“Terreno comum”

Verdes e liberais formam bloco e mantém novo governo alemão à direita

Com quase um terço do parlamento, verdes e liberais tornaram-se vitais para a formação do novo governo
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Em novo desdobramento da eleição para o Parlamento Federal da Alemanha (Bundestag), ocorrido no último dia 27, Annalena Baerbock e Robert Habeck, do Partido Verde, que emergiu como a terceira maior força política após as eleições, reuniram-se com Christian Lindner e Volker Wissing, respectivamente líder e secretário-geral do Partido Democrático Liberal (FDP na sigla germânica) no último dia 28. Juntos, os dois partidos detém 210 cadeiras do Bundestag, 28,57% do total de assentos do parlamento, 735.

O bloco vem discutindo o apoio a um chanceler social democrata ou conservador em encontros ao longo da semana. Nos estados da Renânia-Palatinado e em Schleswig-Holstein, uma aliança entre CDU/CSU, FDP e Verde (chamado pela imprensa alemã de “Jamaica”, em referência às cores de cada partido) já está no governo estadual há cinco anos. O partido Verde tem preferência por uma coalizão com o Partido Social Democrata (SPD na sigla alemã) mas o próprio líder social democrata, Olaf Scholz, reconhece que mesmo tendo sido o partido mais votado, dificilmente o novo governo estará formado antes do Natal.

Após o encontro, os quatro líderes postaram uma foto em suas redes sociais com Lindner publicando na legenda da postagem: “Na procura por um novo governo, estamos buscando um terreno comum e pontes sobre as nossas divisões. E estamos até encontrando algumas dessas coisas. Tempos emocionantes.” Para as agremiações, são mesmo.

Com quase um terço do parlamento, verdes e liberais tornaram-se vitais para a formação do novo governo. O crescimento dos partidos, que ganharam respectivamente, 51 e 12 novas cadeiras, indicam uma guinada da burguesia alemã rumo a um novo arranjo político menos desgastado que o liderado pelos partidos CDU/CSU, que perdeu quase o mesmo tanto de cadeiras conquistadas pelos verdes: 50.

Tendo aplicado a dura política neoliberal, de ataques à população em favor dos banqueiros e grandes capitalistas, o governo da CDU/CSU liderado por Merkel já enfrentava um grande descontentamento popular, tendo conquistado mais um mandato após as eleições federais de 2017 graças ao apoio do SPD. A manobra fora realizada graças ao espantalho do partido de extrema-direita Alternativa para Alemanha (AfD), veladamente nazista, o que supostamente levou o SPD a apoiar o “mal menor”.

Contudo, entre a população alemã, é difícil conceber Merkel como um “mal menor”. Segundo dados da Associação de Paridade e Bem-Estar (Paritätischer Wohlfahrtsverband), antes da aceleração da crise capitalista pela pandemia, em 2019, “mais de 13 milhões de pessoas na Alemanha viviam em pobreza, elevando a percentagem para 15,9%, a mais alta verificada desde a reunificação do país, em 1990” (“Pandemia. Os números dramáticos da pobreza e desigualdades na Europa”, Diário de Notícias, 21/3/2021).

De acordo com dados de um relatório apresentado em 10/03 pelo Departamento Federal de Estatísticas, pelo Centro de Ciências Sociais de Berlin (WZB), pelo Instituto Federal de Pesquisa Populacional e o Painel Socioeconômico, 44% dos alemães estão em permanente risco de caírem na pobreza, taxa duas vezes maior do que o verificado no fim da década de 1990. Cerca de 20% já não consegue quitar suas dívidas. Após contrair-se em 4,9% em 2020, o PIB alemão deve crescer 2,9% neste ano, acentuando os problemas econômicos sofridos pela classe trabalhadora germânica.

Cumpre destacar que o candidato social democrata ao cargo de chanceler do país, Olaf Scholz, é o vice-chanceler desde 2018, acumulando também desde então o cargo de Ministro das Finanças, responsável pela política econômica do país, a qual se desenvolveu sem abalos com a burguesia alemã. Neste cenário turbulento, o SPD conquistou 206 cadeiras no Bundestag, 53 a mais do que em 2017, sendo o maior partido da nova legislatura porém distante da maioria necessária para formar um governo próprio.

Não sendo exatamente opositor do imperialismo alemão, é possível que os capitalistas busquem (como indica a tendência do partido Verde em apoiar o SPD) um governo de feições limitadamente esquerdistas para acalmar o país, cada vez mais convulsionado, mas controlado de perto pela direita. A situação alemã e seus desenvolvimentos devem ser acompanhados atentamente por indicar quais manobras estão no arsenal da burguesia mundial nesta etapa de crise acentuada.

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