A esquerda pequeno burguesa e seus cientistas

Prof. P.R.M

A CPI da covid-19 tem servido de lupa para o analfabetismo científico de setores da população e de seus representantes no Senado. Pior, do total desconhecimento de como a ciência se relaciona com a política. 

A esquerda pequeno burguesa comemora como torcedor de cadeira numerada, já que arquibancada não frequentam, quando o senador ortopedista, Otto Alencar do PSD da Bahia esmiúça picuinhas técnicas com os depoentes. Tornou-se notória sua pergunta à médica Nise Yamaguchi sobre a diferença entre um vírus e um protozoário. Num ambiente ginasial, concluiu-se que a insatisfação do ortopedista com a curta resposta oferecida pela oncologista bastava para concluir que ela não domina o assunto. Testemunhou-se o ridículo. Trata-se de um tema familiar de qualquer vestibulando e a resposta da oncologista não era incorreta. Fez-se apenas o espetáculo necessário ignorando os crimes que Nise realmente ajudou a cometer. 

A hidroxicloroquina é utilizada para tratar a infecção causada pelo plasmodium, o protozoário causador da malária. Otto Alencar queria estabelecer a insensatez de recomendar uma substância que atua contra um protozoário como antiviral. Otto Alencar ou ignora tudo que precede a prática clínica, ou anda desatualizado. A recomendação desse uso data dos estudos de Didier Raoult, infectologista francês que vinha estudando os efeitos dessa (e outras) substância em modelos de infecção viral em culturas celulares e modelos pré-clínicos. Trata-se de uma área legítima e necessária na pesquisa de terapias antivirais.

Os resultados em diversos laboratórios independentes mostram a eficácia em modelos de bancada. Porém, a substância não funciona em humanos no tratamento da covid-19, nem como profiláctico, o tal tratamento precoce, o que está amplamente documentado. Como ocorre com qualquer medicamento, seu uso em humanos para tratar covid-19 deveria simplesmente ser descartado e outro composto deveria ser investigado, da bancada à clínica, seguindo a rota correta de desenvolvimento e aprovação. 

Curiosamente, Otto Alencar abusou de sua sabedoria de ortopedista em moléstias infecciosas quando a capitã cloroquina, Mayra Pinheiro foi questionada. Otto Alencar listou diversas doenças virais para as quais apenas a vacinação é eficaz. Mayra Pinheiro caiu na armadilha e Otto Alencar marcou gol. Se o assunto fosse tratado de forma séria, teriam sido elencadas as doenças virais para as quais não existe vacina. A AIDS causada pelo HIV e a Hepatite C são tratadas com antivirais com grande eficácia. Contra Dengue, Zika, entre outras, não existem nem vacinas, nem antivirais. Portanto, o argumento do Otto Alencar é incompleto e deseduca a população sobre o assunto. Não importa: a esquerda pequeno burguesa comemora o suposto golaço.  

Entra em cena a nova queridinha da esquerda pequeno burguesa, a médica Luana Araújo. Seu depoimento técnico explicou o básico: por mais que uma substância funcione em fases de estudos pré-clínicos, se falha ou traz riscos nos ensaios clínicos, o tratamento deve ser abandonado. A bolsonarista Luana Araújo tornou-se uma heroína nacional por explicar conceitos triviais de indicação de fármacos enquanto a esquerda pequeno burguesa a acolhe como grande figura na luta contra o Bolsonaro. Não poderiam estar mais iludidos. Luana Araújo complementou com algumas pérolas: afirmou que a ciência não tem nada a ver com política. Basta notar em seu currículo que ela nunca precisou fazer a “politicagem” universitária para garantir um cargo, nem a politicagem da indústria de publicações científicas para descartar sua afirmação incorreta. A ciência é sim afetada por uma política própria e também pela política de qualquer nação. Finalmente, Luana Araújo afirmou ser impensável que a indústria farmacêutica fosse capaz de criar conspirações em prejuízo da população. Novamente, talvez por atuar como médica na periferia do capitalismo apesar do seu mestrado na escola de saúde pública da Johns Hopkins, ela não tenha tido a oportunidade de ver como a cozinha dos monopólios farmacêuticos é suja e infestada de ratos. 

O espetáculo não acabou. Uma versão empobrecida do folclórico Didier Raoult foi convocada para a CPI da covid. Trata-se do irascível virologista da USP, Paolo Zanotto que propôs a criação de um “Shaddow Cabinet” para auxiliar o governo no combate à covid-19. Defensor ferrenho do uso do tratamento precoce com hidroxicloroquina, Zanotto se defendeu afirmando que um “Saddow Cabinet” não tem conotação negativa, ou poderia ser equivalente a um gabinete paralelo no seu significado em língua inglesa. Ora, quem domina o idioma e seu uso sabe que a escolha de um “gabinete das sombras” ou revela a mentalidade de Zanotto, ou demonstra que ele não domina o uso desta língua nos países onde ela é usada. Zanotto afirmou em 2020 que se a hidroxicloroquina fosse o remédio do Lula, todo mundo estaria tomando sem questionar. Ao contrário da Luana, o professor da USP parece compreender que sim, tem política em ciência, e muita. 

Caso ele deponha, prepare a pipoca e a cerveja bem gelada e aproveite. Trata-se de um homem descontrolado, agressivo, arrogante e que sofre de ilusão de erudição rara até para uma universidade. Um Sérgio Moro virologista. O potencial para bate-bocas, baixarias e carteiradas usando a preciosa, limpa e pura ciência no meio é enorme. Tomara que ele não desaponte para o entretenimento da população. Para os mais íntimos, pode escancarar qualidade de professores que a USP recrutou nos tempos em que qualquer diploma de doutor no exterior era catado para ocupar cadeiras do jovem instituto de ciências biomédicas, povoado por madames de Shopping, professores letárgicos e figuras folclóricas como o Zanotto das sombras.  

O tratamento precoce não é uma solução viável para controlar a pandemia, principalmente com vacinas disponíveis. Do ponto de vista técnico Zannoto serve de oposto a Otto Alencar, pois domina (mal) o que vem antes da clínica, mas não sabe nada de medicina, ignora ensaios clínicos e os protocolos de desenvolvimento e aprovação de fármacos. 

Bônus: o midiático Atila Lamarino foi orientado pelo Paolo Zanotto para obter seu doutorado na USP. O mundo é pequeno. O que ele teria a dizer do seu orientador?

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