As eleições entre a frente ampla direitista e a extrema direita

Kast é um homem da direita do jogo político no Chile, já Boric é parte mais esquerdista desta mesma direita
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As eleições chilenas vêm sendo apresentadas pela imprensa progressista como um duelo entre dois setores extremamente opostos. De um lado, o candidato de extrema-direita José Antonio Kast, do outro, o candidato jovem da esquerda radical Gabriel Boric. Nada poderia estar mais longe da realidade.

O que temos visto, no lugar da opinião majoritária da esquerda, é uma oposição entre dois lados de uma mesma moeda: de um lado, o candidato mais à direita da direita tradicional chilena; do outro, um candidato dentro da esquerda dessa mesma direita.

É isso o que explica, por exemplo, a pouca adesão da população nas eleições do país, o que resultou em uma participação de apenas 47,6% do total do eleitorado chileno, enquanto a votação da Assembleia Constituinte teve 50,9% de participação em um momento ainda mais crítico da pandemia, o que dificultava a ida do eleitor ao local de votação.

Gabriel Boric

O dito candidato da esquerda chilena fez parte das mobilizações do movimento estudantil do Chile durante o ano de 2006, movimento que batizou como “pinguins” seus participantes.

No entanto, Boric se afastou completamente de qualquer resquício de ligação que pudesse ter com o movimento estudantil ou popular, se tornando mais um burocrata de esquerda e chegando ao posto de deputado em 2014, cargo que ocupa até hoje.

Durante as manifestações de 2019, que duraram até mais ou menos a metade deste ano, Boric não teve nenhuma participação expressiva. Pelo contrário, tratou de dizer que “seu método” não era a violência, em uma clara crítica às manifestações combativas que queimaram prédios públicos e, ao mesmo tempo, passando a mão na cabeça da polícia chilena e do governo fascista que agiu com extrema brutalidade, deixando mortos, pessoas torturadas, pessoas cegas e etc.

Se isso não bastasse, Boric votou contra a anistia geral aos presos políticos durante as manifestações.

Em visita à prisão Santiago 1, em julho, em que se encontram parte dos presos durante a mobilização, Boric foi agredido e escorraçado por familiares das pessoas presas, justamente por ter votado contra a anistia. Em um ato de extrema demagogia após o ocorrido, o já então candidato presidencial disse que não pediria nenhum inquérito ou investigação contra as agressões, tentando claramente se fazer passar por um defensor dos direitos humanos justamente após se opor a eles.

A demagogia também é gigantesca no que diz respeito aos direitos das mulheres.

No final de novembro, o congresso do Chile votou a questão do aborto que não conseguiu os votos suficientes para aprovar o direito fundamental das mulheres no país. Boric, para não ter de se posicionar contra o aborto na Câmara, o que mancharia sua imagem de esquerdista e afastaria ainda mais uma parte do eleitorado, principalmente feminino, mas também para não ter de se posicionar a favor do aborto e, com isso, afastar os votos da direita, acabou por não ir votar no dia.

Apesar de não apoiar, mesmo com seu voto, uma das principais reivindicações das mulheres no Chile, o que, caso aprovado, abriria um precedente para o resto da América Latina por se tornar o país o segundo em pouco tempo a aprovar o direito, junto da Argentina, Boric acabou por fazer demagogia com as mulheres se aproveitando da frustração por não conseguir uma aliança com um setor importante da direita.

Isso aconteceu pois o ex-candidato presidencial Franco Parisi, que se coloca como candidato antissistema e que acabou em terceiro lugar com um número expressivo de votos, chamou ambos os candidatos do no segundo turno para duas entrevistas em seu programa de muita audiência no Youtube, o programa Bad Boys.

De início, tanto Kast quanto Boric iriam ao programa, não só para tentar conquistar o eleitorado de Parisi neste segundo turno, mas também para costurar uma aliança com o candidato direitista, tentando aproximar os programas eleitorais e, quem sabe, prometer cargos.

Acontece que Parisi não pode colocar os pés em solo chileno por conta de dívidas que estão na justiça e que podem o levar para a cadeia. Por isso, o ex-candidato vive nos EUA.

Antes de entrevistar Kast, a equipe de Parisi acabou por realizar uma reunião com vistas a acertar um acordo para o segundo turno, reunião esta que aconteceu nos Estados Unidos.

Vendo que seu rival largava na frente na corrida por uma possível aliança, Boric desistiu de comparecer ao programa de Parisi na data combinada. A demagogia com as mulheres entra aqui pois Boric tentou apresentar a situação como um repúdio ao fato de que parte dos processos judiciais apresentados contra Parisi se devem ao não pagamento de pensão alimentícia pelo ex-candidato presidencial, sendo este um dos motivos apresentados por Boric para não conceder a entrevista.

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