Estagflação

Ruim para a burguesia, pior para os trabalhadores

Com menos PIB e mais inflação, economia brasileira entra em parafuso
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Publicado no último dia 4, o Relatório Focus, produzido pelo Banco Central (BC), aponta uma nova revisão, para cima, da inflação oficial, medida pelo IPCA, que segundo o relatório, deve terminar 2021 em 8,51%. A última projeção era de 8,45%, enquanto no começo do mês de setembro, previa-se que o IPCA terminaria em 7,58% no acumulado do ano. A meta inflacionária para 2021, estabelecida pelo governo através do Conselho Monetário Nacional, é de 3,75% com tolerância de até 1,5 ponto percentual, o que implica em um teto de 5,25%. Porém, já há consenso entre os analistas da burguesia de que o governo não conseguirá cumprir a meta.

O Relatório Focus compila e atualiza as expectativas do setor financista da burguesia – banqueiros e correlatos – sobre a conjuntura econômica do País. Embora a estimativa divulgada pelo BC mantenha previsão do PIB (Produto Interno Bruto, a soma de todas as riquezas produzidas pelo País) com crescimento de 5,04%, ganhou destaque entre a imprensa burguesa a previsão feita pelo órgão governamental Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada). O relatório “Visão Geral da Conjuntura”, publicado em 30/9, estima um crescimento menor para o PIB brasileiro este ano, em 4,8%.

A combinação entre o baixo crescimento do PIB e a escalada crescente da inflação, quase duas vezes maior, tornou a palavra “estagflação” um termo pop, sendo tema recorrente no noticiário econômico da imprensa burguesa, sendo ainda tema de editoriais. Em um deles, da revista golpista Isto É, uma pesquisa não referenciada indica que a difusão inflacionária atinge 68,9% dos produtos analisados (“A chegada da estagflação”, IstoÉ Dinheiro, Edição 1.242, 6/10/2021). Embora pesquisas do gênero devam ser vistas com desconfiança, é fato que a escalada inflacionária em insumos econômicos tão básicos quanto combustíveis e eletricidade tem alavancado a alta geral dos preços, tendo ainda um potencial devastador sobre o restante da economia.

Outro editorial, do Estado de S. Paulo, destaca que conforme as “estimativas do BC, o investimento em capital fixo – máquinas, equipamentos e construções – diminuiu 0,8% no ano passado, deve crescer 16% neste ano e encolher 0,5% em 2022. Não se espera, portanto, um aumento de capacidade produtiva capaz de permitir uma expansão econômica mais veloz nos anos seguintes.” (“Entre a inflação e o marasmo”, 4/10/2021). Com uma conclusão melancólica, o editorial diz que “não há como esperar mudança”, tendo contudo o cuidado de atribuir o desarranjo da economia nacional ao “governo desastroso para a educação, para a ciência e para a definição de rumos para o sistema produtivo.”

Finalmente, a Folha de S. Paulo tirou também uma matéria destacando que “talvez o crescimento não tenha um componente tão vibrante. Há a possibilidade de uma inflação com um crescimento um pouco menor do que gostaríamos, inclusive porque será necessário um aperto monetário, mas não devemos ter uma recessão”, conforme as palavras de Walter Franco, professor de Macroeconomia no Ibmec SP, em entrevista ao jornal (“Crescimento menor com mais inflação reacende discussão sobre estagflação”, Folha de S. Paulo, 2/10/2021).

Resultado natural

A “solução” adotada pela burguesia e prevista no relatório do BC é o mais tradicional lugar-comum da economia atualmente: aumento na Selic, a taxa básica de juros. Atualmente em 6,25%, a estimativa do mercado financeiro é que os juros terminem o ano em 8,25%, encarecendo ainda mais o custo do crédito e o peso da dívida pública brasileira. Cada 1 ponto percentual que a Selic aumenta encarece a dívida em R$31,8 bilhões, o que implica em R$63,6 bilhões a mais para os banqueiros enquanto o povo brasileiro amarga o empobrecimento e a economia vira pó.

A política tradicional de recessão econômica para reprimir a demanda e combater a alta dos preços é vendida como a única medida a ser adotada, o que está longe de ser verdade. Conforme a lei mais elementar da economia, os preços são produto de uma relação entre oferta e demanda. Dessa forma, o problema poderia ser resolvido também pela via da expansão da oferta de bens em escala, ajustando assim os preços por uma via progressista, já que são imensas as necessidades da população.

Com isto claro, é preciso considerar que embora a burguesia reclame da estagnação econômica, essa classe social é diretamente responsável pela crise que assola a economia nacional. Desde os anos 1990, a única política adotada para conter o descontrole inflacionário tem sido a elevação dos juros básicos, de modo a encarecer o crédito, diminuindo a atividade econômica e o consumo. Ocorre que com o encarecimento do crédito, muitas unidades produtivas acabam amargurando a falência, produzindo uma consequência insustentável no longo prazo. Isso porque se momentaneamente os preços cedem, a capacidade produtiva comprometida faz com que qualquer crescimento no consumo seja o bastante para desequilibrar os preços novamente.

Desta forma, a medida tradicional adotada pela burguesia para tratar o problema inflacionário implica em um círculo vicioso onde quem sofre mais, como não poderia deixar de ser, é a classe trabalhadora e as massas pobres do País.

Tarefa dos trabalhadores

Em oposição aos muitos bilhões que os banqueiros ganham com a política de juros altos e contra o interesse político do imperialismo em submeter o Brasil a um brutal retrocesso, como o que levou à mais expressiva desindustrialização já registrada, os trabalhadores são os mais interessados em uma política econômica progressista, sendo também a única classe social com força para se impor sobre o imperialismo e a especulação financeira.

Essa imposição deve estar casada com uma política que transfira os recursos da criminosa dívida pública ao financiamento de obras para desenvolver a precária infraestrutura nacional e na expansão do parque industrial do País. Dado que os preços dos combustíveis e da energia são os principais vilões da inflação, há que se nacionalizar e reestatizar as empresas do ramo, tais como a Petrobras, a Eletrobras e as diversas centrais energéticas regionais vítimas da privataria, colocando-as sob o controle dos próprios operários do setor. Finalmente, é preciso também financiar a criação e reabertura de fábricas para atender as demais demandas do consumo interno, dando dinamismo à economia para combater a estagnação e pressionando para baixo os preços, mas sem fazê-lo pela via do esmagamento dos trabalhadores, do desemprego e da miséria.

Estas medidas só podem ser adotadas com base na derrota de Bolsonaro e de todo o regime político golpista, por meio da mobilização popular.

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