Organização financiada pelo imperialismo

Pandora papers: a quem interessa o escândalo de corrupção?

Os Pandora Papers são o maior vazamento de dados financeiros sigilosos da história e superam os Panamá Papers, obtidos pela ICIJ em 2016
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A partir do último dia 5, foi liberada a publicação de material relacionado a um grande acervo de documentos obtidos pelo Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ, da sigla em inglês). O ICIJ, em parceria com diversos órgãos de imprensa mundo afora, estão há meses debruçados sobre quase 12 milhões de arquivos sigilosos – totalizando quase três terabytes de dados – que expõem transações financeiras de celebridades, empresários e políticos poderosos. 

Os Pandora Papers, como foram batizados pelos jornalistas, são o maior vazamento de dados financeiros sigilosos da história e superam os Panamá Papers, obtidos pela mesma ICIJ em 2016. Celebridades como a cantora colombiana Shakira, o piloto de Fórmula 1, Lewis Hamilton, tiveram suas tentativas de escapar do fisco expostas. Mais importante, Sebastián Piñera, presidente do Chile; Guillermo Lasso, recém-eleito presidente equatoriano; Volodomyr Zelensky, presidente ucraniano; e mais 32 lideranças políticas, em atividade ou não, apareceram nesta rodada inicial de revelações.

Quase todas as figuras políticas envolvidas são de países atrasados, mas há algumas exceções. O ex-ministro britânico Tony Blair, um dos idealizadores do “novo trabalhismo” – introdução do neoliberalismo no Partido Trabalhista -, aparece na lista devido à compra de uma propriedade avaliada em £6,5 milhões através de uma firma radicada nas Ilhas Virgens Britânicas, o que lhe rendeu uma economia de £300 mil em impostos.

Não exatamente do outro lado do espectro político, mas no partido rival, figuras do Partido Conservador britânico também tiveram seus nomes envolvidos no escândalo, inclusive o próprio primeiro-ministro Boris Johnson. O envolvimento, porém, era indireto, pois teriam recebido doações de campanha de milionários Mohamed Amersi, Lubov Chernukhin e Viktor Fedotov para representarem seus interesses.

Os vazamentos envolveram até mesmo o ministro da Economia brasileiro, Paulo Guedes. O banqueiro possui US$9,54 milhões na conta de uma empresa offshore que abrira nas Ilhas Virgens Britânicas em 2014. 

Até Guedes ocupar um cargo público, o ato era apenas suspeito, mas não caracterizava um crime. A partir de 2019, porém, o ministro bolsonarista estaria sujeito ao artigo 5º do Código de Conduta da Alta Administração Federal, que proíbe funcionários do alto escalão do Estado de manter aplicações financeiras, no Brasil ou no exterior, passíveis de ser afetadas por políticas governamentais. As penas não são graves e variam de uma simples advertência à recomendação de demissão.

O caso de Guedes, como o de muitos outros envolvidos nesse escândalo, causa um constrangimento, mas depende de uma atuação política para ir além disso. No Chile, por exemplo, a oposição pediu o impeachment de Piñera que minimizou as revelações como sendo fatos públicos e que não caracterizavam conflito de interesses. No Equador, Lasso alegou ter se desvinculado de todas as suas empresas offshore antes de 2017, quando se candidatou à presidência.

Ainda não se sabe a que propósito servem as revelações. É no mínimo suspeito que nenhum nome norte-americano tenha aparecido entre os envolvidos, fato que se soma ao fato da ICIJ receber dinheiro da Fundação Open Society, de George Soros e da Fundação Ford, entre outros fundos norte-americanos.

O atual presidente dos EUA, Joe Biden, disse em seu discurso de posse que teria como compromisso combater a corrupção ao redor do mundo – o que deve ser entendido como o uso de certos casos de corrupção como arma política. De qualquer forma, as revelações do Pandora Papers não atingem apenas os alvos do imperialismo, e várias balas perdidas podem atingir aparentes aliados como Blair e Guedes que podem e devem ser exploradas pela esquerda para denunciar a corrupção endêmica do sistema capitalista.

Ademais, estaria a burguesia imperialista considerando uma alternativa a Piñera ou a Lasso? Ainda é cedo para afirmar, mas certamente o objetivo desses vazamentos ficará claro por suas consequências políticas.

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