“Lutar pelo que é nosso!”

Mobilização indígena pede Lula presidente em Dourados, MS

Em Dourados (MS) vivem diferentes comunidades indígenas em situações precárias, sem saneamento básico, água potável e energia
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*Marcelo Batarce é professor da UEMS e coordenador do Comitê de Luta de Dourados

Na série de atos “Fora Bolsonaro”, o dia 2 de outubro significou um grande avanço para o movimento da cidade de Dourados-MS. Diante do imobilismo das entidades de esquerda, os indígenas da Aldeia do Panambizinho e das retomadas Avaeté, Aratycuty, Nhu Verá 1, Nhu Verá 2, Nhu Verá Guassu já mobilizados pela pauta do marco temporal, tomaram as ruas e comandaram o ato que se mostrou o mais expressivo da cidade desde que Bolsonaro assumiu o governo. Não fossem eles, provavelmente o ato não ocorreria ou seria inexpressivo. Parte do movimento das entidades de esquerda queria inclusive cancelar o ato por conta da ameaça de chuva, mas a presença dos indígenas, mesmo debaixo de chuva, garantiu o evento. 

Os indígenas chegaram antes da suposta organização do ato e inclusive subiram no trio elétrico, tomaram o microfone e fizeram falas em defesa de suas terras, gritando contra o governo Bolsonaro: “você não nos representa!”. Diante desta potente iniciativa, os dirigentes da esquerda de início ficaram atônitos sem saber o que fazer, solicitaram que os indígenas descessem do trio elétrico e passaram a dirigir o ato no chão. 

Os indígenas agitaram bandeiras contra o marco temporal, a PL 490, pelo Fora Bolsonaro e por Lula Presidente, fizeram rodas com cantigas que denunciavam o alto preço do arroz, do feijão, do gás, a queima de suas casas pelo governo Bolsonaro e pedindo a volta do PT.

“Nós estamos cansados de sofrer. Bala, tiro, fogo, criança se machucando, idoso se machucando, nossos patrícios morrendo e sem direito a nada… porque o Bolsonaro prometeu que não vai ajudar o índio… é o nosso território, onde nós ponhamos nosso pé, é nosso! e vamos lutar pelo que é nosso”, disse o guerreiro do Yvu Verá.

Assim que assumiram a direção do ato, as lideranças das entidades de esquerda, pediram aos indígenas que fizessem rezas e danças, tentando valorizar a questão cultural em detrimento da radicalidade política do movimento indígena.

Em Dourados impera o latifúndio e o agronegócio. Como bem sabemos, este setor é a expressão mais voraz do capitalismo mundial no território brasileiro. Aqui não há limite para expropriação do homem e da natureza pelo Capital. Basta uma volta aos arredores e veremos por todos os lados grandes áreas de plantações que revezam, pelas estações do ano, soja e milho. Mas não apenas isto, um olhar um pouco mais cuidadoso verá também novas estradas sendo construídas para o interior destas plantações que denotam o avanço contínuo destas áreas. Toda economia e o desenvolvimento aqui é gerenciado pela economia do latifúndio.

Mas aqui está também a reserva indígena mais populosa do país. Aqui vivem diferentes comunidades indígenas. Há milhares de estudos sobre a situação destas comunidades, o fato é que estas comunidades vivem em situações precárias, como por exemplo, sem saneamento básico, água potável e energia. Alguns nem terra mesmo tem e vivem em acampamentos e áreas retomadas. 

No mês de setembro, quando se desencadeou um grande movimento nacional indígena, o Comitê de Luta de Dourados decidiu estar junto com o movimento local nos trancamentos das estradas e foi ali que começamos a articular uma ação conjunta para o dia 2 de outubro. Quando Alexandre de Moraes pediu vistas do processo do marco temporal, o movimento nacional esfriou um pouco e os trancamentos acabaram. Por iniciativa própria o Comité de Luta decidiu continuar indo às aldeias e defender a ideia de que a luta não poderia parar, disto os indígenas sabiam melhor do que nós.

Uma semana antes do ato de 2 de outubro as entidades de esquerda da cidade chamaram uma reunião para começar a decidir o que iriam fazer. Nesta data não tinham ainda definido se haveria ato em Dourados. Fomos a reunião e dissemos que os indígenas estavam mobilizados para o dia 2 de outubro e que nós iríamos às ruas, pedimos apoio financeiro para o transporte dos indígenas, bem como, ajuda a liderança do MST para articular mais comunidades ligadas à luta pela terra. Nossa posição não pôde ser enfrentada e então uma mobilização maior se iniciou.

Junto com o MST articulamos mais lideranças indígenas e levantamos os recursos para o transporte, porém foi necessário uma ação mais enérgica para que finalmente pudéssemos alugar os ônibus. Ao contrário do que pregam as direções das entidades de esquerda, temos insistido na ideia de que é possível mobilizar um grande número de pessoas do povo mais oprimido para estes atos. As entidades sindicais, por sua vez, parecem ainda esperar pelo apoio da burguesia de direita e dos movimentos verde amarelo. A grande vitória que tivemos no dia 2 de outubro foi de provar nossa tese.

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