerda” vença, levar nada mais do que uma espécie de PSDB chileno para o governo, algo não muito diferente dos governos de Bachelet e Ricardo Lagos do Partido Socialista e da Concertación.

O Chile se torna, assim, um péssimo exemplo do que deve ser feito pelo movimento popular, pelos trabalhadores e por toda a esquerda na América Latina.

Não é possível se manter fiel à política institucional e esperar que o Estado controlado pela burguesia dê à esquerda o controle do governo sem luta. É preciso radicalizar, mostrar à população que a candidatura da esquerda está disposta a melhorar a vida de todos os trabalhadores e que não aceitaremos novos golpes.

Essa radicalização passa, no  Brasil, pela mobilização imediata de todos os setores populares, exigindo a candidatura de Lula, o fim do governo Bolsonaro e um programa de reivindicações, para que não seja possível uma manobra da burguesia.

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