Guinada à direita

Castillo retira ala esquerda de seu governo no Peru

O presidente do país exigiu a renúncia de Guido Bellido, seu primeiro-ministro e braço direito de Vladimir Cerrón no governo
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As últimas semanas têm demonstrado a intensa luta que é travada dentro do partido Perú Libre. De um lado, alas mais moderadas ligadas ao presidente do país, Pedro Castillo, do outro, a ala militante e de esquerda, conhecida como “cerronista”, por conta de sua ligação com Vladimir Cerrón.

No dia 6 de outubro, Pedro Castillo exigiu a renúncia do primeiro-ministro Guido Bellido (braço direito de Cerrón), dissolveu seu corpo de ministros e instituiu a ambientalista Mirtha Vásquez como nova “primeira-ministra”.

Crise

A crise no partido Perú Libre começou logo após Pedro Castillo determinar seu corpo de ministros. Guido Bellido, que ficou com o cargo de “primeiro-ministro” (presidente do Conselho de Ministros), nunca foi aceito pela burguesia, que iniciou uma campanha de difamação desde sua posse. 

A não aceitação se dá por conta de sua ligação com Vladimir Cerrón, personalidade popular e mais à esquerda dentro do Perú Libre, impedido de concorrer às eleições presidenciais por conta de uma espécie de lei de ficha suja peruana.

A primeira campanha contra Bellido teve um viés identitário. Nela, o então primeiro-ministro foi acusado de ter feito “falas machistas” contra a deputada direitista Patricia Chirinos, em uma ocasião na qual apenas Chirinos escutou tais palavras, mesmo com uma sala cheia de outras pessoas, o que coloca não só em suspeita, mas praticamente comprova a farsa das acusações. No entanto, a esquerda pequeno burguesa embarcou na campanha contra o ministro e desde então pedia sua renúncia.

Além disso, a acusação de machismo continuou por conta da “pouca representatividade” das mulheres nos ministérios peruanos, o que teve importância na atual etapa, já que os ministérios passaram de ter 2 para 7 mulheres.

Mais recentemente, a burguesia tratou de intensificar a campanha contra Guido Bellido por conta de dois de seus atos. O primeiro foi a ameaça de estatização do gás do reservatório de Camisea, um dos maiores do mundo, caso a empresa privada responsável pela extração e comercialização do produto não aceitasse reduzir os preços do gás para a população. O outro caso tem a ver com vazamentos de conversas entre os membros da cúpula do partido em um grupo do whatsapp, utilizados pela imprensa local da mesma forma que os áudios vazados à Globo por Sérgio Moro. Nas conversas, Bellido critica e exige a demissão de dois membros do governo, o chanceler Óscar Maúrtua e seu vice Luis Enrique Chávez, isso por que os dois haviam dado declarações na imprensa peruana dizendo que o governo não reconhecia Nicolás Maduro como presidente da Venezuela. 

Capitulação

A renúncia forçada de Guido Bellido por parte de Pedro Castillo demonstra uma grande fraqueza do governo diante da direita, assim como uma grande traição para com a ala mais aguerrida e militante do partido. Não apenas pelas posições mais radicais da ala, mas também por conta da mobilização promovida por cerronistas para o recolhimento de assinaturas para a assembleia constituinte, em um verdadeiro trabalho militante deste setor.

A direita também conseguiu afastar do governo as personalidades que defendem Venezuela e Cuba dos ataques do imperialismo e que, mesmo que de uma maneira ainda que frágil, pediam a estatização do gás, outra promessa de Castillo.

Após a renúncia de Bellido, Castillo gravou um vídeo para a nação peruana, pedindo uma unidade de todos os setores e fazendo juras à iniciativa privada, tentando se aproximar da direita neoliberal. Mais tarde, ao apresentar o novo corpo de ministros (a maioria havia sido demitida junto com Bellido, mas readmitida na sequência, demonstrando que a manobra era somente para retirar o setor mais à esquerda) Castillo instituiu Mirtha Vásquez no lugar de Guido Bellido. Vásquez foi eleita presidenta do congresso após o golpe em Martín Vizcarra, participando da mesma lista eleitoral do neoliberal Francisco Sagasti, em um claro aceno ao mercado financeiro por parte do governo de Castillo.

No entanto, o setor mais à esquerda não parece querer deixar barato o golpe e seu líder, Vladimir Cerrón, partiu para o ataque criticando Pedro Castillo e dizendo que, no lugar de retirar gente como Bellido, deveriam ser retirados do governo elementos da direita “caviares” (esquerda caviar), em um claro ataque aos partidos de esquerda da pequena burguesia que compõem o governo. Tanto Cerrón quanto Bellido disseram que o povo deve exigir um referendo por uma nova constituinte, mesmo com a saída de Bellido do governo.

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